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Política

Lula no Flow admite que STF é tribunal político e propõe mandato

Na entrevista de quinta (1º), o candidato à reeleição disse que a Corte é guardiã da Constituição, criticou a TV Justiça e defendeu mandato para ministros.

Lula fala durante a entrevista ao Flow Podcast em 1º de outubro
Foto: reprodução

Lula no Flow aceitou a ideia de que o Supremo Tribunal Federal é um tribunal político, mas pôs uma ressalva: para o candidato à reeleição, a Corte continua sendo a guardiã da Constituição. A frase foi dita na quinta-feira (1º), na entrevista ao Flow Podcast, e passou a circular em cortes nas redes sociais.

Trecho da entrevista de Lula ao Flow Podcast. Vídeo: reprodução.

A expressão não nasceu na boca do presidente. Quem a usou primeiro foi o apresentador Igor Coelho, ao questionar Lula sobre a influência do Planalto no tribunal. Para o entrevistador, o STF é político porque os ministros são indicados pelo presidente da República e a sabatina no Senado, na avaliação dele, é “uma mentira”. Lula respondeu que o presidente não pode nada na Corte e, ao explicar o seu ponto, concordou com o rótulo. A Suprema Corte é a mais poderosa, disse, e “embora seja um tribunal político”, é a guardiã da sociedade e da Constituição.

Lula no Flow: o que ele disse sobre o Supremo

A pergunta que levou à resposta foi dura. De acordo com o Poder360, Igor Coelho quis saber se o presidente poderia ligar para o ministro Flávio Dino e pressionar por um julgamento do caso Master antes das eleições, lembrando que Dino foi governador, ministro da Justiça e indicado por Lula ao Supremo.

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Lula negou que faça esse tipo de pedido. “Nunca pedi um favor”, afirmou. Lembrou que Dias Toffoli, indicado por ele, foi quem negou a sua saída da prisão para ver o irmão morto, e disse que não indica ninguém “em cargo nenhum para me fazer favor”. Para o presidente, o seu papel é não cometer erro e, se errar, ser investigado. Sobre Dino, disse que é um “extraordinário ministro” e que pedidos de vista e divergências entre ministros são assunto do próprio tribunal.

Ele ainda afirmou que o presidente que quer governar com tranquilidade precisa respeitar a autonomia de cada Poder. O Congresso tem a sua função, e o Supremo tem a dele.

Crítica à TV Justiça e risco para a credibilidade

O trecho que mais se afasta do tom de defesa do tribunal veio em seguida. Segundo Lula, o que acontece hoje leva a Suprema Corte a perder credibilidade perante a sociedade, depois que a TV Justiça passou a mostrar sessões em que cada ministro quer fazer discurso de duas ou três horas, com votos que poderiam durar cinco minutos. A Carta Capital também registrou essa parte da fala.

O presidente contou que conversou três vezes com o presidente do STF, Edson Fachin, e pediu que ele não deixasse a Corte se degradar em brigas internas. Disse ainda que não quer ministros do seu lado nem do outro, só que sejam justos. Quem tiver comportamento incorreto, afirmou, vai pagar o preço.

Mandato e conselho para escolher ministros

Na parte final do assunto, Lula falou em reforma do Judiciário. Disse que a primeira foi a de 2004, quando seu governo criou o Conselho Nacional de Justiça e o Conselho Nacional do Ministério Público, mas avaliou que os conselhos acabaram dominados pelas próprias corporações. Por isso, afirmou que quer discutir uma nova reforma.

A proposta tem dois pontos. O primeiro é um mandato para os ministros do STF, que hoje não têm prazo fixo e se aposentam compulsoriamente aos 75 anos. O segundo é um conselho de representantes da sociedade civil para indicar os ministros, no lugar do presidente da República. Na avaliação de Lula no Flow, isso levaria a um Supremo “menos político”.

O contexto da entrevista

A conversa de Lula no Flow foi gravada na casa do presidente e durou quase duas horas. Foi três dias antes do primeiro turno, marcado para domingo (4), na noite em que a TV Globo faria o último debate entre os candidatos. Como a Folha mostrou, a campanha informou que Lula não iria ao debate, e a emissora acabou cancelando o encontro, como relatou a Folha. A crise interna entre ministros do tribunal, tema da pergunta, também já foi tratada aqui no site.

Outros trechos da entrevista foram checados pela Agência Lupa, que classificou como falsas três afirmações do presidente. Entre elas, a de que o Brasil só cresceu acima de 3% depois da volta dele ao governo e a de que 90% dos brasileiros defendem a pena de morte, quando a pesquisa Ipsos-Ipec de 2025 aponta 43%. Nenhuma das três trata do STF.

Até a publicação desta matéria, a Folha não encontrou manifestação do Supremo sobre a fala de Lula no Flow. A entrevista completa está disponível no YouTube.


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