Falcão cobra de Simões os números das contas de Minas
Vice-governador eleito diz que a comissão de transição mandou ofício a Simões pedindo déficit de 2027, caixa e despesas já comprometidas, sem antecipar acusação.

Quem vive em Patrocínio (MG) e recebe do governo de Minas tem hoje uma dúvida que ninguém respondeu em público: as contas de Minas fecham em janeiro, quando o governo muda de mãos? Em vídeo divulgado nesta quarta-feira (14), o vice-governador eleito, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), disse que a comissão de transição fez a pergunta por escrito ao governador Mateus Simões (PSD) e espera os números oficiais.
Segundo Falcão, na primeira reunião da comissão a equipe formalizou um ofício ao atual governador. O documento pede esclarecimentos sobre o déficit previsto para 2027, a disponibilidade financeira do Estado, as despesas que já estão comprometidas e os efeitos das decisões tomadas agora sobre a gestão seguinte. O vice eleito afirmou que o grupo vai acompanhar os ajustes do orçamento de 2027 e o impacto das medidas ligadas à dívida estadual, ao Propag (o programa federal de renegociação das dívidas dos estados) e à Copasa.

O que Falcão cobra de Simões nas contas de Minas
O vice eleito disse que a orientação do governador eleito, Cleitinho Azevedo (Republicanos), é garantir o pagamento dos servidores em dia, manter os serviços essenciais funcionando e equilibrar as contas de Minas com respeito ao dinheiro público. Falcão resumiu o objetivo do ofício como a busca de informações oficiais, com transparência e sem antecipar acusação a ninguém. Para ele, isso é “o básico, o mínimo”.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Falcão também repetiu as promessas de campanha da chapa: combater desperdício, reduzir gasto desnecessário, enfrentar privilégios e entregar resultado em saúde, educação e segurança. O compromisso que ele declarou é começar o mandato conhecendo a situação financeira real do estado e terminar sem passar problemas ao sucessor. A posse de Cleitinho, eleito no primeiro turno, está marcada para 6 de janeiro de 2027, como a Folha mostrou na cobertura da eleição para governador.
Os números das contas de Minas que já são públicos
O que o ofício pede em detalhe ainda não veio a público, mas boa parte do quadro está em documentos oficiais. A dívida pública líquida do estado é de R$ 187,1 bilhões, quase toda com a União, o equivalente a 167% da receita corrente líquida. Pelo Propag, o saldo confessado com a União é de R$ 179,3 bilhões, apurado em 1º de dezembro de 2025 e refinanciado em 360 meses. A Secretaria de Estado de Fazenda informou que a sétima parcela, de R$ 105,05 milhões, foi paga em 15 de julho, e que o total quitado desde a adesão chega a R$ 721,36 milhões, conforme o comunicado da própria Fazenda.
No orçamento, a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, sancionada por Simões, prevê déficit de R$ 7,67 bilhões. A proposta orçamentária enviada à Assembleia Legislativa traz receita de R$ 144,999 bilhões e despesa de R$ 153,868 bilhões, um déficit de R$ 8,869 bilhões. Os dois números convivem porque são peças diferentes, e ainda podem mudar com as emendas dos deputados. Em fevereiro, a Fazenda reconheceu uma indisponibilidade de caixa líquida de R$ 11,3 bilhões nos recursos sem destinação definida, diante de uma disponibilidade bruta de R$ 21,1 bilhões. O governo atribuiu o valor a passivos herdados e destacou que fechou 2025 com superávit de R$ 1,1 bilhão.
Por que a palavra janeiro assusta o servidor
Falcão não citou o passado, mas a memória pesa. Em 15 de janeiro de 2016, o então governador Fernando Pimentel (PT) anunciou que as folhas de fevereiro a abril poderiam ser pagas em até três vezes. O 13º de 2016 saiu parcelado e, em 28 de dezembro de 2018, o governo informou que não pagaria o 13º daquele ano. O parcelamento atravessou a troca de governo: sob Romeu Zema, o 13º de 2018 foi dividido em 11 parcelas e quitado só em outubro de 2019. O fim do esquema foi anunciado em 16 de julho de 2021, depois da venda da folha de pagamento ao Itaú por R$ 2,42 bilhões. Foram mais de cinco anos até o primeiro salário em dia. O histórico completo está na matéria da Folha sobre o caixa curto em janeiro.
Alpha for MenO que o governo ainda precisa responder sobre as contas de Minas
Até a publicação desta matéria, a Folha não encontrou resposta pública do governo ao ofício. As reuniões técnicas da transição começaram nesta quarta-feira (14), e a equipe de Simões deve apresentar a situação financeira perto do fim do processo. A pergunta que o servidor faz é prática: quanto falta, em que mês, de que fonte e com que recursos livres, já que parte do dinheiro em caixa tem destino fixado em lei e não paga salário.
A cobrança vale também para o lado de Cleitinho, que prometeu reduzir o IPVA de 4% para 3% já em janeiro e compensar a perda com a revisão de benefícios fiscais. Rever esses benefícios depende de lei, de votos na Assembleia e de tempo, e a conta da diferença precisa aparecer antes da posse. A chapa Cleitinho e Falcão fez essa promessa na campanha, e os eleitores vão querer ver os números.
O que isso muda em Patrocínio
Patrocínio tem professores da rede estadual, policiais militares, policiais civis e profissionais de saúde que dependem do salário em dia. O comércio da cidade sente quando o pagamento atrasa, e metade do IPVA arrecadado pertence aos municípios, o que inclui o caixa da Prefeitura. A Folha acompanha a transição desde a passagem de Cleitinho pelo Triângulo, na campanha. As respostas sobre as contas de Minas estão com o governo que ainda ocupa o cargo.
Fontes: vídeo de Luís Eduardo Falcão, vice-governador eleito de Minas Gerais, divulgado em 14 de outubro de 2026; Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais; Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027. A imagem de capa e a imagem do corpo do texto são montagens ilustrativas feitas com inteligência artificial e não retratam fato real.
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