Fala de Mônica Waldvogel sobre a derrota de Flávio: “a impressão que deu é de que comemoramos”, disse a apresentadora ao vivo na GloboNews
A apresentadora falou antes de entrevistar o economista Marcos Lisboa e emendou que "tem uma crise contratada para 2027". A GloboNews não respondeu à repercussão.

A fala de Mônica Waldvogel sobre a derrota de Flávio Bolsonaro foi dita ao vivo, na manhã desta terça-feira (3), na abertura de uma entrevista no programa “Em Pauta”, da GloboNews. Antes de receber o economista Marcos Lisboa, a apresentadora disse: “A impressão que deu é de que comemoramos a derrota do Flávio Bolsonaro, como sociedade, pela democracia, pelo não sei o quê, mas no dia seguinte a questão econômica estava posta na frente da gente”. Na sequência, afirmou que “tem uma crise contratada para 2027”. Até a noite desta terça, a GloboNews e a jornalista não haviam se manifestado sobre a repercussão.
A frase circulou nas redes sem o começo, “a impressão que deu é de que”, e sem o contexto do programa, que tratava da situação econômica depois da eleição. A Folha reúne abaixo o que foi dito, o que o economista respondeu e o que ainda falta esclarecer.
O que Mônica Waldvogel disse sobre a derrota de Flávio
Segundo a transcrição do trecho, a apresentadora estava mostrando números da economia quando disse que “esses números são a dura realidade”. Em seguida, fez o comentário sobre a derrota de Flávio e emendou o assunto econômico. Ela falou em “uma revisão do crescimento, que está ali entre 0,5% e 1% no ano que vem”, disse que “o aperto será grande, inclusive na arrecadação” e citou “novas formas de controlar a taxa de juros, a grande vilã desse momento”. A Folha não encontrou, até agora, o dado oficial que sustente a faixa de 0,5% a 1%: é a projeção citada por ela no ar.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Antes, o jornalista Léo Arcoverde havia mostrado dados da Instituição Fiscal Independente, órgão do Senado que acompanha as contas públicas, sobre medidas do governo Lula. Waldvogel perguntou a Lisboa como ele via a discussão e o que achava que ia acontecer, “conhecendo como você conhece o presidente Lula”, e lembrou que o economista trabalhou com ele no primeiro governo.

O que o economista Marcos Lisboa respondeu
Lisboa não comentou a fala sobre Flávio. Sobre a ideia de forçar a queda dos juros, disse que o governo gosta de “poção mágica” para reverter indicadores e lembrou o que aconteceu na gestão de Alexandre Tombini, no governo Dilma Rousseff: “Baixou a taxa de juros na pancada, quando a inflação estava acima da meta”. Segundo ele, o emprego e a economia não reagiram e a inflação subiu, “na véspera da crise de 2013”. É a opinião do economista, e a Folha a registra como tal.
A repercussão e a posição da GloboNews
O trecho gerou críticas nas redes sociais sobre a imparcialidade da cobertura da emissora. A fala é da apresentadora e não é uma posição oficial da GloboNews, que, até agora, não respondeu. A Folha mostrou, em a chegada de Flávio ao debate da Globo, como foi o encontro do candidato com a emissora durante o segundo turno, que Lula venceu em 25 de outubro.
O cenário econômico que ela citou
O recado sobre juros e crescimento aparece num momento de tensão no mercado. A taxa básica está em 13,75% ao ano, e o Comitê de Política Monetária, o Copom, decide sobre ela na quarta-feira (4). A Folha mostrou, em a decisão do Copom sobre a Selic, que o mercado está dividido, e, em como o dólar subiu desde a eleição, que a moeda passou de R$ 5,04 a R$ 5,49. O governo, por sua vez, tem a agenda de viagens do presidente e a definição do ministro da Fazenda ainda em aberto, como a Folha registrou em as viagens de Lula até dezembro.
Alpha for MenInformações oficiais sobre a taxa básica ficam no portal do Banco Central.
O que a Folha ainda não sabe
Faltam a resposta da GloboNews e de Mônica Waldvogel à repercussão, o dado oficial por trás da faixa de crescimento de 0,5% a 1% e a confirmação do que o governo pretende fazer sobre a taxa de juros, tema que a apresentadora mencionou sem citar fonte. A Folha atualiza esta reportagem quando houver resposta da emissora.
Reprodução. A apresentadora Mônica Waldvogel no programa “Em Pauta”, em 3 de novembro.
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