Uma denúncia de ameaça feita por um trabalhador terminou com a apreensão de drogas e facas numa fazenda de Patrocínio, na manhã de sexta-feira (5). Segundo a Polícia Militar, três pessoas foram conduzidas à delegacia e ficaram à disposição da Justiça.

O chamado partiu de um funcionário da propriedade. Ele contou à PM que dois colegas de trabalho teriam corrido atrás dele portando facas depois de uma discussão. A guarnição foi até o local e começou as buscas pela região da fazenda.

Estrada de terra na zona rural de Patrocínio, região onde a PM apreendeu drogas e facas
Estrada de terra na zona rural de Patrocínio. A ocorrência com drogas e facas foi registrada numa fazenda do município. Foto de arquivo: Prefeitura de Patrocínio.

O que a PM encontrou junto com as drogas e facas

As diligências localizaram os dois homens apontados na denúncia. Com eles, os militares apreenderam as duas facas usadas na ameaça, dois tabletes maiores de substância semelhante à maconha, duas porções menores da mesma substância e dois papelotes de material parecido com cocaína.

A quantidade e a forma de embalagem levaram a PM a registrar que o material teria destino comercial. Nada disso foi confirmado por perícia até a publicação desta reportagem, e a corporação não informou se algum dos conduzidos já respondia por tráfico.

Os três foram levados à Polícia Civil, onde o caso passou a ser apurado. A PM não divulgou nomes, idades nem a localização exata da propriedade.

Ameaça e tráfico são apurados separadamente

A denúncia inicial foi de ameaça, crime previsto no artigo 147 do Código Penal, com pena de um a seis meses de detenção ou multa. O uso de faca durante a abordagem entre os colegas pode agravar o enquadramento, dependendo do que a investigação apurar sobre a intenção dos envolvidos.

Já a apreensão das drogas e facas abre uma segunda linha. A Lei 11.343/2006 trata de forma diferente quem porta droga para consumo e quem a mantém para venda. A distinção depende da quantidade, do local, das condições da apreensão e dos antecedentes, e é a Polícia Civil que faz esse enquadramento no inquérito.

Enquanto o inquérito corre, ninguém está condenado. As informações desta reportagem são as divulgadas pela Polícia Militar e ainda podem mudar conforme a apuração avança.

Ocorrências na zona rural de Patrocínio

Patrocínio tem uma área rural extensa, ocupada em boa parte por lavouras de café. O município é o maior produtor de café do país em volume, o que significa milhares de trabalhadores em propriedades espalhadas e distantes da sede, muitas delas ligadas por estradas de terra.

Esse desenho pesa no atendimento policial. Uma ocorrência numa fazenda costuma exigir deslocamento longo, e o tempo entre a denúncia e a chegada da guarnição é maior do que na área urbana. Em agosto, o Conselho Rural entregou um guincho elétrico à Defesa Civil do município, equipamento usado justamente em atendimentos na zona rural, conforme a Folha registrou à época.

A safra também muda a rotina do campo. No período de colheita, a população flutuante nas fazendas cresce com a chegada de trabalhadores temporários, e conflitos entre colegas de serviço aparecem com mais frequência nos registros policiais.

A colheita do café no Cerrado Mineiro terminou no fim de agosto, com a maior parte das lavouras já batida. Nesta fase, a fazenda ainda mantém equipe reduzida para varrição, benefício e trato do cafezal, e boa parte dos temporários já foi embora ou está em processo de acerto de contas. É um período em que desentendimento antigo entre trabalhadores tende a vir à tona, como no caso desta ocorrência.

Como denunciar

Ameaça, agressão e tráfico podem ser comunicados pelo 190, da Polícia Militar, que atende 24 horas e também a zona rural. Denúncias anônimas vão para o 181, do Disque Denúncia de Minas Gerais, sem identificação de quem liga.

Quem sofre ameaça deve registrar boletim de ocorrência mesmo quando não há agressão física. O registro é o documento que permite pedir medida protetiva e serve de base para o inquérito, inclusive em casos como o desta apreensão de drogas e facas, em que a denúncia de um trabalhador acabou revelando outro crime.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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