Um post viral sobre Dark Horse tomou conta do Instagram nesta quinta-feira (11) e já passa de 119 mil curtidas e 2,7 mil comentários. Publicado pelo comentarista político Caio Coppolla, do perfil @boletimcoppolla, o carrossel defende o senador Flávio Bolsonaro na investigação sobre o financiamento do filme biográfico de Jair Bolsonaro e critica a cobertura do caso.
O post chega no mesmo dia em que a inclusão de Flávio Bolsonaro entre os investigados se tornou pública, depois que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, autorizou a retirada de sigilo de parte dos documentos ligados ao caso.
O que diz o post viral sobre Dark Horse

No primeiro slide do carrossel, sobre uma foto de Flávio Bolsonaro a cavalo em frente ao Congresso Nacional, Coppolla escreve que “o ‘Dark Horse’ não derrubará Flávio” e que o senador “está montado neste cavalo há quatro meses”. A partir daí, o texto passa a questionar a forma como o caso vem sendo divulgado, chamando a cobertura de “desinformação” e “conteúdo inútil”.
Nos slides seguintes, Coppolla amplia o argumento para um ataque mais geral ao PT, afirmando, sem apresentar provas, que o partido coordenaria “gargantas de aluguel” na imprensa, vazamentos e ações contra ministros e delegados para desviar a atenção de outros escândalos. O carrossel também usa falas do presidente Lula sobre preços e consumo, tiradas de contextos diferentes, para questionar a política econômica do governo. São opiniões e interpretações do próprio Coppolla, sem checagem independente por trás. A Folha de Patrocínio não confirma nem endossa essas afirmações.
O post termina com uma chamada para a newsletter paga que Coppolla mantém sobre política e eleições, vendida como forma de “separar o sinal do ruído” em meio à disputa presidencial. É esse tom de defesa direta do senador, misturado a ataques mais amplos ao governo, que ajuda a explicar por que o post viral sobre Dark Horse cresceu tão rápido entre o público bolsonarista.
Entenda o caso Dark Horse
A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outras irregularidades no financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro estrelada pelo ator americano Jim Caviezel. O inquérito foi aberto a pedido da Polícia Federal, com autorização do ministro André Mendonça, do STF, e aval da Procuradoria-Geral da República.
Segundo apurou a Folha de Patrocínio, a inclusão de Flávio Bolsonaro entre os investigados veio à tona depois que documentos ligados ao caso do Banco Master tiveram parte do sigilo levantada. Esses documentos indicariam negociações entre o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro sobre repasses de cerca de R$ 60 milhões por meio de estruturas no exterior para bancar a produção do filme.
Flávio Bolsonaro nega publicamente qualquer irregularidade. “Não há um centavo de dinheiro público. Pode revirar do avesso”, disse o senador, sustentando que o filme foi bancado inteiramente com capital privado. Até a publicação desta matéria, não há acusação formal nem decisão judicial sobre o mérito do caso. A apuração segue em andamento.
A Folha já vinha acompanhando os desdobramentos do caso. No início da semana, André Mendonça se reuniu com a defesa de um colaborador da PGR para tratar da apuração dos repasses ao filme (veja a matéria completa). Mais detalhes sobre a investigação, incluindo a resposta oficial de Flávio Bolsonaro, estão disponíveis na reportagem da Perfil Brasil.
Repercussão nas redes
Nos comentários do post, a reação é majoritariamente favorável a Flávio Bolsonaro, com seguidores repetindo o número da candidatura dele à Presidência e defendendo o senador. A publicação circula em um momento de disputa apertada nas pesquisas eleitorais entre Flávio e o presidente Lula, o que ajuda a explicar o alcance do post: contas políticas de perfil declaradamente bolsonarista, como a de Coppolla, têm ampliado a audiência ao tratar diretamente de casos como o do Dark Horse.
O episódio ilustra um padrão que já apareceu outras vezes nesta eleição: casos sob investigação viram, quase em tempo real, munição para conteúdo político nas redes sociais, muitas vezes misturando fato apurado com opinião e interpretação pessoal de quem publica. Um post viral sobre Dark Horse como o de Coppolla mostra como essa mistura pode alcançar centenas de milhares de pessoas antes mesmo de qualquer decisão judicial sobre o caso.
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