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Política

Campanha isolada de Marcelo Aro ao Senado marca fim das convenções em Minas

Depois de deixar o governo de Mateus Simões apostando no Palácio Tiradentes, Marcelo Aro (PP) vê o projeto ruir e parte para o Senado sem aliança ampla.

campanha isolada de Marcelo Aro em discurso, imagem editorial
campanha isolada de Marcelo Aro em discurso, imagem editorial

Poucos dias separam a expectativa e a realidade na trajetória política de Marcelo Aro (PP) no fim do período de convenções partidárias em Minas Gerais. O que era tratado, há menos de duas semanas, como um projeto forte para disputar o Governo do Estado terminou em uma campanha isolada de Marcelo Aro ao Senado, sem o palanque amplo que ele vinha tentando montar.

Marcelo Aro em campanha isolada de Marcelo Aro ao Senado, discursando à tribuna
Marcelo Aro (PP) durante discurso parlamentar. Foto: Agência Câmara dos Deputados

Como começou a movimentação de Marcelo Aro

Até pouco tempo atrás, Aro ocupava um posto de destaque no primeiro escalão do governo de Mateus Simões (PSD). A saída do cargo não foi um rompimento qualquer: aconteceu com a expectativa de abrir caminho para uma candidatura própria ao Palácio Tiradentes. Nos bastidores, o político tentou reunir PP, União Brasil, Republicanos e PL em torno do próprio nome para o Executivo estadual.

A aposta foi além disso. Segundo apuração da imprensa mineira, Aro chegou a buscar, até os minutos finais antes do fechamento das convenções, uma composição com o senador Cleitinho e com o grupo político do ex-prefeito Luís Eduardo Falcão. Era a última cartada para viabilizar um palanque mais robusto ao governo.

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O fim das articulações e a campanha isolada de Marcelo Aro

As tentativas não vingaram. O PL confirmou candidatura própria ao Governo de Minas, tirando da mesa qualquer chance de aliança nesse campo. Ao mesmo tempo, a Federação União Progressista, que reúne União Brasil e PP (o próprio partido de Aro), optou por reforçar o apoio a Mateus Simões, e não a um nome alternativo dentro do bloco.

Com as duas portas fechadas, o projeto de Aro para o Executivo estadual perdeu sustentação política em poucos dias. Restou o caminho do Senado, mas sem uma chapa majoritária própria para puxar sua candidatura, um cenário bem diferente daquele que ele buscava construir semanas antes.

Corrida ao Senado com concorrência dentro do próprio campo

A campanha isolada de Marcelo Aro ao Senado esbarra em outro obstáculo: a disputa por eleitorado dentro do próprio espectro de centro-direita. Ele vai concorrer a uma das duas vagas mineiras no Senado ao lado de nomes como Domingos Sávio (PL), Marco Antônio Costa (Novo) e o senador Carlos Viana (PSD), que tenta a reeleição.

É um grupo de perfil parecido, mirando basicamente o mesmo eleitorado, o que tende a pulverizar votos entre candidatos que podem se beneficiar de um discurso semelhante. Sem uma candidatura própria ao governo para puxar sua campanha, Aro vai precisar construir sozinho uma identidade capaz de se distinguir dos concorrentes mais próximos ideologicamente.

O que muda no tabuleiro eleitoral de Minas Gerais

A movimentação de Aro é mais um capítulo de uma corrida eleitoral que, a poucos meses da votação, ainda está longe de ter seus arranjos definidos. Nos últimos dias, o mesmo período de convenções reorganizou outras candidaturas em Minas, de Cleitinho ao PL confirmando nome próprio ao governo, como a Folha de Patrocínio já mostrou em cobertura anterior. Isso reforça que o tabuleiro político estadual segue em movimento mesmo depois do prazo formal de fechamento das chapas, monitorado pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Para o eleitor, o efeito prático é uma disputa ao Senado mais fragmentada no campo de centro-direita, com quatro nomes de perfil semelhante brigando por um espaço que, até pouco tempo, parecia mais concentrado. Resta saber se a campanha isolada de Marcelo Aro vai construir uma narrativa própria a tempo de disputar posição nesse grupo, ou se o desgaste das últimas semanas vai pesar contra ele nas urnas.

A votação em outubro de 2026 ainda deixa tempo de sobra para o cenário mudar de figura, como já aconteceu mais de uma vez neste mesmo processo de convenções em Minas. Até lá, os quatro candidatos ao Senado do campo de centro-direita vão disputar espaço na mídia, verba de campanha e o apoio de lideranças municipais espalhadas pelo estado, um trabalho que costuma pesar tanto quanto qualquer aliança fechada em Brasília.


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