A origem do Parque da Matinha não começou em gabinete político nem em emenda parlamentar. O espaço de 100 mil m² no bairro Matinha existe hoje como unidade de conservação por causa de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) fechado em 2018 entre a empresa privada VITA Empreendimentos e o Ministério Público de Minas Gerais, dentro de um processo de compensação ambiental.
A origem do Parque da Matinha está no TAC de 2018
O acordo autorizou a VITA Empreendimentos a intervir em 2,1809 hectares de vegetação em outro ponto do município, mediante a obrigação de compensar essa supressão em pelo menos o dobro da área afetada. Foi essa exigência de compensação florestal que deu origem ao projeto de transformar a área da Matinha em Parque Natural Municipal, unidade de conservação de uso múltiplo dedicada à recuperação e preservação de espécies nativas do Cerrado.
A Agrosolos Meio Ambiente ficou responsável pela parte técnica e pela coordenação do projeto exigido pelo TAC. Segundo o plano de manejo arquivado na Prefeitura, a área abrange fisionomias do bioma Cerrado em diferentes estágios de regeneração, o que orientou o desenho das trilhas e dos espaços de visitação para não comprometer a vegetação em recuperação.

O projeto apresentado à imprensa
O projeto saiu do papel publicamente em 11 de outubro de 2019, num café da manhã de apresentação à imprensa patrocinense realizado na própria sede da Agrosolos. Reinaldo Machado, diretor da empresa, contou a história do parque aos jornalistas presentes e resumiu a lógica por trás da obra: “o projeto Parque da Matinha é o exemplo efetivo que atitudes conjuntas entre público e privado podem sempre beneficiar a sociedade”, disse, segundo registro da época feito pelo Patrocínio Online.
Na ocasião, Salomão Filho, diretor de projetos da Agrosolos, detalhou os estudos de campo que embasaram o projeto: mais de 20 especialistas em flora e fauna foram mobilizados para mapear a melhor forma de integrar os visitantes ao habitat das espécies que vivem na área. O cronograma da época previa audiência pública ainda em 2019 e entrega do projeto pronto à Prefeitura, responsável pela execução da obra a partir daí.
Por que isso segue relevante
A origem do Parque da Matinha como unidade de conservação, portanto, é anterior e independente de qualquer gestão municipal ou mandato político: nasceu de uma obrigação legal de compensação ambiental imposta a uma empresa privada pelo Ministério Público, quase cinco anos antes da reabertura do parque revitalizado, ocorrida em dezembro de 2024.
Entender a origem do Parque da Matinha ajuda a separar o que é obrigação legal do que é decisão de gestão: o tema segue de atualidade porque a administração do parque está sob checagem: a 5ª Promotoria de Justiça de Patrocínio converteu uma notícia de fato em Procedimento Preparatório para apurar possíveis irregularidades na administração da unidade, incluindo a extensão do horário de funcionamento e o cumprimento do plano de manejo aprovado pelo Codema. A Folha de Patrocínio já havia coberto o andamento da obra de revitalização em reportagem publicada em agosto de 2026.
Nota de transparência
O redator-chefe da Folha de Patrocínio responde a duas ações de Direito de Resposta movidas por Maria Clara Marra na Justiça Eleitoral de Minas Gerais (processos TRE-MG nº 0602659-53.2026 e nº 0602687-21.2026). Essa relação não interferiu na apuração desta reportagem, que se baseia no Termo de Ajustamento de Conduta de 2018 entre a VITA Empreendimentos e o Ministério Público de Minas Gerais, na reportagem da Patrocínio Online sobre a apresentação do projeto à imprensa em outubro de 2019 e no plano de manejo do parque arquivado na Prefeitura de Patrocínio.
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