Globo cancela debate e colunista fala em censura
Emissora desistiu do programa de 1º de outubro após liminares de Estela Aranha (TSE) e Gilmar Mendes (STF). Colunista do Pleno.News vê censura, mas a opinião é só dela.

Quando a Globo cancela debate a três dias do primeiro turno, o eleitor perde o último encontro entre presidenciáveis antes da votação de domingo (4). Foi o que aconteceu na quinta-feira (1º): a emissora desistiu do programa depois de duas liminares assinadas pouco antes do horário marcado. Nesta sexta-feira (2), a colunista Sara Ganime, do Pleno.News, usou o caso para defender que o Brasil vive uma “escalada de censura patrocinada pelo Judiciário”. Abaixo, o que está documentado e o que é opinião.
O que aconteceu antes de a Globo cancelar o debate
A emissora havia convidado os candidatos com base na representação de cada partido no Congresso: Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado e Augusto Cury. Segundo a cobertura do SBT News, o ministro Nunes Marques, do TSE, determinou depois a inclusão de Romeu Zema (Novo). Lula já havia avisado, em 30 de setembro, que não compareceria, como a Folha mostrou na matéria sobre a ausência do presidente.
Com a ausência confirmada, a emissora pretendia deixar um púlpito vazio no estúdio, prática comum em debates. Foi aí que a coligação de Lula recorreu à Justiça Eleitoral, e o debate passou a depender de decisões tomadas em cima da hora.
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A ministra Estela Aranha, do TSE, atendeu ao pedido da coligação de Lula. Ela proibiu a Globo de mostrar o púlpito vazio e de permitir que os demais candidatos fizessem perguntas dirigidas a ele. Na liminar, argumentou que o espaço vazio poderia pressionar o candidato a comparecer, o que tiraria da participação o caráter opcional previsto na lei.
Na outra decisão, o ministro Gilmar Mendes, do STF, mandou incluir no debate o candidato Renan Santos (Missão). A emissora não o havia convidado porque o partido dele não tem os cinco parlamentares que a legislação usa como referência. O ministro se apoiou em princípios como o pluralismo e o direito à informação do eleitor. Depois da liminar do TSE, Flávio Bolsonaro anunciou que não participaria e chamou a medida de “censura imposta pelo TSE”, segundo o relato do portal Metrópoles.

Por que a Globo cancela debate e o que a emissora disse
Com as duas ordens em vigor e a desistência de Flávio, a Globo cancela debate e tira do ar o último confronto da campanha. Em nota, afirmou que “sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes do debate” criaram insegurança jurídica e representaram interferência indevida na liberdade de imprensa. Caiado, Cury e Zema já estavam nos estúdios quando o cancelamento foi comunicado.
O desfecho gerou críticas de lados diferentes. O jornal O Estado de S. Paulo publicou editorial duro contra as decisões, resumido pela Folha em outra matéria sobre o tema. Juristas divergem: alguns veem proteção ao candidato ausente e ao pluralismo, outros veem intromissão na linha editorial de uma empresa de comunicação.
O que diz a colunista do Pleno.News
No texto publicado em carrossel no Instagram, Sara Ganime afirma que escreve há anos sobre censura no país e que parte da imprensa tradicional chamava isso de exagero. Para ela, a nota da emissora, ao dizer que a Globo cancela debate por interferência judicial, confirma o que vinha dizendo. A colunista concorda “com cada palavra” do comunicado e questiona se a emissora só percebeu o problema quando foi atingida.
Ganime cita ainda outros casos para sustentar a tese. Um deles é o de 2019, quando o ministro Alexandre de Moraes mandou retirar do ar uma reportagem da revista Crusoé, decisão que foi revogada dias depois. Ela menciona o documentário da Brasil Paralelo suspenso, a suspensão do X no país e o caso de um comentarista da GloboNews, Joel Pinheiro, que teria tido um vídeo crítico ao Supremo derrubado do Instagram. Encerra com a lembrança do poema atribuído ao pastor alemão Martin Niemöller, sobre quem se cala quando a perseguição atinge os outros.
O que a Folha não confirmou
O texto de Sara Ganime é opinião assinada, e a Folha o relata como tal, sem endossar a tese. A reportagem não encontrou confirmação independente da derrubada do vídeo atribuída a Joel Pinheiro, e por isso a informação fica registrada apenas como afirmação da colunista. Também não há decisão judicial que classifique as liminares como censura: elas são medidas provisórias, sujeitas a recurso, e a Justiça Eleitoral sustenta que protegem a igualdade entre candidatos.
Quem quiser acompanhar o andamento dos processos pode consultar os portais do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal, onde as decisões são publicadas.
O que muda para o eleitor de Patrocínio
Como a Globo cancela debate sem remarcação, os candidatos à Presidência chegam ao domingo sem um último confronto direto na maior emissora do país. Em Patrocínio, como no resto de Minas, o eleitor também escolhe governador, senadores e deputados. A votação vai das 8h às 17h, com documento oficial com foto, e o local de votação pode ser consultado no aplicativo e-Título ou no site do TRE-MG.
A Folha segue acompanhando os desdobramentos do episódio e atualiza esta matéria se houver novas decisões ou manifestação oficial dos ministros citados.
Créditos das imagens: foto de destaque do plenário do Tribunal Superior Eleitoral, com a ministra Estela Aranha à direita, em solenidade de posse de 2025, TSE/O Tribunal da Democracia, domínio público, via Wikimedia Commons. Foto de Gilmar Mendes, Senado Federal, licença CC BY 2.0, via Wikimedia Commons.
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