Falcão e Marcelo Aro seguem, a partir de agora, estratégias eleitorais formalmente separadas em Minas Gerais. A confirmação veio do próprio coordenador político da campanha de Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao governo do estado, Luís Eduardo Falcão, também candidato a vice-governador na chapa: não existe apoio oficial a nenhum nome específico na disputa pelo Senado em 2026, incluindo o deputado federal Marcelo Aro (PP).
Em entrevista ao programa Café com Política, da Rádio Itatiaia, Falcão explicou que a decisão passa por um cálculo jurídico, não por um racha político. Segundo ele, Republicanos e Podemos, partidos que sustentam a candidatura de Cleitinho ao governo, optaram por não lançar candidato próprio ao Senado, e essa ausência de nome formal é o que os impede de declarar apoio institucional a qualquer um dos postulantes à Casa Alta do Congresso, entre eles Aro.
Falcão e Marcelo Aro: o que muda na relação entre as campanhas
“Temos boa relação com todos os candidatos ao Senado”, afirmou Falcão na entrevista, reforçando que o distanciamento não deve ser lido como hostilidade. Ainda assim, ele foi direto ao tratar da fronteira entre as duas campanhas: “cada um segue a sua campanha”. A frase resume o novo tom adotado pela coordenação de Cleitinho depois de semanas em que Aro chegou a ser apontado, em bastidores, como um dos nomes mais próximos do grupo político do senador.
O recuo formaliza um movimento que já vinha sendo notado por aliados nos últimos dias. Internamente, a leitura é a de que declarar apoio explícito a Aro, ou a qualquer outro concorrente ao Senado, poderia gerar confusão entre o eleitor e criar exposição desnecessária numa eleição em que Republicanos e Podemos decidiram não brigar por aquela cadeira.

Por que o nome de Marcelo Aro pesa nessa equação
Marcelo Aro chegou a ganhar força como possível interlocutor do grupo de Cleitinho justamente por ter, em determinado momento, expressado publicamente apoio ao senador na corrida ao governo, o que alimentou a expectativa de uma aliança mais ampla envolvendo também o Senado. Falcão e Marcelo Aro, porém, nunca tiveram coligação formalizada, e é exatamente essa ausência de documento e de acordo oficial que a coordenação de Cleitinho faz questão de deixar clara agora, às vésperas do período de convenções e do prazo final de registro de candidaturas junto à Justiça Eleitoral.
A fala de Falcão também deixa Cleitinho com mais liberdade de manobra. Ao não vincular formalmente a chapa majoritária a um nome específico no Senado, o senador preserva a possibilidade de manter boas relações com diferentes candidatos, inclusive concorrentes entre si, sem que isso seja interpretado como endosso automático de nenhum deles.
Contexto: uma novela política que já dura semanas
A relação entre os grupos de Cleitinho e Aro é acompanhada de perto pelo noticiário político mineiro desde o início de agosto, quando Aro chegou a declarar apoio público à chapa de Cleitinho e Falcão, alimentando a leitura de que os grupos caminhavam para uma aliança informal envolvendo governo e Senado. Passadas as semanas, no entanto, cada campanha seguiu ajustando sua própria estratégia jurídica e de palanque, o que culminou na fala desta semana de Falcão.
A Folha de Patrocínio já vinha acompanhando essa novela política. Relembre como o apoio de outras lideranças à chapa de Cleitinho e Falcão foi se consolidando ao longo de agosto.
Marcelo Aro disputa o Senado pela Federação União Progressista (PP/União Brasil), legenda que tem aliança formada no palanque do governador e candidato à reeleição Mateus Simões (PSD). É mais um fator jurídico que explica por que a chapa de Cleitinho evita qualquer gesto que possa ser lido como coligação informal fora dos partidos que efetivamente a compõem.
Questionado se o episódio representa um rompimento, Falcão minimizou o termo. Para ele, nunca chegou a existir uma coligação entre os grupos: apenas “um momento de proximidade dentro de eventos”, ajustado ao longo da campanha. Segundo o coordenador, o diálogo entre as partes segue aberto, e Cleitinho mantém boa relação com os demais nomes que disputam o Senado em 2026.
Próximos passos até as convenções partidárias
Na prática, a mensagem transmitida pela coordenação da campanha de Cleitinho é direta: Marcelo Aro seguirá sua própria candidatura ao Senado, com sua própria estrutura de apoio, enquanto Cleitinho e Falcão concentram os esforços exclusivamente na disputa pelo governo de Minas Gerais. Falcão e Marcelo Aro, ao menos por ora, não vão dividir palanque formal, o que deve se refletir também na propaganda eleitoral gratuita e no material de campanha de ambos os lados a partir das convenções partidárias.
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