A deputada federal Greyce Elias (PL-MG), nascida em Patrocínio, é uma das 38 assinaturas de um requerimento que tenta levar o ministro da Justiça ao plenário da Câmara para explicar o relatório apócrifo atribuído à Polícia Federal. O pedido foi protocolado na noite de quarta-feira (9) e recebeu o número 4.214/2026.

O texto pede a convocação do ministro Wellington César Lima e Silva e convida o diretor-geral da PF, Andrei Augusto Passos Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. Os três teriam de falar sobre “a elaboração, autoria, tramitação, difusão e utilização” do documento, segundo a redação do próprio requerimento.

O que o requerimento do relatório apócrifo pede

O documento pede duas coisas diferentes, e a distinção importa. Para o ministro, pede convocação: quando aprovada, ela obriga a autoridade a comparecer, e a ausência sem justificativa pode ser tratada como crime de responsabilidade. Para os dois diretores da Polícia Federal, o texto usa convite, que não tem força de obrigação e depende do aceite de quem é chamado.

A audiência pedida não é numa comissão temática. O requerimento quer o plenário da Câmara reunido em Comissão Geral, um formato em que a Casa inteira se transforma em comissão para debater um assunto, com direito a fala de convidados. É um instrumento usado com pouca frequência e reservado a temas que a Mesa considera de grande repercussão.

Quem assina, e onde entra Greyce Elias

O primeiro autor é o deputado Rodrigo Valadares (PL-SE). Greyce Elias aparece na décima quarta posição da lista de assinaturas, entre 38 parlamentares, quase todos da oposição. Estão no documento nomes como Marcel van Hattem, Carlos Jordy, Caroline de Toni, Zé Trovão, General Pazuello e Sargento Fahur.

Vale registrar o que o pedido sobre o relatório apócrifo é e o que não é: um requerimento coletivo de bancada, assinado por dezenas de deputados, não uma iniciativa individual dela. Até a manhã desta quinta-feira (10), a única movimentação registrada no sistema da Câmara era a apresentação, às 17h50 de quarta. O requerimento ainda depende de despacho da Mesa e de votação para produzir efeito.

O caso que levou ao pedido

O relatório apócrifo está no centro da crise que envolve a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal há mais de uma semana. Segundo o noticiário nacional, o documento teria monitorado a movimentação do ministro do STF André Mendonça e do procurador-geral da República, Jorge Messias. “Apócrifo” quer dizer sem autoria identificada, e é assim que os autores do requerimento qualificam a peça.

Foi esse episódio que puxou a sequência de decisões judiciais dos últimos dias. Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues e de Leandro Almada; Flávio Dino reintegrou os dois horas depois; e o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as duas decisões e levou o caso ao Plenário, com sessão extraordinária marcada para 15 de setembro. Até lá, Andrei segue no comando da corporação.

Plenário do Senado, onde corre a outra frente de pedidos sobre o relatório apócrifo
O Senado abriu frente paralela sobre o mesmo caso, com pedido de reunião da CCAI. Foto de arquivo: Senado Federal (CC BY-SA 4.0), março de 2026

A frente aberta no Senado

A ofensiva não ficou só na Câmara. No mesmo dia 9, o senador Espiridião Amin (PP-SC) e o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) protocolaram pedidos para convocar o ministro da Justiça e apurar a atuação da Polícia Federal, incluindo a convocação de reunião extraordinária da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, a CCAI, que reúne senadores e deputados.

São caminhos paralelos e independentes sobre o mesmo relatório apócrifo: um requerimento pode andar e o outro não. A Comissão Geral pedida na Câmara precisa passar pela Mesa e pelo plenário; a reunião da CCAI depende da presidência da comissão mista. Enquanto isso, o julgamento no STF em 15 de setembro segue como a data que deve definir quem comanda a Polícia Federal.

O que a Folha conferiu

O requerimento e a lista completa de assinaturas foram conferidos direto na ficha de tramitação da Câmara dos Deputados, não em material de assessoria. A posição de Greyce Elias na lista, a data e a hora de apresentação e o texto da ementa vêm dessa mesma fonte. O conteúdo atribuído ao relatório, por não ser documento público, está reproduzido aqui como alegação do noticiário e dos autores do pedido, sem confirmação oficial da Polícia Federal ou do Ministério da Justiça.

A Folha acompanha a atuação da deputada em série diária baseada em atos parlamentares verificáveis, e procura o mandato para comentar o requerimento.


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