A aliança entre Republicanos e Podemos para a disputa do governo de Minas Gerais foi oficializada nesta sexta-feira (14/8), em ata assinada pelo presidente estadual do Republicanos, deputado federal Euclydes Pettersen, e protocolada na Justiça Eleitoral horas antes do fim do prazo para o registro de coligações. O documento sustenta a candidatura do senador Cleitinho Azevedo ao governo do estado e confirma que o partido não terá candidato próprio ao Senado, uma decisão que reorganiza o tabuleiro da direita mineira a menos de 24 horas do encerramento das convenções.
Como fica a aliança entre Republicanos e Podemos

O texto assinado por Pettersen prevê a formação de coligação majoritária entre Republicanos e Podemos para disputar os cargos de governador e vice-governador em Minas Gerais, “havendo interesse recíproco” entre as duas legendas. Na prática, o acordo confirma o que já vinha sendo negociado nos bastidores desde o afastamento momentâneo de Cleitinho do partido, no início de agosto: o Republicanos abre mão de indicar um nome à vaga de senador e concentra força na disputa pelo Palácio da Liberdade.

A ata também resolve outra pendência interna: nomes como o do ex-prefeito de Divinópolis Gleidson Azevedo, irmão gêmeo de Cleitinho, e o do próprio Euclydes Pettersen chegaram a ser cotados para a vaga de senador pelo Republicanos, mas o partido optou por não lançar candidatura própria. Pettersen e Gleidson devem concorrer a vagas na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026.
Marcelo Aro assume informalmente a vaga ao Senado
Sem candidato do Republicanos à Casa Alta do Congresso, quem deve ocupar esse espaço na chapa é o ex-secretário de Governo de Minas Marcelo Aro (PP), lançado ao Senado pela Federação União Progressista (União Brasil-PP). Aro integra o palanque do governador Mateus Simões (PSD), que disputa a reeleição, mas fará campanha própria e paralela pelo Senado, apoiado informalmente por Cleitinho.
Segundo a ata, Aro se apresentará ao eleitorado mineiro como parte da chapa encabeçada por Cleitinho, ainda que não exista vínculo partidário formal entre PP e Republicanos nessa configuração. É um arranjo de campanha, não uma coligação eleitoral no sentido estrito, mas sinaliza a estratégia de unificar o eleitorado de centro-direita e direita em torno das duas candidaturas.
O papel do Podemos na chapa
Em Minas Gerais, o Podemos é presidido pela deputada federal Nely Aquino, aliada de primeira hora de Marcelo Aro. Na convenção do partido, realizada em 5 de agosto, a legenda já havia definido apoio ao ex-secretário de Governo independentemente do cargo que ele viesse a disputar. Na época, ainda havia articulação para que Aro fosse o próprio candidato ao governo, hipótese que perdeu força com a confirmação de Cleitinho. Procurada para comentar os detalhes da aliança agora formalizada, Nely Aquino não se manifestou até a publicação desta matéria.
A entrada do Podemos na coligação amplia o tempo de televisão e o palanque de Cleitinho, mas também deixa claro que o apoio da legenda está atrelado à presença de Aro na disputa pelo Senado, um equilíbrio de forças que só se resolveu na reta final antes do fechamento das convenções partidárias, marcado para este sábado (15/8).
Uma novela que já dura semanas
A definição da chapa encerra, ao menos por ora, um dos capítulos mais conturbados da corrida ao governo de Minas Gerais em 2026. Cleitinho chegou a sinalizar publicamente insatisfação com a direção nacional do partido e cogitou deixar a legenda, em episódio que gerou reuniões de emergência entre lideranças estaduais e nacionais do Republicanos ao longo da última semana, movimentação que a reportagem do Correio Braziliense também acompanhou nos dias anteriores ao acordo. A vaga de vice-governador de Mateus Simões também foi disputada por diferentes siglas antes de ser definida, em outro movimento da mesma reconfiguração de alianças que atinge praticamente todo o espectro político mineiro neste ciclo eleitoral.
Com a aliança entre Republicanos e Podemos fechada, a atenção agora se volta para o prazo final de registro de candidaturas na Justiça Eleitoral, em 15 de agosto, quando ficará definido o desenho completo das chapas que disputarão o governo de Minas Gerais no ano que vem.
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