Bacci critica Lula: “Esquece isso” sobre regular as redes, e pergunta quem seria imparcial para decidir o que vai à internet
No programa de quinta (29), o apresentador disse que a proposta aumenta a rejeição ao presidente, elogiou o fim do auxílio-reclusão para presos de facção e cobrou os juros.

“Esquece isso, Lula.” O apresentador Luiz Bacci usou o próprio programa, o Show do Bacci, da BNTV, para mandar um recado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a promessa de regular as redes sociais no quarto mandato. Na edição de quinta-feira (29), Bacci critica Lula e diz que a proposta aumenta a rejeição ao governo. “Cada vez que o senhor falar isso, a rejeição aumenta”, afirmou, olhando para a câmera.
No mesmo trecho, que tem pouco mais de dois minutos, ele também elogiou uma medida do governo e cobrou o Banco Central pelos juros. O centro do recado, porém, foi uma pergunta: quem teria isenção para decidir o que pode ser publicado na internet?
Bacci critica Lula: o que o apresentador disse
Bacci afirmou que o país vive “uma crise institucional, uma crise de falta de credibilidade entre os poderes” e perguntou: “Como é que você vai convencer a população que existe alguém imparcial para decidir o que pode ou não pode ser veiculado na internet? Já existe lei para isso”. Em seguida, repetiu: “Para com essa história. Para com essa mania”.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.O apresentador disse que o assunto “causa pavor” e que até um convidado de esquerda que passou pelo programa tem medo da ideia. Também afirmou que o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, não soube explorar o tema na campanha. E usou um argumento voltado ao próprio presidente: “O senhor foi salvo pelo exército do Janones. Se existe outro espectro no poder, a regulamentação das redes sociais ia fazer com que nunca existisse o seu exército”. A referência é à rede de apoiadores digitais do deputado André Janones (Avante-MG), que fez campanha para Lula.

O elogio e a cobrança dos juros
Antes da crítica, Bacci elogiou o presidente pelo fim do auxílio-reclusão para famílias de presos ligados a facções criminosas. “Acertou nisso. Mas tinha que ser para todos os crimes hediondos”, disse. A regra, porém, não é nova: ela está na Lei 15.358, a lei antifacção, sancionada por Lula em 24 de março. O benefício continua valendo para famílias de presos por outros crimes, como mostrou a reportagem sobre o auxílio-reclusão na lei antifacção.
No fim, o apresentador mirou o Banco Central e o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, indicado por Lula. Em tom de ironia, disse estar “achando que o Galípolo é bolsonarista” e reclamou que os juros altos impedem a compra da casa própria: “A gente quer financiar uma casa, não consegue nunca”.
O que Lula prometeu sobre as redes
A crítica responde ao primeiro discurso de Lula depois da reeleição, na noite de 25 de outubro, em São Paulo. O presidente disse que precisou vencer “a intromissão vinda de fora para dentro através de plataformas digitais” e avisou: “nós vamos ter que regulá-las”. Ele acusou as grandes empresas de tecnologia de ganhar bilhões sem pagar imposto no Brasil e de tentar direcionar o resultado da eleição, como contou a reportagem sobre a promessa de Lula de regular as redes.
Alpha for MenAté agora, o governo não detalhou como seria a regulação, quais plataformas entrariam na regra nem se vai enviar um projeto novo ao Congresso. Bacci não disse qual lei tinha em mente ao afirmar que “já existe lei para isso”. A principal regra em vigor é o Marco Civil da Internet, de 2014. Em 2025, o Supremo Tribunal Federal reviu o artigo 19 dessa lei e ampliou a responsabilidade das plataformas por publicações de usuários.
O tema também apareceu em outras falas depois da eleição. O comentarista Marcelo Suano comparou o Brasil ao México dos anos de partido único, como mostrou a reportagem sobre o México do PRI, que reuniu o que Lula disse sobre o assunto.
Quem é Luiz Bacci
Luiz Bacci, de 42 anos, ficou conhecido como apresentador de programas policiais na TV aberta e hoje comanda o Show do Bacci na BNTV, transmitido ao vivo também pelo YouTube. Nos últimos meses, ele passou a comentar política com frequência, inclusive a comunicação de Lula e de Flávio Bolsonaro na campanha: disse que os dois “são analógicos”. Lula toma posse para o quarto mandato em 5 de janeiro de 2027.
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