Nikolas Ferreira diz que tuíte sobre a Virgem Maria é falso
O deputado do PL acusa a esquerda de usar a mãe de Jesus para mentir. O TSE mandou derrubar posts sobre Flávio Bolsonaro e a GloboNews se retratou.

A polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida na campanha chegou ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Numa gravação de pouco mais de um minuto, publicada na noite desta sexta-feira (25), ele diz que um tuíte ofensivo à Virgem Maria, atribuído a ele, é falso e afirma que todos os que o divulgam vão responder criminalmente.
O que Nikolas Ferreira diz no vídeo
O vídeo foi gravado à noite, tem 61 segundos e legendas na tela. Nikolas Ferreira abre criticando a esquerda por usar o nome da mãe de Jesus “para mentir eleitoralmente”. Na avaliação dele, é um insulto a Maria e a toda a fé cristã. O deputado cita o mandamento do livro do Êxodo que proíbe tomar o nome de Deus em vão e diz saber que os adversários são baixos, mas que envolver a família de Jesus numa zombaria para ganhar voto é outro patamar de imundice.
Em seguida, afirma que desmascarar o que chama de monstruosidade é defender Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, e também o sagrado e o sobrenatural. Diz que boa parte de quem inventou a mentira odeia o cristianismo. Segundo ele, os conservadores querem vencer as eleições, mas há linhas que não podem ser cruzadas, e a esquerda cruzou uma delas.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Perto do fim, diz que estão divulgando “um tuíte falso meu” e que todos vão responder criminalmente por isso. Nikolas Ferreira não detalha que providência tomará nem contra quem, e o vídeo não cita nomes de pessoas nem de perfis. Na legenda da publicação, ele pede que os cristãos compartilhem e escreve que esse é “o nível do PT”.
As afirmações sobre a esquerda e sobre a origem do boato são do deputado e não foram apuradas pela Folha. Até a publicação desta matéria, a Folha não localizou manifestação do PT sobre o vídeo. O espaço segue aberto para resposta.

Por que Nossa Senhora Aparecida entrou na campanha
A discussão começou entre quarta (23) e quinta-feira (24), quando publicações nas redes sociais passaram a ligar Flávio Bolsonaro, senador e candidato do PL à Presidência, a uma suposta proposta para tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O boato ganhou força depois de um comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes no programa Em Pauta, da GloboNews. Ela disse que evangélicos estariam mobilizando um projeto de lei nesse sentido. Segundo O Tempo, o comentário não citava Flávio.
Flávio negou em vídeo e disse que nunca apresentou proposta desse tipo. O projeto a que a discussão remete é o PL 2.623/2007, do então deputado Professor Victório Galli (PMDB-MT), apresentado em 12 de dezembro de 2007. O texto trocava, na lei do feriado de 12 de outubro, a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. Foi rejeitado na Comissão de Educação e Cultura e arquivado em 22 de agosto de 2008, de acordo com a ficha de tramitação da Câmara dos Deputados. O autor foi Galli, não Flávio.
Na virada de quinta para sexta-feira, a apresentadora Marcelly Setúbal leu uma correção na Edição da Meia-Noite, da GloboNews. Segundo o texto lido, a proposta foi apresentada em dezembro de 2007 e arquivada em agosto de 2008. A emissora pediu desculpas pelo erro.
TSE manda derrubar publicações e campanha aciona a PGE
Na noite desta sexta, o ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mandou as plataformas removerem as publicações que dizem que Flávio Bolsonaro ou a família dele propôs, articulou ou apoia a retirada do título de padroeira. Na decisão, o ministro classificou a afirmação como “notoriamente inverídica”. A ordem vale para X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube, com multa de R$ 50 mil por dia para cada plataforma em caso de descumprimento, como mostra a matéria sobre a decisão do TSE, e não atinge publicações jornalísticas nem o debate geral sobre política e religião. Segundo o Correio Braziliense, a ordem inicial alcançava cerca de 1,6 mil postagens, e a campanha pediu a inclusão de outras 1,2 mil.
A campanha de Flávio também apresentou uma notícia-crime na Procuradoria-Geral Eleitoral contra 29 perfis, conforme o Metrópoles. O pedido é de abertura de inquérito para apurar uma possível ação coordenada para prejudicar o candidato eleitoralmente. A decisão do TSE trata do boato sobre Flávio, e não do tuíte atribuído a Nikolas Ferreira.
O que se sabe sobre o tuíte atribuído a Nikolas Ferreira
A mensagem em questão circula em capturas de tela que a atribuem ao deputado e a datam de 2014, no antigo Twitter. Ela voltou às redes na esteira da discussão sobre Flávio e Nossa Senhora Aparecida. O Diário Carioca escreveu que não foi possível confirmar de forma independente a autenticidade do material. Nikolas Ferreira diz que a postagem é falsa e que vai responsabilizar quem a divulga.
A Folha não reproduz o conteúdo da postagem e não afirma que ela seja autêntica nem falsa. Se uma checagem independente ou a Justiça esclarecer o caso, esta matéria será atualizada.
Nikolas Ferreira em Patrocínio na terça
O deputado, que disputa a reeleição para a Câmara com o número 2222, tem um ato marcado em Patrocínio para as 18h da terça-feira (29), na Praça Santa Luzia, como a Folha mostrou na cobertura da agenda dele na cidade. Outras notícias da campanha estão na seção Política.
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