Goleiro Miguel Meneses, de 14 anos, morre após acidente, e família autoriza doação de órgãos
A mãe, Tereza, disse que o corpo "pode salvar tantas vidas"; a captação foi marcada para a noite de quarta (28), e São José dos Campos decretou luto de três dias.

O goleiro Miguel Meneses, de 14 anos, da equipe sub-15 do São José Esporte Clube, morreu na noite de terça-feira (27) no Hospital Municipal de São José dos Campos (SP), dois dias depois de um acidente de carro no Anel Viário da cidade. A família autorizou a doação dos órgãos. “O corpo vai para a terra e vai ser consumido pela terra, enquanto pode salvar tantas vidas”, disse a mãe, Tereza Meneses, segundo a Prefeitura.
A morte encefálica foi confirmada por volta das 19h30 de terça, depois do protocolo médico que a lei exige. A Prefeitura de São José dos Campos decretou luto oficial de três dias, com a bandeira do município a meio mastro nas repartições públicas, e informou que o decreto sairia no Diário do Município de quarta-feira (28).
O que se sabe do acidente com o goleiro Miguel Meneses
O acidente foi por volta das 16h15 de domingo (25), no trecho do Anel Viário perto do bairro Monte Castelo. Segundo a Polícia Militar, o motorista de um Honda Civic perdeu o controle do carro numa curva, e o veículo bateu numa árvore do canteiro central. Chovia, e a pista estava molhada. Quatro pessoas da mesma família estavam no carro, entre elas Miguel, e todas se feriram. A PM não divulgou quem dirigia, e as circunstâncias ainda são apuradas pelas autoridades.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Miguel foi levado ao Hospital Municipal, na Vila Industrial, e passou dois dias na UTI. Na segunda-feira (26), o clube abriu uma campanha de doação de sangue em nome dele, e 36 pessoas foram ao Banco de Sangue de São José dos Campos naquele dia.

Quem era o goleiro do sub-15 do São José
Miguel começou a jogar bola aos 4 anos, numa escolinha de Jacareí. Em 2024, defendeu o sub-12 do programa Atleta Cidadão e representou São José dos Campos no Campeonato Paulista. No ano seguinte entrou nas categorias de base do São José Esporte Clube, onde ganhou fama de pegador de pênaltis, segundo a nota da Prefeitura.
Em nota, o clube lamentou a morte e prestou solidariedade à família, aos colegas de equipe, aos treinadores e aos funcionários. “Em um gesto de solidariedade e amor ao próximo, os pais de Miguel decidiram autorizar a doação de seus órgãos”, escreveu o São José.
Corredor de aplausos, captação e despedida
A captação dos órgãos foi marcada para as 21h30 de quarta-feira (28), com profissionais do Hospital Municipal e da Organização de Procura de Órgãos (OPO) ligada à Unicamp, em Campinas. Antes do procedimento, familiares, amigos, profissionais de saúde e companheiros de futebol fizeram um corredor de aplausos no hospital. A Prefeitura não informou quais órgãos seriam retirados.
Alpha for MenO velório estava marcado para começar às 8h desta quinta-feira (29), na Câmara Municipal de São José dos Campos. O sepultamento será no Memorial do Vale, em Jacareí, e o horário do enterro não tinha sido divulgado até a publicação desta matéria.
Como funciona a doação de órgãos no Brasil
No Brasil, a doação depois da morte só acontece com a autorização da família, mesmo que a pessoa tenha dito em vida que queria ser doadora. A regra está na Lei 9.434/1997, com a redação dada em 2001, e no Decreto 9.175/2017. Quem assina é o cônjuge ou um parente maior de idade até o segundo grau, como pais, filhos e irmãos. Quando o doador é menor de idade, como Miguel, a lei exige a permissão expressa dos dois pais ou dos responsáveis legais.
A família não escolhe quem recebe. Os pacientes ficam numa lista única, organizada por estado e acompanhada pelo Sistema Nacional de Transplantes, do Ministério da Saúde. A ordem leva em conta compatibilidade, gravidade do caso e tempo de espera.
Dados do Ministério da Saúde atualizados em 28 de setembro mostravam quase 50 mil pessoas esperando um órgão no país, mais de 46 mil delas por um rim. Em cerca de 45% das entrevistas com famílias de potenciais doadores, a resposta é não, segundo a média nacional citada pelo Governo de Minas.
No Hospital Municipal de São José dos Campos, a taxa de aceite é bem maior. De janeiro a outubro deste ano, segundo a Prefeitura, o hospital registrou 22 notificações de morte encefálica, 11 casos aptos à doação e 9 autorizações das famílias, ou seja, cerca de 82% de aceite. Foram captados 37 órgãos e tecidos: 4 corações, 2 pulmões, 7 fígados, 14 rins e 10 córneas.
A doação de órgãos em Minas e em Patrocínio
Em Minas Gerais, a recusa familiar caiu de 33,09% em 2024 para 29,4% em 2025, abaixo da média nacional, segundo o Governo de Minas. O estado fez 2.094 transplantes em 2025 e chegou a 1.678 até 9 de outubro deste ano. Pelo mesmo levantamento, 9.257 pessoas estavam na fila em Minas, 4.207 delas por um rim e 4.833 por uma córnea.
Em Patrocínio (MG), a Santa Casa fez a segunda captação de órgãos em menos de três meses no começo de outubro. A primeira, em 16 de agosto, teve uma aeronave do Governo de Minas trazendo a equipe de Belo Horizonte, depois que a família de Larissa Batista David autorizou a doação.
Quem quer deixar a vontade registrada pode marcar a opção na Carteira de Identidade Nacional ou fazer a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO), gratuita, com validação de um cartório por videochamada. Nenhuma das duas substitui a conversa com a família, que continua sendo quem decide. Dúvidas podem ser tiradas com o MG Transplantes pelo 0800 283 7183.
Para quem quer doar sangue, Patrocínio tem data marcada: a Prefeitura e o Hemominas fazem uma coleta extra de sangue no sábado, 7 de novembro, das 7h às 11h, com agendamento prévio.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.




