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Pablo Marçal obtém liminar e retorna ao PRTB antes de 2026

Decisão da 428ª Zona Eleitoral regulariza a filiação do empresário ao partido pelo qual ele disputou a Prefeitura de São Paulo em 2024, mas não mexe na inelegibilidade que o TRE-SP manteve até 2032.

Pablo Marçal durante entrevista, relacionado à liminar de Pablo Marçal para retornar ao PRTB
Pablo Marçal durante entrevista, relacionado à liminar de Pablo Marçal para retornar ao PRTB

O empresário e influenciador Pablo Marçal obteve, neste sábado (15), uma liminar da Justiça Eleitoral que autoriza sua saída do União Brasil e o retorno ao PRTB, partido pelo qual disputou a Prefeitura de São Paulo em 2024. A decisão foi concedida pelo juiz Gustavo Nardi, da 428ª Zona Eleitoral de Santana de Parnaíba (SP).

O que diz a liminar de Pablo Marçal

Segundo a decisão, a regularização da filiação de Marçal ao PRTB tem efeito retroativo a 4 de abril deste ano. A data importa porque a legislação eleitoral exige que o candidato esteja filiado ao partido pelo qual pretende concorrer com pelo menos seis meses de antecedência em relação ao primeiro turno. Marçal havia se filiado ao União Brasil apenas em março, prazo curto demais para viabilizar uma candidatura presidencial pela legenda. Com a liminar retroativa, o PRTB volta a ser uma opção formalmente possível.

A movimentação chama atenção porque acontece bem próxima ao fim do prazo para definição de chapas para 2026, em meio à disputa pelo espaço à direita do espectro político brasileiro. Na prática, a liminar de Pablo Marçal resolve um problema burocrático específico, sem alterar o quadro mais amplo que ainda pesa contra ele na Justiça Eleitoral.

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A trajetória política de Pablo Marçal

Marçal ficou nacionalmente conhecido como coach e criador de conteúdo digital antes de migrar para a política institucional. Em 2024, concorreu à Prefeitura de São Paulo pelo PRTB e chegou a figurar entre os primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto durante boa parte da campanha, muito por conta do alcance que já tinha nas redes sociais. Foi justamente o comportamento da campanha municipal, marcado por episódios que a Justiça Eleitoral considerou abusivos, que originou os processos que hoje o mantêm inelegível.

Depois da derrota em 2024, Marçal deixou o PRTB e se filiou ao União Brasil, movimento lido à época como uma tentativa de se aproximar do núcleo mais institucional da direita. A liminar de Pablo Marçal desta semana reverte esse caminho, trazendo-o de volta à legenda pela qual ele já havia disputado uma eleição majoritária.

Marçal segue inelegível até 2032

A liminar não muda a situação de fundo: Marçal segue inelegível. No início de agosto, o TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) manteve, por unanimidade, a inelegibilidade do empresário até 2032, decorrente de condenações por abuso de poder político, econômico e dos meios de comunicação durante a campanha municipal de 2024. Uma das ações que resultou na condenação foi movida pelo PSB, partido de Tabata Amaral, e outra pelo PSOL, do deputado federal Guilherme Boulos. Marçal ainda pode recorrer ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra essas decisões.

Ou seja: a liminar de Pablo Marçal resolve apenas o obstáculo da filiação partidária. Para de fato disputar a Presidência em 2026, Marçal precisaria reverter a inelegibilidade em instância superior, o que hoje não está garantido.

Pablo Marçal durante entrevista, relacionado à liminar de Pablo Marçal para retornar ao PRTB
Pablo Marçal em entrevista. Foto: TV Brasil Central/Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Bastidores do PRTB e a corrida presidencial de 2026

A definição sobre uma eventual candidatura presidencial deveria ser anunciada ainda neste sábado, segundo o presidente nacional do PRTB, Leonardo Avalanche, hoje pré-candidato do próprio partido à Presidência. Caso a legenda decida lançar Marçal, ele ocuparia a vaga hoje ocupada por Avalanche na disputa presidencial.

O episódio se soma a um quadro de fragmentação no campo à direita, com nomes como Flávio Bolsonaro, já oficializado pelo PL, disputando espaço com outras pré-candidaturas. Parte dos comentários no post que originou esta apuração já refletia essa preocupação, com internautas debatendo se a entrada de Marçal na corrida dividiria votos que poderiam ir para outros candidatos do mesmo campo.

Para acompanhar outros desdobramentos da disputa presidencial, veja a cobertura da editoria de Política da Folha de Patrocínio.


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