Patrocínio cai para 3º em produção de café, mas segue líder em valor
Rio Bananal e Linhares, no Espírito Santo, passaram a cidade em toneladas colhidas, mas o grão do Cerrado rendeu R$ 1,6 bilhão, o maior valor do país em 2025.

Patrocínio caiu para o 3º lugar na produção de café do Brasil em 2025. A cidade colheu 48.669 toneladas, segundo a Pesquisa Agrícola Municipal do IBGE, e ficou atrás de Rio Bananal (69.219 t) e Linhares (63.720 t), ambos no Espírito Santo. Em 2024, com 64.225 t, Patrocínio ainda era a primeira do país.
O volume encolheu, mas o dinheiro não saiu do município. O valor da produção de café patrocinense chegou a R$ 1,60 bilhão em 2025, o maior do Brasil, contra R$ 1,58 bilhão de Rio Bananal e R$ 1,44 bilhão de Linhares. A diferença para o segundo colocado é de cerca de R$ 25 milhões, ou 1,5%.
A Folha refez a consulta na tabela 1613 do IBGE (SIDRA), que traz o café em grão total, arábica e conilon somados. O ranking de volume foi apontado primeiro pelo pesquisador Eustáquio Amaral, em blog no Patrocínio On-line, e os números batem com os do instituto.
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O que mudou na produção de café de Patrocínio
Entre 2024 e 2025, a colheita de Patrocínio recuou 24%. No mesmo período, Rio Bananal subiu 44% (de 48.093 t para 69.219 t) e Linhares, 37% (de 46.460 t para 63.720 t). Vila Valério (45.000 t) e São Mateus (42.900 t), também capixabas, fecham o grupo das cinco maiores e vêm logo atrás.
Entre os dez maiores produtores do país, só Patrocínio é de Minas Gerais. Dentro do estado, a liderança segue folgada: Manhuaçu aparece em segundo, com 29.040 t, e Monte Carmelo em terceiro, com 27.938 t. Ibiraci (26.352 t) e Campos Gerais (25.068 t) completam os cinco primeiros. Serra do Salitre, vizinha, ocupa a sétima posição, com 24.270 t.
Por que o volume caiu
O arábica alterna safras mais cheias e mais magras, o que os técnicos chamam de bienalidade. 2023 foi um ano de colheita gigante em Patrocínio, com 105.109 t, a maior já registrada por um município brasileiro nessa série do IBGE. 2025 ficou do outro lado do ciclo. Em 2022, também ano de safra baixa, a cidade colheu 34.859 t e Rio Bananal liderou o ranking, com 48.508 t.
A Conab trata 2026 como ano de bienalidade positiva e projeta uma safra nacional recorde. A Folha mostrou que a colheita deste ano no Cerrado Mineiro já avança acima da anterior. Se o ciclo se repetir, a tendência é que a produção de café de Patrocínio recupere parte do terreno em toneladas. O que o ciclo não explica é a velocidade com que o Espírito Santo cresceu entre um ano e outro.
O que muda para o produtor do Cerrado Mineiro
Para quem vive da lavoura, o ranking de produção de café em toneladas importa menos que o de faturamento. Cada tonelada colhida em Patrocínio rendeu, em média, cerca de R$ 32,9 mil em 2025, conta feita pela Folha a partir do valor da produção e da quantidade informados pelo IBGE. Em Rio Bananal, o mesmo cálculo dá cerca de R$ 22,8 mil. A diferença vem do tipo de grão: o Espírito Santo produz muito café conilon, enquanto o Cerrado Mineiro é referência em arábica, mais bem pago no mercado.
O recado para o produtor é que a vantagem de preço existe, mas a margem de R$ 25 milhões no valor da produção é curta. Se os capixabas seguirem ampliando a colheita enquanto o Cerrado passa por um ano fraco, a liderança em faturamento também pode mudar de mãos. Para o cafeicultor local, isso reforça o peso de investir em qualidade, em classificação e em venda de café especial, que é onde o grão de Patrocínio abre distância.
O mercado ajuda neste momento. A Folha mostrou que a saca de arábica no físico de Patrocínio chegou a R$ 1.750, impulsionada pela alta em Nova York. Com preço firme e uma safra maior à vista em 2026, o produtor entra no próximo ciclo com mais fôlego do que a queda no ranking sugere.
Os valores do IBGE são a preços correntes da época de cada colheita e consideram o café em grão total do município. Os dados de 2025 constam da Pesquisa Agrícola Municipal mais recente do instituto.
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