Flávio promete saneamento ao Norte e diz que a Zona Franca de Manaus está garantida
Na réplica a Lula, o candidato do PL citou Belém, Altamira e Manaus e disse que o governo atual jogou a meta do esgoto para depois de 2050. A lei fixa 2033.

Flávio promete saneamento ao Norte, diz que a Zona Franca de Manaus está garantida e critica os órgãos ambientais que, segundo ele, travam o asfalto da Transamazônica. As promessas vieram na réplica do candidato do PL a Lula (PT) no debate da TV Globo desta sexta-feira (23), o último antes do segundo turno. A fala dura 2 minutos e 22 segundos e aconteceu no bloco dedicado à região Norte. A Folha reúne os debates na página debates do segundo turno.
O que Flávio prometeu a cada região do Norte
A réplica começa com a ironia sobre quem governa o país, trecho que a Folha já detalhou em Flávio pergunta a Lula quem governa o Brasil, ele ou o Google. Depois da piada, o candidato passa a falar diretamente a quem vive em cada região.
Ao eleitor do Norte em geral, ele disse que vai trabalhar para que o marco legal do saneamento volte a ter a meta de entregar esgoto tratado e água potável a mais de 90% da população até 2033. Segundo Flávio, o governo atual empurrou essa meta para depois de 2050. Ele citou o doutor Daniel Santos, eleito governador do Pará, e prometeu levar saneamento básico a Belém. Flávio descreveu moradores do centro da capital convivendo com esgoto a céu aberto e com urubus na porta de casa.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Em Altamira, às margens da Transamazônica, o candidato disse que a estrada de terra fica intransitável na chuva, que os caminhões atolam e que o trecho deixa a região desconectada do país. Para ele, a falta de asfalto vem de órgãos ambientais do governo atual, que “inviabilizam” a obra. A promessa foi que o morador do Pará terá “o direito de trabalhar”.
Para Manaus, Flávio afirmou que a Zona Franca é “sagrada” e está garantida, que pretende ampliá-la e que quer atrair data centers para o polo. Disse ainda que o gás do Amazonas pode virar matéria-prima de fertilizantes, para o agro depender menos do produto importado. No fim, prometeu garantir a autonomia dos povos indígenas para que decidam o que fazer em suas terras.

O que diz a lei do saneamento
A meta que Flávio citou existe em lei. A Lei 14.026, de 2020, exige que os contratos de saneamento garantam água potável a 99% da população e coleta e tratamento de esgoto a 90% até 31 de dezembro de 2033, como mostra o texto da lei no Planalto. Em 2023, o governo Lula assinou decretos que mudaram regras do marco, entre elas o fim do limite de 25% para parcerias público-privadas dos estados. Especialistas ouvidos na imprensa à época disseram que as mudanças dificultavam a meta, e o Ministério das Cidades respondeu que os decretos eram necessários para cumpri-la.
A afirmação de que o prazo foi para depois de 2050 é outra coisa. Nas buscas feitas pela Folha, não apareceu nenhum ato do governo que mude a meta legal de 2033. O vídeo também não mostra de onde o candidato tirou a data, e a campanha não explicou o número. Pode se tratar de uma projeção sobre quando o país chegaria à universalização no ritmo atual, e não de um prazo formal, mas isso é uma hipótese, e não uma informação confirmada.
Alpha for MenO que o vídeo não mostra
O recorte traz só a fala de Flávio. Não mostra a pergunta que abriu o tema nem a resposta de Lula, que, segundo a cobertura do debate, havia citado os investimentos do governo no Norte e a falta de oxigênio no Amazonas durante a pandemia. Por isso, a Folha não avalia aqui quem tem razão sobre o Norte. Os números de checagem divulgados após o debate, com ressalvas sobre amostra e critério, estão em Checagem do debate da Globo. A íntegra do programa fica no Globoplay e no g1.
As promessas também vieram sem custo, prazo ou fonte de recursos. A Folha não verificou em que estágio está o licenciamento do trecho da Transamazônica citado nem a viabilidade de produzir fertilizante com o gás amazonense.
Por que o fertilizante interessa a Patrocínio
A ideia do fertilizante tem eco longe da Amazônia. O Brasil importa a maior parte dos fertilizantes que usa, e o adubo pesa no custo de quem planta. Patrocínio (MG) é a maior produtora de café do país, segundo o IBGE, e o produtor local acompanha de perto qualquer proposta que mexa nesse custo. Como a promessa não traz projeto, prazo nem valores, o tema segue em aberto para o cafeicultor da região.
O que vem agora
O segundo turno acontece no domingo (25). Quem vota em Patrocínio encontra a apuração, urna a urna, na página de apuração em tempo real, e o resultado oficial fica no portal de resultados do TSE. A Folha segue publicando as propostas dos dois candidatos, com o mesmo critério para ambos.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






