Mediana das pesquisas dá Flávio 52% e Lula 48% a 11 dias da eleição
A Folha reuniu o resultado mais recente de dez institutos após o 1º turno e achou o valor central: Flávio abre 4 pontos nos votos válidos, com Gerp e Vox nos extremos.

A mediana das pesquisas do segundo turno coloca Flávio Bolsonaro (PL) em 52% e Lula (PT) em 48% dos votos válidos. A conta é da Folha e reúne dez levantamentos de dez institutos diferentes, todos com coleta depois do primeiro turno de 4 de outubro. A eleição será daqui a 11 dias, em 25 de outubro.
Em nove dos dez levantamentos, Flávio aparece à frente. A única exceção é a Vox Brasil, em que Lula tem 50,9% contra 49,1%. No outro extremo está o Gerp, que mede 55% a 45% para o senador. Entre um resultado e outro cabem quase seis pontos, e é justamente por causa dessa distância que a mediana ajuda: ela mostra onde os números se concentram sem deixar um instituto só puxar a conta.
Como a Folha calculou a mediana das pesquisas
Foi escolhida a pesquisa mais recente de cada instituto e usado o resultado em votos válidos, que é a conta da Justiça Eleitoral: tiram-se brancos, nulos e indecisos, e o que sobra soma 100%. Quando o instituto não divulga o recorte em válidos, a Folha calculou a partir dos totais. Foi o caso da Quaest (46% a 44% nos totais, o que dá 51,1% a 48,9%), da Futura (50% a 46,6%, que dá 51,8% a 48,2%) e da Vox Brasil (Lula com 44,2% e Flávio com 42,7%).
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Com os dez valores de Flávio em ordem, do menor ao maior (49,1; 51,0; 51,1; 51,8; 52,0; 52,0; 52,7; 52,8; 53,1 e 55,0), a mediana é a média dos dois valores do meio, o quinto e o sexto. Os dois são 52,0%. Para Lula, o resultado é 48,0%. A média simples dos dez fica em 52,1% a 47,9%, praticamente igual, o que indica que nenhum resultado isolado distorce o quadro.
Os dez institutos que entram na mediana das pesquisas
A Quaest, encomendada pela Globo, ouviu 2.154 eleitores de 10 a 13 de outubro e registrou Flávio com 46% e Lula com 44%, com margem de erro de 2 pontos. O PoderData/Aya, com 3.000 entrevistas e margem de 1,8 ponto, trouxe o mesmo 46% a 44% nos totais, o que equivale a 51% a 49% nos válidos. O Nexus/BTG, de 10 a 12 de outubro, deu 48% a 45% nos totais e 52% a 48% nos válidos.
O Gerp divulgou 55% a 45%, com coleta em 8, 9 e 12 de outubro e 2.400 entrevistas. A Futura ouviu 2.000 pessoas de 7 a 10 de outubro, com margem de 2,2 pontos. A DataTrends, de 7 a 9 de outubro, mostra 53,1% a 46,9%. O Ipespe, com 1.500 entrevistas e margem de 2,6 pontos, tem 52,7% a 47,3%.
A AtlasIntel, contratada pela Bloomberg, entrevistou 5.026 pessoas e chegou a 52,8% a 47,2%, com margem de apenas 1 ponto. Há uma ressalva: o campo começou em 3 de outubro, um dia antes do primeiro turno, e terminou em 8. O Datafolha, de 6 e 7 de outubro, com 2.520 entrevistas, teve 49% a 45% nos totais e 52% a 48% nos válidos. Fecha a lista a Vox Brasil, de 5 a 7 de outubro, a única em que Lula aparece numericamente à frente. Os registros de todas estão no sistema de pesquisas eleitorais do TSE.
Alpha for MenO PoderData já tinha feito uma rodada logo depois da votação, com 53% a 47%. Como a mediana usa só a mais recente de cada instituto, entrou a nova, de 51% a 49%.
O que a mediana das pesquisas não diz
A mediana das pesquisas não é uma pesquisa nova. É uma conta feita sobre números que vêm de métodos diferentes: entrevista por telefone, coleta pela internet, recrutamento digital, amostras que vão de 1.500 a 5.026 pessoas e datas de campo que não coincidem. Também não é previsão. O segundo turno é uma eleição nova, com eleitores que votaram em outros candidatos no primeiro e com dúvida sobre quem vai deixar de comparecer.
A diferença de 4 pontos entre Flávio e Lula é maior do que a margem de erro de quase todos os institutos, que vai de 1 a 2,6 pontos. Mas a margem vale para cada candidato, e a distância entre os dois pode oscilar em torno do dobro dela. Por isso, Quaest e Nexus/BTG, com 2 pontos de margem e distância de 2 e 3 pontos nos totais, ficam no empate técnico, enquanto a AtlasIntel, com margem de 1 ponto, mostra uma vantagem mais firme. Quem comparar os números deve olhar sempre a data de campo, porque quase todos foram coletados antes dos últimos dias de campanha.

A conta do primeiro turno como régua
No primeiro turno, o TSE apurou 47,03% dos votos válidos para Flávio e 45,16% para Lula. Se só esses dois forem considerados, a proporção entre eles é de 51,0% a 49,0%. A mediana das pesquisas, de 52% a 48%, está um ponto acima disso para Flávio, uma diferença pequena, que cabe na margem de erro de qualquer um dos institutos. A Folha já mostrou, na matéria sobre por que as pesquisas erraram no primeiro turno, que cada instituto acertou em graus diferentes, e esse histórico pesa na leitura de quem acompanha as novas rodadas.
O quadro também pode mudar, e a mediana das pesquisas muda junto com ele. Uma nova rodada do Datafolha é esperada para esta quinta-feira (15), e outros institutos devem divulgar números até a véspera da votação. A Folha vai manter a conta atualizada, com a pesquisa mais recente de cada instituto. Quem quiser acompanhar o histórico da disputa pode consultar o quadro das pesquisas e a matéria em que Flávio lidera pesquisas em sete dos oito levantamentos divulgados até 13 de outubro.
Em Patrocínio (MG) e no resto do país, o eleitor vota em 25 de outubro entre as 8h e as 17h, e a justificativa de ausência segue as regras do TSE.
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