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Nacional

Ato de Flávio em Salvador teve 2 milhões? Nenhum levantamento confirma

A cifra circula como dado da PM, mas a Folha não achou levantamento oficial nem contagem com método. O que há são presenças, o percurso na Barra e uma disputa pelo título de cidadão.

Multidão em ato de campanha, imagem de arquivo usada na reportagem sobre o ato de Flávio em Salvador
Multidão em ato de campanha, imagem de arquivo usada na reportagem sobre o ato de Flávio em Salvador

Dois milhões de pessoas no ato de Flávio em Salvador? É a cifra que circula nas redes desde o sábado (17), atribuída a supostos dados aéreos da Polícia Militar. Até a publicação desta matéria, a Folha não localizou levantamento da PM nem contagem independente que sustente esse número, e nenhuma autoridade o confirmou. O que existe são relatos de uma grande concentração na orla da Barra, sem estimativa medida.

O que se sabe sobre o ato de Flávio em Salvador

O ato foi batizado de “Bloquinho do 22”, em referência ao número do PL, e aconteceu na tarde de sábado, a oito dias do segundo turno. A concentração ficou na região do Farol da Barra e do Morro do Cristo, com um trio elétrico e trechos da orla tomados por apoiadores vestidos de verde e amarelo. Estiveram presentes o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil), o presidente do PL na Bahia, João Roma, e o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil).

Bruno Reis declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) e criticou a gestão do PT no governo da Bahia, citando desemprego, violência, educação e a fila da regulação na saúde. Os números que ele deu sobre pobreza são afirmações do prefeito e não foram verificados pela Folha. Antes do ato, Flávio gravou um vídeo com ACM Neto chamando os eleitores baianos e passou por Vitória, no Espírito Santo.

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De onde vem a cifra de 2 milhões

A conta de 2 milhões para o ato de Flávio em Salvador aparece em publicações que citam “dados aéreos da Polícia Militar”, sem documento, sem nota da corporação e sem metodologia. Quando uma estimativa de público atribuída a um órgão oficial não vem com o relatório, o número não pode ser tratado como fato. A Folha procurou levantamento da PM da Bahia nas fontes públicas e não encontrou.

Outra estimativa também percorre as redes: mais de 100 mil pessoas. Ela aparece atribuída ao prefeito, a organizadores e a perfis de militância, sem que haja método divulgado. A Folha não localizou registro em que o prefeito cite um número de público. Entre uma cifra e a outra há uma distância de 20 vezes, o que já indica que nenhuma delas vem de contagem.

Vista aérea do Farol da Barra, em Salvador, ponto final do percurso do ato de Flávio em Salvador
Farol da Barra, em Salvador, onde terminou o percurso do ato. Foto de arquivo: Paul R. Burley (CC BY-SA 4.0)

Como se confere um número de multidão

Estimativa séria de público mostra o método: fotos aéreas, horário do pico, margem de erro. É o que fez o Monitor do Debate Político, grupo de pesquisadores da USP e do Cebrap, no ato de Flávio na Paulista, em São Paulo: 71,9 mil pessoas no pico, com margem de 12%. É a única contagem com método aberto feita até agora em ato dessa campanha. Para chegar a 2 milhões no ato de Flávio em Salvador, o público teria de ser cerca de 28 vezes maior do que o contado na Paulista, e nada na documentação disponível sustenta esse salto.

A discrepância entre contagem oficial e contagem acadêmica não é novidade. No ato de Jair Bolsonaro na Paulista, em 25 de fevereiro de 2024, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo falou em 750 mil pessoas, enquanto pesquisadores da USP calcularam cerca de 185 mil. O caso mostra que até um número com carimbo oficial precisa de método para ser conferido. O Monitor do Debate Político publica os relatórios das contagens que faz.

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A comparação com os atos de Lula na Bahia

Nas redes, a cifra de 2 milhões vem acompanhada da alegação de que o público teria superado o de atos de Lula na Bahia, estado em que o PT tem tradição de votos. Não existe contagem comparável dos dois lados: nem para o ato de Salvador, nem para os eventos petistas no estado. Sem número medido pelo mesmo método, a comparação é opinião, e a Folha não a repete como dado. O mesmo cuidado vale para o ato de Lula na Paulista, que a campanha petista estimou em 1 milhão, também sem contagem independente.

O título de cidadão e a disputa na Justiça

A visita teve ainda um capítulo jurídico. Uma liminar de sexta-feira (16) suspendeu a cerimônia em que Flávio receberia o título de cidadão soteropolitano. No sábado, o Tribunal de Justiça da Bahia derrubou a liminar, e a juíza substituta de segundo grau Marielza Maués Pinheiro Lima entendeu que a honraria é atribuição do Legislativo municipal. A decisão liberou a entrega do título, que seguiu a programação.

O que o público de um ato diz sobre o voto

Pouco. Ato de rua mede a capacidade de mobilização de uma campanha num dia e num lugar, e não a intenção de voto de um estado. Para acompanhar a disputa, o caminho são as pesquisas, reunidas no agregador de pesquisas da Folha. A Folha também registrou o Bloquinho 22 em Teresina, outro ato da mesma série. A votação é no domingo, 25 de outubro, e a apuração em tempo real da Folha acompanha o resultado naquela noite.

A Folha atualiza esta reportagem se a Polícia Militar da Bahia, a prefeitura ou um grupo de pesquisa divulgar contagem com método. Enquanto isso, o número de 2 milhões do ato de Flávio em Salvador fica registrado aqui como o que é: uma alegação sem documento.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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