A desaprovação de Lula chegou a 53,8% em setembro, segundo pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada na quinta-feira (10). A aprovação ao governo recuou para 43,7%, e outros 2,5% dos entrevistados não souberam responder. É o terceiro mês seguido em que o índice de rejeição ao presidente sobe, a menos de um mês do primeiro turno das eleições de outubro.
O levantamento também perguntou diretamente sobre a avaliação da gestão: 50,8% consideram o governo ruim ou péssimo, 38,3% avaliam como bom ou ótimo, e 10,8% classificam como regular. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-01452/2026.
O que mostra a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg
O instituto AtlasIntel ouviu 5 mil eleitores em todo o país entre os dias 4 e 9 de setembro, a pedido da agência de notícias Bloomberg. A margem de erro é de 1 ponto percentual, com nível de confiança de 95%. É uma amostra maior e uma margem mais estreita do que a maioria das pesquisas eleitorais divulgadas no país, que costumam ouvir entre 2 mil e 3 mil pessoas.
Segundo o Metrópoles, que teve acesso aos números completos do levantamento, a desaprovação de Lula já havia sido medida pela AtlasIntel em 51% em julho e 53% em agosto. A confirmação de 53,8% em setembro consolida uma trajetória de alta contínua desde o meio do ano, num momento em que o governo tenta reverter a percepção negativa sobre o custo de vida às vésperas da disputa presidencial.
Terceiro mês seguido de alta na desaprovação de Lula
A progressão mês a mês chama atenção porque não houve nenhum recuo no período: cada nova rodada da AtlasIntel mediu uma desaprovação de Lula maior que a anterior. Na comparação direta com agosto, quando a aprovação estava em 45%, a queda de 1,3 ponto percentual em setembro reforça a leitura de um desgaste persistente, e não de uma oscilação pontual dentro da margem de erro.
Pesquisas de outros institutos, embora usem metodologias e datas de campo diferentes, também têm capturado esse cenário mais apertado. Em agosto, a pesquisa Gerp mostrou empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro num cenário de segundo turno, e outro levantamento do mesmo mês já apontava a avaliação do governo Lula em piora, com 44% classificando a gestão como ruim ou péssima, dez pontos abaixo do número que a AtlasIntel encontrou agora em setembro.

Contexto eleitoral
O levantamento foi feito a menos de um mês do primeiro turno das eleições presidenciais de outubro, num período em que institutos de pesquisa também têm coletado intenção de voto para os principais cargos em disputa. A deterioração na avaliação de governo tende a pesar diretamente sobre a candidatura de Lula à reeleição, na medida em que avaliação de gestão e intenção de voto costumam andar juntas nas últimas semanas de campanha.
O Palácio do Planalto ainda não comentou publicamente os números da AtlasIntel. Historicamente, o governo tem contestado pesquisas que mostram cenário desfavorável, questionando metodologia ou tamanho de amostra. Não é o caso aqui: os 5 mil entrevistados superam a média do setor.
Parte da queda na avaliação de Lula é atribuída pelos próprios institutos de pesquisa ao custo de vida, sobretudo ao preço dos alimentos. Levantamentos recentes do IBGE mostram pressão persistente sobre itens básicos da cesta, com a carne bovina entre os produtos que mais pesam no orçamento das famílias. O próprio presidente tratou do tema em público nos últimos dias, ao afirmar que, quando falta carne, o brasileiro recorre ao ovo. A fala circulou nas redes e reacendeu a discussão sobre o impacto da inflação de alimentos na desaprovação de Lula medida pelos institutos de pesquisa.
Ficha técnica
Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, 5.000 entrevistados em todo o Brasil, coleta entre 4 e 9 de setembro de 2026, margem de erro de 1 ponto percentual para mais ou para menos, nível de confiança de 95%. Registro no TSE: BR-01452/2026.
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