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Reeleição de Hugo Motta tem 15 partidos, mas Rony Gabriel avisa que não votará nele

A federação PT-PCdoB-PV fechou com o presidente da Câmara, mas o deputado eleito do Podemos diz que apoio de sigla não é voto garantido. A eleição é em 1º de fevereiro.

Montagem com Rony Gabriel e Hugo Motta, na disputa pela reeleição de Hugo Motta na Câmara
Montagem com Rony Gabriel e Hugo Motta, na disputa pela reeleição de Hugo Motta na Câmara

A reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara já tem o apoio declarado de 15 partidos, mas um deputado eleito da própria base diz que não vai votar nele. Rony Gabriel, do Podemos do Rio Grande do Sul, afirmou em vídeo publicado nesta terça-feira (27) que o primeiro voto dele para presidente da Casa não será para Motta e que a conta dos aliados de Motta não fecha como parece.

A imagem de destaque é uma montagem: à esquerda, um quadro do vídeo de Rony Gabriel, e à direita, um recorte de foto oficial de Hugo Motta. Os dois não aparecem juntos em nenhuma das imagens originais. Os créditos estão na legenda.

O que Rony Gabriel disse sobre o voto

No vídeo, que dura pouco mais de quatro minutos, o deputado eleito responde a uma nota de aliados de Motta segundo a qual o presidente da Câmara teria o respaldo de mais de 330 deputados e deixaria o PL isolado na disputa. Rony diz que os números não representam votos garantidos. Segundo ele, parlamentares do centro e da centro-direita, inclusive do partido dele, já lhe disseram que não têm esse compromisso.

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O primeiro argumento dele é de calendário: de acordo com Rony, não adianta fechar acordo agora, porque os deputados eleitos em outubro ainda não tomaram posse. O segundo é político: ele afirma que a onda de direita do primeiro turno elegeu deputados de vários partidos, e não só do PL, que já apoiavam Flávio Bolsonaro e não foram eleitos para entrar em “acordão”. Sobre o próprio voto, foi direto: “isso eu garanto”, disse, ao afirmar que não votará em Motta.

Rony também disse já ter visto parlamentares trocando voto por apartamento funcional e por um gabinete melhor em Brasília. Ele não deu nomes nem apresentou provas, e a Folha não conseguiu confirmar a acusação. O ponto vale como parte do discurso dele, e não como fato.

Quem apoia a reeleição de Hugo Motta até agora

Na terça, a federação formada por PT, PCdoB e PV anunciou apoio à recondução de Motta. O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), disse que a decisão é “uma composição estratégica para dar governabilidade” ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com a adesão, o bloco passou a reunir 15 partidos, contando cada sigla das federações: PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSD, MDB, Podemos, Republicanos, União Brasil, PP, PSDB, Cidadania, Solidariedade e PRD.

A soma de deputados desse bloco varia conforme a fonte e conforme a conta, e a Folha não encontrou um total oficial. O número de mais de 330 citado por Rony é o que circula entre aliados de Motta, e ele mesmo contesta que isso se traduza em votos. O PL, que elegeu 121 deputados, a maior bancada da próxima legislatura, ainda não definiu como vai atuar. O PSOL e a Rede também não fecharam posição e devem decidir na semana que vem.

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Lula, Davi Alcolumbre e Hugo Motta no Alvorada, na disputa pela reeleição de Hugo Motta
Lula, Davi Alcolumbre e Hugo Motta no Palácio da Alvorada, em 26/10/2026. Foto: Lula Oficial (CC BY-SA 4.0). O recorte de Motta da imagem de destaque vem desta foto, e o quadro de Rony Gabriel é reprodução do vídeo dele.

O que a conta precisa para fechar

A eleição da Mesa da Câmara está marcada para 1º de fevereiro de 2027, e a votação é secreta. Para ser eleito já no primeiro turno, o candidato precisa de maioria absoluta, ou seja, 257 dos 513 votos. A Constituição proíbe a recondução na eleição imediatamente seguinte dentro da mesma legislatura, mas a de 2027 acontece em uma legislatura nova, e as reportagens tratam a reeleição de Motta como possível.

Isso significa que o voto de cada eleito conta, e que o apoio anunciado por uma sigla não obriga o deputado dela, já que a votação é secreta. Também explica a briga pela composição do bloco: técnicos do Congresso projetam que, se o grupo de Motta chegar a 17 partidos, o PL cairia para a 16ª posição na escolha das comissões, em vez de escolher entre as primeiras, embora mantivesse o comando de sete delas. Integrantes do PT trabalham para que o PL não entre no bloco.

O desgaste de Motta e o pano de fundo político

Analistas ouvidos por reportagens do início do mês ligavam a viabilidade da reeleição de Motta à vitória de Lula no segundo turno, e deputados do PL e do Novo criticam o presidente da Câmara por pautas conservadoras paradas e pela proximidade com o Palácio do Planalto. Rony, que antes era vereador de Erechim pelo PL e foi eleito deputado federal com 223.643 votos, 3,66% dos válidos, já havia dito que atuaria como oposição ao governo, como a Folha mostrou em Rony Gabriel diz que vai trabalhar para reduzir os danos do governo Lula.

O nome de Motta também apareceu em outro episódio recente, o das mensagens de Daniel Vorcaro, tema da reportagem Mensagens de Vorcaro e Hugo Motta citam Mônaco e camarote. Na segunda-feira (26), Lula recebeu Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, no Palácio da Alvorada, no encontro que aparece na foto desta página. A Folha detalhou a posição de Alcolumbre em Almoço de Alcolumbre com Moraes, e a agenda do próximo ano está em Posse de Lula em 2027 será em 5 de janeiro.

O que acompanhar daqui para a frente

Três sinais decidem o tamanho da disputa: se o PL apresenta um candidato próprio ou entra no bloco de Motta, se outros deputados eleitos pela centro-direita seguem o caminho de Rony e se o PSOL e a Rede aderem ou ficam de fora. Até fevereiro, nada disso é voto, e a promessa de Rony só será medida na urna. A Folha atualiza esta reportagem quando houver novo anúncio de apoio ou uma candidatura formal.

Leia também: Indulto a Bolsonaro agora depende de Lula, e anistia do 8 de janeiro depende do Congresso. Mais notícias de política estão na página da editoria.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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