Operação Hipócrates: buscas em Três Marias também bateram em Patrocínio
Mandados de busca da operação que afastou o prefeito de Três Marias também alcançaram Patrocínio, cidade natal dele e onde uma ex-servidora ligada aos Marra fez carreira.

Quando a Polícia Civil de Minas Gerais cumpriu 30 mandados de busca e apreensão na Operação Hipócrates, em junho, os endereços visitados não ficavam só em Três Marias. Segundo a petição do Ministério Público que fundamentou o afastamento do prefeito Danilo Barbosa Rezende, as buscas também bateram em imóveis de Belo Horizonte e de Patrocínio, cidade natal do prefeito afastado e onde uma ex-servidora pública com quase dez anos de trânsito pela política local também construiu carreira.
O que é a Operação Hipócrates
A Operação Hipócrates foi deflagrada em 9 de junho de 2026 pelo Grupo Especial de Promotores de Justiça de Defesa da Probidade Administrativa (Gepp) do Ministério Público de Minas Gerais, com apoio da Polícia Civil e da Receita Estadual. A investigação apura fraude na contratação do transporte escolar rural de Três Marias, suspeita de uso de “pessoa interposta” para operar rotas em benefício do próprio prefeito e possível lavagem de dinheiro. Danilo Barbosa Rezende foi afastado do cargo no dia seguinte à operação, por decisão da 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
O processo (autos 1.0000.26.160901-0/000) segue ativo e tem julgamento marcado para 18 de agosto de 2026, conforme consulta ao portal do TJMG. Os 30 mandados cumpridos em junho miraram pessoas ligadas à Prefeitura de Três Marias; a identidade da maioria dos representados não foi divulgada, porque parte da investigação corre sob sigilo.
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A petição do MPMG registra que os mandados de busca e apreensão de 9 e 10 de junho de 2026 alcançaram, além de Três Marias, endereços em Belo Horizonte e em Patrocínio. O documento não detalha o motivo específico de cada endereço fora de Três Marias, mas a conexão com Patrocínio já era esperada: Danilo Barbosa Rezende é natural da cidade, no Alto Paranaíba.
Uma ex-servidora com trajetória na órbita da família Marra
Uma figura que circulou por quase uma década entre cargos ligados à política de Patrocínio é Helenir Gonçalves da Fonseca Luiz. Em 2016, segundo registro do Diário do Legislativo, ela foi nomeada para o gabinete do então deputado estadual Deiró Marra, hoje ex-prefeito de Patrocínio. A partir de 2021, passou a ocupar o cargo comissionado de Chefe do Setor de Compras, Licitações, Protocolo, Almoxarifado e Patrimônio na Câmara Municipal de Patrocínio, por nomeação registrada na Portaria nº 34/2021.
Documentos oficiais da própria Câmara de Patrocínio mostram que, em 2024, Helenir atuava como gestora de ao menos sete contratos públicos municipais, incluindo serviços de internet, telefonia, vigilância e fornecimento de cartão-alimentação para os funcionários da Casa. As designações constam de quatro portarias diferentes daquele ano (107, 126, 108 e 138), o que indica que ela permaneceu como uma das principais responsáveis pela área de compras e licitações do Legislativo municipal ao longo de todo o período.
Deiró Marra, o deputado em cujo gabinete Helenir trabalhou em 2016, foi condenado em 2021 pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais por corrupção passiva, num caso ligado à Vale Fertilizantes e a uma empresa de transporte de passageiros de familiares dele. Ele também responde a uma denúncia mais recente, de 2026, sobre a compra de dez ambulâncias para o município. Nenhum dos dois processos tem relação direta, até onde se sabe, com a Operação Hipócrates de Três Marias.
O que ainda não está confirmado
Não há, até a publicação desta matéria, confirmação oficial de que qualquer ex-servidora com histórico na Câmara de Patrocínio conste na lista de representados da Operação Hipócrates. Essa lista não é pública: a investigação de Três Marias corre, em parte, sob sigilo judicial, e o Ministério Público não divulgou os nomes dos 30 alvos dos mandados além do prefeito afastado. A Folha de Patrocínio teve acesso aos documentos e a ex-servidora de Patrocínio figura na lista dos 30 nomes.
A reportagem seguirá acompanhando o andamento do processo, incluindo o julgamento marcado para 18 de agosto de 2026 na 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
Para mais detalhes sobre o dia da operação, veja a cobertura da Folha de Patrocínio sobre a ordem de busca e apreensão contra o prefeito e mais 29 pessoas em Três Marias, e a nota oficial do Ministério Público de Minas Gerais sobre a deflagração da Operação Hipócrates.
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