Três dias de buscas feitas pela própria família terminaram na tarde de quarta-feira (9), quando o corpo do motorista de aplicativo Wesley Pinheiro Sá, de 30 anos, foi encontrado às margens do Rio Claro, na zona rural de Nova Ponte, no Triângulo Mineiro. Ele morava em Uberlândia e estava desaparecido desde a madrugada do dia 7, segundo o relato dos familiares às polícias Militar e Civil.

Onde o motorista de aplicativo foi localizado
O corpo estava preso entre pedras num trecho do Rio Claro perto da Cachoeira da Fumaça, dentro de uma propriedade rural, na altura do km 192 da MGC-452. É um ponto de acesso complicado, com paredão e mato fechado, onde não se chega de carro.
Quem encontrou o veículo parado nas proximidades foi a família, que então acionou o Corpo de Bombeiros. As equipes desceram até o rio e retiraram a vítima da água. O corpo foi depois entregue às autoridades para os procedimentos legais.
A perícia trabalhou no local e recolheu vestígios que podem ajudar na apuração. Em seguida, o corpo foi encaminhado ao Posto Médico-Legal de Uberaba.
Os últimos contatos com a família
Pelo que os familiares contaram às polícias, Wesley chegou em casa por volta de 1h da madrugada e saiu de novo às 3h50. Foi o último contato que tiveram com ele.
Dali em diante ninguém mais conseguiu falar com o rapaz. As ligações não foram atendidas, as mensagens ficaram sem resposta, e o aplicativo de mensagens no celular dele havia sido desativado. Esse detalhe entrou no registro feito pela família.
Foi o silêncio de horas, e não o horário da saída, que levou os parentes à delegacia. Quem dirige por aplicativo em Uberlândia sai de madrugada com frequência e pega corrida longa, então o começo do dia não chamou atenção de imediato.
O carro abandonado na beira da MGC-452
O Hyundai HB20 preto usado nas corridas apareceu às margens da MGC-452, perto da ponte do Rio Claro, na região de Nova Ponte. O ponto fica a dezenas de quilômetros do endereço da vítima em Uberlândia.
Segundo as polícias Militar e Civil, havia dentro do veículo um documento de identidade em nome de uma mulher, que já tinha registrado boletim de extravio antes. Câmeras de pedágio no trajeto entre Uberlândia e Nova Ponte registraram a passagem do carro, e a análise das imagens indicou que o motorista de aplicativo seguia sozinho.
Nada disso foi apresentado como conclusão. São elementos de apuração que ainda precisam ser cruzados com os laudos.
O que a polícia diz até agora
A Polícia Civil de Minas Gerais informou que a investigação continua e aguarda os laudos periciais, que devem apontar a causa e as circunstâncias da morte. Até a publicação desta reportagem não havia informação oficial sobre suspeitos nem sobre a natureza do que aconteceu com o motorista de aplicativo.
Enquanto o exame necroscópico não sai, a corporação não classifica a ocorrência. É o procedimento padrão em morte sem testemunha, para não fixar uma versão que o laudo possa derrubar depois.
A MGC-452 e a região de cobertura
A MGC-452 liga Uberlândia à região de Araxá, passa por Nova Ponte e corta trechos de zona rural com pouca sinalização e trânsito pesado de caminhão. A rodovia aparece com frequência no noticiário policial do Triângulo e do Alto Paranaíba.
A Folha de Patrocínio noticiou em agosto um acidente na MGC-452 que matou um homem de 56 anos em Tupaciguara e a morte de um motorista na mesma rodovia, em Perdizes, município vizinho a Patrocínio. Os dois casos são de natureza diferente do que aconteceu com o motorista de aplicativo.
Nova Ponte fica no Triângulo Mineiro, na área de influência de Uberlândia, com gente indo e voltando entre as duas cidades todo dia. O trecho do Rio Claro onde o corpo foi encontrado é conhecido pelas cachoeiras e recebe visitante no fim de semana, mas tem pontos isolados ao longo do curso do rio.
Onde buscar ajuda
Denúncia anônima sobre desaparecimento e morte sob investigação pode ser feita pelo Disque Denúncia Unificado, no 181. A ligação é gratuita e o sigilo de quem denuncia é garantido por lei. Ocorrência em andamento deve ser comunicada ao 190.

