Vídeo de Roberta Luchsinger: lobista diz ter provas nos inquéritos e teme pelas filhas
Um dia depois da entrevista, a empresária investigada pela PF diz que só não mostrou provas porque os três inquéritos correm sob sigilo. Lula nega os fatos.

Um dia depois da entrevista em que disse querer fazer delação contra Lula e o filho dele, a empresária Roberta Luchsinger voltou às redes neste domingo (18) para dizer que tem provas do que falou e que elas estão nos três inquéritos que correm sob sigilo. No vídeo de Roberta Luchsinger, publicado nos stories do Instagram dela, a lobista investigada pela Polícia Federal diz temer pela própria vida e pela das filhas e avisa: “Se alguém vier me bater, vai levar, porque eu comecei e eu não vou parar”.
O vídeo de Roberta Luchsinger tem cerca de três minutos. Roberta aparece de moletom, em casa, falando direto para a câmera. Nada do que ela afirma foi comprovado até agora. Lula nega conhecer os fatos, e a defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, nega irregularidades.
O que diz o vídeo de Roberta Luchsinger
Ela abre dizendo que recebeu mensagens de pessoas que tentam desacreditá-la desde a entrevista exibida no sábado (17). Segundo Roberta, essas pessoas tentam “fazer valer a palavra que o presidente usou contra mim três vezes”, numa referência ao “pilantra” com que Lula a chamou em entrevistas, como a Folha mostrou quando o presidente chamou a lobista de pilantra.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.A empresária explica por que não mostrou nada na entrevista. “Existe um inquérito, três inquéritos que correm sob segredo de justiça. Tudo o que eu falei está dentro do inquérito”, diz. E completa: “Eu não sou louca de falar algo tão sério que eu não tenho a prova”.
Ela afirma que o que contou “não foi nenhum por cento” do que sabe e do que já está nos autos, e que as pessoas citadas por ela “sabem muito bem” que não está mentindo. A Folha não teve acesso aos inquéritos, que estão sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Munida de provas, não de segurança”
No vídeo de Roberta Luchsinger, ela volta várias vezes às ameaças que diz receber. “Eu realmente temo muito pela minha vida e pela vida das minhas filhas”, diz ela. Mais adiante, resume: “Tudo o que eu falei, eu falei porque eu estou munida de provas, não estou munida de segurança. Minhas filhas e eu não temos nenhuma segurança”.
No fim, ela diz que não quer tumultuar, mas que não vai “continuar apanhando calada” como, segundo ela, vem acontecendo há meses, e pede que “não tentem nada” contra ela nem contra as filhas. Depois da entrevista, os deputados federais Marcel van Hattem, Zucco, Sanderson e Sóstenes Cavalcante, de oposição ao governo, pediram à Procuradoria-Geral da República (PGR) proteção para a empresária.
Alpha for MenO que dizem Lula, a defesa de Lulinha e o governo
Em nota divulgada no sábado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Lula disse que “desconhece inteiramente” os fatos citados por Roberta e que nunca teve interlocução com ela. A nota diz que “causa estranheza” o momento escolhido para as declarações, às vésperas do segundo turno. A Folha já mostrou as versões opostas na matéria que pergunta se Lula conhece Roberta Luchsinger.
A defesa de Lulinha nega irregularidades e afirma que as falas da empresária são incompatíveis com o depoimento que ela já deu às autoridades. A assessoria do ministro Camilo Santana, citado por ela, negou reuniões de negócio com Lulinha e qualquer vínculo com a lobista. O PT e o comando da campanha de Lula não se manifestaram sobre o vídeo de Roberta Luchsinger até a publicação desta matéria.
A situação de Roberta na investigação
Roberta Luchsinger, de 41 anos, foi alvo da Operação Sem Desconto, da PF e da Controladoria-Geral da União (CGU), em dezembro de 2025. Desde então teve bens bloqueados e usa tornozeleira eletrônica, medidas autorizadas pelo ministro André Mendonça, do STF, que em janeiro também autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dela. Em julho, os advogados Bruno Salles e Marco Antonio Chies Martins pediram o arquivamento do inquérito, com o argumento de que ela recebia remuneração regular.
A delação que ela promete ainda não existe. Não há acordo protocolado nem homologado, e nem a PF nem a PGR comentaram a intenção dela. Pela Lei 12.850/2013, uma colaboração premiada só vale depois de homologada pela Justiça, e a palavra do colaborador sozinha não basta para condenar ninguém. O que ela disse na entrevista de sábado está na matéria sobre a delação de Roberta Luchsinger, e o relato sobre a viagem de Lulinha à Espanha também já foi publicado.
A reta final do segundo turno
O caso Lulinha virou tema de campanha. Neste domingo, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) publicou o vídeo que a Folha mostrou na matéria sobre o vídeo Cadê Lulinha. Do outro lado, Flávio responde pelos áudios em que cobra do ex-banqueiro Daniel Vorcaro pagamentos para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Nenhuma das acusações foi julgada.
A votação é no próximo domingo, 25 de outubro. Em Patrocínio (MG), Flávio teve 61,18% dos votos válidos no primeiro turno (31.008 votos), e Lula ficou com 30,44% (15.427 votos), segundo o TSE. Os números por cidade estão na apuração em tempo real, e as pesquisas da reta final, na página de pesquisas do segundo turno.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






