Café arábica sobe três dias seguidos e volta a R$ 1.538
Saca ganhou R$ 26,98 desde segunda com o dólar fraco e a recompra dos fundos em Nova York, mas a semana ainda fechou 0,54% abaixo da sexta anterior.

O café arábica sobe há três pregões seguidos e fechou a sexta-feira (25) cotado a R$ 1.538,29 a saca de 60 quilos no Indicador Cepea/Esalq, alta de 1,42% no dia. Desde o piso de segunda-feira (22), quando a saca bateu R$ 1.511,31, o ganho acumulado é de R$ 26,98. Para quem ainda guarda café da safra recorde em Patrocínio, é a primeira semana em que o preço volta a andar para cima depois de quase 15 dias de queda.
A recuperação veio aos poucos. A saca foi a R$ 1.513,01 na quarta (23) e a R$ 1.516,81 na quinta (24), com alta de 0,25%. O salto maior ficou para a sexta. O conilon foi junto e terminou a semana a R$ 952,72, com ganho de 1,18% no dia.
Café arábica sobe, mas a semana fecha no vermelho
Os três dias de alta não cobriram a perda da semana. Na sexta anterior (18), o indicador marcava R$ 1.546,58, e o fechamento desta sexta ainda ficou 0,54% abaixo disso. Na comparação com a metade do mês a diferença cresce: em 15 de setembro a saca valia R$ 1.588,43, cerca de R$ 50 a mais do que agora.
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O que puxou a alta em Nova York
O mercado físico brasileiro seguiu a Bolsa de Nova York, que serve de referência para o preço do arábica no mundo todo. Na sexta, os contratos futuros subiram mais de 1%. O vencimento de março de 2027 fechou a 270,95 centavos de dólar por libra-peso, alta de 1,21%, segundo o Notícias Agrícolas.
Pesaram duas coisas. O dólar perdeu força no exterior, o que barateia o café para quem compra em outras moedas. E os fundos especulativos, que vinham apostando na queda com posição líquida vendida, recompraram contratos para encerrar parte dessas apostas. Esse movimento de cobertura costuma levantar o preço por alguns pregões sem que nada tenha mudado na oferta ou na demanda.
Frente ao real, o dólar ficou praticamente parado. Caiu 0,06% e fechou perto de R$ 5,19. Por isso a alta em reais acompanhou de perto a de Nova York, sem perda no câmbio.
Estoques baixos na bolsa dão sustentação
Os estoques certificados de arábica nos armazéns da ICE, a bolsa de Nova York, estão nos menores níveis em 26 anos. Com pouco café disponível para entrega imediata, qualquer sinal de aperto na oferta mexe rápido com as cotações.
Esse quadro pode mudar nas próximas semanas. Operadores ouvidos pela agência Reuters disseram que grandes tradings preparam pelo menos 300 mil sacas de arábica brasileiro para certificação nos armazéns da bolsa. Se esse café entrar nos estoques, a sustentação perde parte da força.
Safra recorde segura altas maiores
O volume de café brasileiro continua pesando contra. Na quinta-feira (24), a Conab estimou a produção nacional de 2026 em 67,6 milhões de sacas, puxada pela bienalidade positiva. No Cerrado Mineiro, a colheita cresceu 86%, como a Folha detalhou na reportagem sobre a safra de café recorde. Com mais café do Brasil chegando lá fora, o comprador tem menos pressa de fechar negócio.
Na leitura do Notícias Agrícolas, o mercado segue dividido entre o ajuste dos fundos no curto prazo e a expectativa de oferta maior. Por isso, mesmo quando o café arábica sobe três dias seguidos, como agora, os analistas não falam em mudança de tendência.

O efeito para o produtor de Patrocínio
Patrocínio é o maior produtor de café do Brasil. Segundo o IBGE, o município colheu 64.225 toneladas em 2024. A cidade também é sede da Expocacer, a Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado, fundada em 1993. Um real a mais por saca, multiplicado pelas sacas guardadas nas fazendas e nos armazéns da cidade, vira dinheiro relevante na economia local.
Na quarta-feira (23), a Expocacer cotava a saca do tipo 6 bebida dura a R$ 1.610, segundo a tabela publicada pelo Notícias Agrícolas. Quando o café arábica sobe no Cepea, o valor pago na cooperativa costuma ir junto, ainda que mude conforme o tipo e a bebida.
Vender agora ou esperar? A resposta depende do câmbio, do humor dos fundos em Nova York e, principalmente, do tempo nas próximas semanas. Quando o café arábica sobe com base em recompra de fundos, a alta pode durar pouco.
Calor preocupa na florada
Boletim do Cepea desta semana aponta que as chuvas de setembro favoreceram as floradas da safra 2027/28 na maior parte das regiões acompanhadas. Mesmo assim, os produtores temem que o El Niño traga calor forte e dias secos bem na fase de pegamento das flores. Se a florada vingar, o mercado deve projetar outra safra grande. Se o calor derrubar parte das flores, o preço pode ganhar fôlego.
O indicador diário do arábica está no portal do Cepea. As cotações da bolsa e das cooperativas aparecem na página de café do Notícias Agrícolas.
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