Virada na apuração: por que os votos do Nordeste chegam depois ao TSE e o placar pode mudar à noite
Em 2014 e em 2022, quem abriu a contagem do segundo turno na frente perdeu no fim. Entenda o caminho do boletim de urna até o placar do tribunal.

Quem abrir o site do Tribunal Superior Eleitoral logo depois das 17h deste domingo (25) vai ver um placar que pode mudar bastante até o fim da noite. A virada na apuração já aconteceu duas vezes em segundos turnos presidenciais, em 2014 e em 2022, e as duas tiveram a mesma causa: os votos do Sul e do Sudeste chegam primeiro ao tribunal, e os do Nordeste e do Norte entram depois.
A explicação é geográfica. A ordem em que os números aparecem depende de onde as urnas estão e de quanto tempo cada boletim leva para chegar ao sistema do TSE.
Como o voto sai da urna e chega ao placar
O caminho tem três etapas. Na primeira, a apuração, cada urna eletrônica imprime o boletim de urna assim que a seção fecha, às 17h, no horário de Brasília. O boletim traz o total de votos de cada candidato naquela seção e fica afixado na porta, para qualquer eleitor conferir.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Na segunda, a transmissão, os dados da urna são gravados numa mídia e levados ao cartório eleitoral ou a um ponto de transmissão. É nessa fase que o tempo muda de uma região para outra. Numa capital, o cartório pode estar a poucos quarteirões da seção. Em parte do Norte e do Nordeste, há seções a dezenas de quilômetros do ponto de envio, algumas acessíveis só por estrada de terra ou por barco.
A terceira etapa é a totalização, quando o TSE soma os boletins recebidos e publica os números. O placar que aparece na tela é sempre a soma do que já chegou, e não uma amostra do país inteiro.

Por que a virada na apuração favorece quem é forte no Nordeste
Como Sul e Sudeste têm cartórios mais próximos e transmissão mais rápida, os primeiros números vêm dali. E as duas regiões dão maioria a candidatos adversários do PT desde pelo menos 2014. Quem vence nelas larga na frente. Quando os boletins do Nordeste começam a entrar em volume, a curva muda.
Em 2014, Aécio Neves (PSDB) liderou o início da contagem do segundo turno. Segundo o TSE, Dilma Rousseff (PT) passou à frente às 19h32, numa hora em que os números ainda não eram públicos: a divulgação só começou depois das 20h, quando fecharam as urnas do Acre. Dilma venceu com 51,64% dos votos válidos, contra 48,36% de Aécio.
Alpha for MenEm 2022, já com o horário de votação unificado no país, a cena se repetiu. Jair Bolsonaro (PL) abriu a apuração na frente e ficou assim por mais de uma hora. Lula (PT) só assumiu a liderança pouco depois das 18h40, com cerca de dois terços das urnas apuradas. Ele terminou com 50,90%, contra 49,10% de Bolsonaro, a menor diferença da história em segundo turno, de 2,1 milhões de votos. No Nordeste, Lula teve perto de 70% dos votos válidos.
Em 2018 foi diferente. Fernando Haddad (PT) apareceu à frente só nos primeiros minutos da contagem, e Bolsonaro tomou a dianteira em seguida, sem perder mais. Ele venceu com 55,13% dos votos válidos.
O que esperar da apuração deste domingo
A tendência é que Flávio Bolsonaro (PL) apareça na frente quando os primeiros números saírem. Foi assim no primeiro turno, em 4 de outubro, quando ele passou Lula ainda no começo da contagem e liderou até o fim. O resultado final do primeiro turno foi de 47,03% para Flávio e 45,16% para Lula, segundo o TSE. As pesquisas da véspera indicam empate técnico, como mostra a página de pesquisas do segundo turno.
Por isso, a vantagem das primeiras horas diz pouco sobre o vencedor. Para ler o placar, vale olhar o percentual de urnas apuradas, que o TSE mostra ao lado dos votos. Com menos da metade das seções contadas, uma diferença de cinco ou seis pontos ainda pode se inverter, como em 2014 e em 2022.
A mudança de posição no meio da noite não indica problema na contagem: os boletins de cada seção são públicos e podem ser conferidos um a um no site do TSE. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, defendeu o sistema ao votar nesta manhã, como a Folha registrou na reportagem sobre o voto de Moraes em São Paulo.
Patrocínio no começo da fila
Patrocínio (MG) está entre as cidades que costumam entrar cedo na contagem. Minas Gerais faz parte do Sudeste, região cujos boletins costumam chegar primeiro ao TSE. No primeiro turno, Flávio teve 61,18% dos votos válidos no município, contra 30,44% de Lula, como a Folha mostrou na reportagem sobre o voto de Flávio em Patrocínio.
A contagem de Patrocínio, de Minas e do país pode ser acompanhada a partir das 17h na apuração em tempo real da Folha, e o balanço da campanha está na reportagem segundo turno hoje. Os números oficiais são publicados no site de resultados do TSE.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






