Um grupo de voluntários de Patos de Minas sai às ruas aos sábados à noite com marmitas, café e disposição para conversar. É assim que funciona o Projeto Resgatando Vidas, iniciativa de cunho religioso que começou em 2014 e que hoje atua com moradores de rua da cidade, dentro da APAC local e no apoio a um abrigo de crianças em Moçambique, na África.

Quem conta a história é Flávio Lana, que toca o projeto ao lado da esposa, Bruna Lana. Segundo ele, a ideia partiu de um desejo da pastora da igreja que frequentam: levar comida e uma palavra de conforto a quem dorme na rua.

Como nasceu o Projeto Resgatando Vidas

No início a proposta era só a entrega de alimento. O alcance foi crescendo conforme mais gente se somava ao grupo, relata Flávio Lana.

Os voluntários circulam com camisetas do IMRVC, sigla da igreja missionária ligada ao trabalho. Nas fotos e vídeos que o próprio grupo divulga, aparecem entregando marmitas e orando com pessoas em situação de rua em pontos da cidade. O perfil da iniciativa no Instagram indica ponto de encontro na Praça JD Curitiba, aos sábados, às 20h.

O trabalho dentro da APAC

Outra frente do grupo é a APAC de Patos de Minas, onde os voluntários passaram a fazer visitas a quem cumpre pena pelo método.

A APAC, sigla de Associação de Proteção e Assistência aos Condenados, é um modelo de execução penal sem policiais nem agentes penitenciários, em que os próprios recuperandos assumem responsabilidades pela rotina da unidade. O método foi criado em São José dos Campos, no interior paulista, e se espalhou principalmente por Minas Gerais, que concentra a maior parte das unidades brasileiras e mantém programas próprios de apoio às APACs. A presença de voluntários da comunidade e de grupos religiosos faz parte do desenho do método, e não é uma exceção aberta a este projeto.

Voluntários do Projeto Resgatando Vidas reunidos de camiseta do IMRVC durante ação de rua em Patos de Minas
Voluntários reunidos em uma das ações de rua do grupo. Foto: divulgação/Projeto Resgatando Vidas

A ponte com Moçambique

O grupo afirma apoiar dois missionários que mantêm um abrigo para crianças em Moçambique, país do sudeste africano.

Pelo relato de Flávio Lana, a contribuição vai principalmente para a alimentação dessas crianças. Ele conta que os missionários acolhem os meninos e meninas no abrigo e cuidam das necessidades básicas, com comida e acompanhamento religioso.

O destino não é aleatório. Moçambique tem o português como língua oficial, herança do período colonial, e por isso concentra boa parte das missões brasileiras na África, tanto católicas quanto evangélicas. O país também aparece entre os de menor renda por habitante do mundo nos levantamentos de organismos internacionais, o que ajuda a explicar por que projetos pequenos como este escolhem enviar recurso para lá.

Como apoiar o Projeto Resgatando Vidas

Hoje boa parte do trabalho de Flávio Lana é procurar quem queira contribuir. Ele diz que apresenta o projeto pessoa a pessoa, explica como o dinheiro é aplicado e presta contas a cada doador.

Quem quiser conhecer o trabalho pode falar com o grupo pelo WhatsApp (34) 99690-1801 ou acompanhar o perfil @projetoresgatandovidas no Instagram. Além de dinheiro, o grupo diz aceitar ajuda em divulgação e na participação nas ações de sábado.

O que a Folha conferiu

A Folha de Patrocínio não localizou registro público anterior sobre o Projeto Resgatando Vidas em veículos de imprensa nem em cadastros de organizações sociais. As informações desta reportagem foram prestadas pelos próprios organizadores, que procuraram a redação, e as imagens são as que o grupo divulga.

O que dá para confirmar fora do relato é o contexto: a APAC de Patos de Minas existe e opera pelo método apaqueano, e o trabalho de igrejas com moradores de rua é prática antiga na cidade. Para quem pretende doar, o cuidado básico vale sempre: peça comprovação de como o recurso é aplicado e acompanhe as ações de perto antes de contribuir.

Outras iniciativas sociais e comunitárias da região aparecem na editoria de Patos de Minas do site. Quem tiver informação sobre o trabalho do grupo, para somar ou para contestar, pode falar com a redação pelos canais da Folha.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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