Dois meses depois da inauguração, a sede do Hospital de Amor em Patrocínio continua sem atender pacientes. O prédio foi entregue em 3 de julho, mas o atendimento oncológico segue acontecendo em um espaço cedido pela Santa Casa, e a mudança depende de três liberações que ainda não saíram.

A informação foi dada pela superintendente da unidade, Andréia Ribeiro de Almeida, em entrevista à Rádio Difusora 95.3 FM nesta quinta-feira (4). Segundo ela, várias frentes de trabalho correm em paralelo para viabilizar a transferência, e nenhuma delas depende da obra em si, que está pronta.

O que falta para a sede do Hospital de Amor abrir

São três pendências, todas administrativas. A primeira é a transferência da gestão operacional para o Hospital de Amor de Barretos, no interior de São Paulo, que passa a comandar a unidade de Patrocínio. A segunda é a abertura de um CNPJ próprio na cidade, passo que depende de aval do Ministério Público do Estado de São Paulo, onde fica a sede da instituição mantenedora.

A terceira é a liberação do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros, o AVCB, documento obrigatório para qualquer edificação desse porte funcionar. A superintendente afirmou que as adequações pedidas pelos bombeiros já foram feitas e que o processo aguarda a conclusão formal.

Onde o atendimento acontece hoje

Enquanto a sede do Hospital de Amor não é liberada, os pacientes continuam sendo recebidos na área cedida pela Santa Casa de Patrocínio, com mais de mil metros quadrados. É a mesma estrutura que a instituição usava antes da inauguração, quando ainda se chamava Hospital do Câncer Doutor José Figueiredo.

A troca de nome não foi cosmética. Com a inauguração de 3 de julho, a unidade passou a integrar a rede do Hospital de Amor, mantida pela Fundação Pio XII, e virou a primeira da rede em Minas Gerais. A cerimônia reuniu o prefeito Gustavo Brasileiro, os deputados federais Greyce Elias e Weliton Prado, o deputado estadual Elismar Prado e o presidente da instituição, Thiago Miranda de Oliveira. Segundo a Prefeitura, o complexo recebeu R$ 16 milhões em emendas parlamentares para construção e manutenção.

Vista aerea da sede do Hospital de Amor em Patrocinio cercada por lavouras
Nova sede do Hospital de Amor, em Patrocínio, entregue em 3 de julho. Foto: Prefeitura de Patrocínio

Calendário de eventos para custear a operação

Mesmo com a estrutura entregue, a instituição depende de doação e de eventos próprios para pagar a conta do dia a dia. A agenda dos próximos meses já está montada. Em setembro, a Choppada do Bode acontece no dia 19, e a Encontrociata do Amor ocupa os dias 26 e 27.

Outubro traz a segunda edição da Corrida do Amor, dentro da programação do Outubro Rosa, além da venda de camisetas da campanha. A Folha publicou em 31 de agosto que as inscrições da prova já estão abertas. O sorteio de um carro zero quilômetro, que estava previsto para setembro, foi adiado para dezembro.

O dinheiro que a Folha cobra desde agosto

A dificuldade de custeio vem de antes da obra. Desde o começo de agosto esta reportagem acompanha o destino de R$ 10 milhões prometidos ao hospital em emenda estadual que nunca chegou. O prazo daquela promessa venceu há mais de um ano, e o dinheiro segue sem indicação.

É por isso que ainda não há data de abertura anunciada. O prédio está pronto e a rede nacional já assumiu a gestão, mas o funcionamento na sede do Hospital de Amor depende de papéis que a direção local não controla. O parecer do Ministério Público paulista é o mais imprevisível deles.

A instituição atende gratuitamente pacientes de Patrocínio e de municípios vizinhos em prevenção, diagnóstico e tratamento oncológico. Mais informações sobre a rede estão no site do Hospital de Amor. A Folha procurará a direção da unidade para saber se há previsão de data e publicará a resposta.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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