Morte de Cássio Remis completa seis anos com réu à espera de novo júri
Julgamento anulado pelo TJMG e mantido pelo STF saiu de Patrocínio a pedido da família e do Ministério Público; sessão em Belo Horizonte está marcada para 17 de março de 2027.

Seis anos depois de ser morto a tiros na porta da Secretaria Municipal de Obras, o advogado e ex-vereador Cássio Remis ainda não tem um desfecho na Justiça. A morte de Cássio Remis completa seis anos nesta quinta-feira (24), e o réu, o ex-secretário de Obras Jorge Moreira Marra, vai enfrentar um novo júri popular, desta vez em Belo Horizonte.
O julgamento está marcado para 17 de março de 2027, às 8h20, no Tribunal do Júri da capital. Jorge Marra responde ao processo em liberdade. Em 2022 ele foi absolvido da acusação de homicídio, em Patrocínio, mas o Tribunal de Justiça de Minas Gerais anulou aquele júri.
O caso voltou a ser contado em reportagem da TV Paranaíba, que ouviu a família de Cássio e refez o caminho do crime pelas ruas da cidade. Assista a trechos da reportagem:
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Era a tarde de 24 de setembro de 2020, por volta das 16h. Cássio tinha 38 anos, era advogado, já tinha sido vereador e presidente da Câmara Municipal e tentava voltar ao Legislativo naquele ano. Ele abriu uma transmissão ao vivo nas redes sociais na Avenida João Alves do Nascimento, onde havia uma obra de revitalização, para mostrar o que considerava uso irregular de funcionários, máquinas e materiais da prefeitura.
Segundo a reportagem, Jorge Marra, secretário responsável pela obra, chegou ao local num veículo oficial, tomou o celular das mãos de Cássio e foi embora. Cássio seguiu o secretário por mais de dois quilômetros para tentar recuperar o aparelho, até a sede da Secretaria de Obras, na Avenida Orlando Barbosa, no bairro São Benedito.
De acordo com a polícia, foi ali, na porta do prédio, que Jorge Marra sacou uma arma e atirou várias vezes. Cássio morreu no local. A caminhonete e a arma foram encontradas depois em Perdizes. Segundo a TV Paranaíba, Jorge se entregou à polícia três dias depois, em 27 de setembro de 2020, e ficou preso até o primeiro julgamento.
Da absolvição ao novo júri em Belo Horizonte
O primeiro júri aconteceu em outubro de 2022, em Patrocínio, e durou cerca de 17 horas. Por maioria, os jurados aceitaram a tese de legítima defesa e absolveram Jorge Marra da acusação de homicídio. Ele foi condenado apenas por porte ilegal de arma de fogo e, como já estava preso havia mais de dois anos, a pena foi considerada cumprida e ele deixou a prisão.
O Ministério Público recorreu. Para a acusação, a decisão dos jurados contrariava as provas, e um dos argumentos foi o de que testemunhas relataram que Cássio não agrediu Jorge, só cobrou a devolução do celular. Em 2024, o TJMG anulou o júri. A defesa tentou reverter a decisão, mas em 2025 o Supremo Tribunal Federal manteve a ordem de um novo julgamento.
A família e o Ministério Público pediram então que o caso saísse de Patrocínio. O argumento foi que a repercussão da morte de Cássio Remis e a polarização política na cidade poderiam comprometer a imparcialidade dos jurados. O pedido foi aceito, e o processo nº 0035378-94.2020.8.13.0481 passou para Belo Horizonte, onde o juiz Marco Antônio Silva marcou a sessão. Jorge Marra responde por homicídio qualificado, por motivo torpe e por recurso que dificultou a defesa da vítima, além de porte ilegal de arma de fogo. A Folha noticiou a data do novo julgamento no começo do mês.
Seis anos de luto na família Remis

Na família Remis, a política começou com o pai. Marcos Remis dos Santos foi vereador de Patrocínio de 1992 a 2000, e Cássio acompanhava os mandatos desde criança, a ponto de trabalhar como voluntário na Câmara. Depois da morte de Cássio Remis, a mãe, Francisca, assumiu a candidatura que ele tinha deixado registrada e foi eleita vereadora. Hoje o irmão, Marcos Remis dos Santos Filho, também é vereador na cidade.
Para a mãe, setembro pesa: é o mês do aniversário dela, do aniversário do outro filho e da morte de Cássio. À TV Paranaíba, ela contou que desvia do vídeo do crime quando ele aparece nas redes e que a única imagem do filho que procura é a foto. O pai chegou ao local antes da polícia. Para a família, passar pela Secretaria de Obras, o que acontece quase todo dia, ainda é difícil.
O irmão disse que evita alguns caminhos para não cruzar com o réu, que circula pela cidade enquanto espera o julgamento. Ele afirmou que acredita que o júri da capital será menos influenciado do que o de Patrocínio e que nunca deixou de confiar na Justiça.
O que esperar do novo julgamento
No júri popular, sete jurados sorteados decidem se o réu é culpado ou inocente depois de ouvir acusação, defesa e testemunhas. Se houver condenação, quem fixa a pena é o juiz. Até lá, Jorge Marra é considerado inocente, como prevê a Constituição, e a defesa deve voltar a sustentar a legítima defesa, tese que convenceu os jurados em 2022. A Folha não localizou manifestação recente da defesa sobre o novo júri.
Enquanto a data não chega, a família mantém a cobrança por justiça pela morte de Cássio Remis. A reportagem mostra uma faixa com o rosto de Cássio e a frase “Justiça por Cássio Remis” em frente ao fórum. A Folha de Patrocínio vai acompanhar o julgamento do caso em março de 2027.







