A ginecologista e obstetra Ana Carolina Borges Rocha, que atende em Rio Paranaíba, publicou nesta sexta-feira (14) uma nota de esclarecimento em suas redes sociais. Pela primeira vez desde que seu nome passou a circular associado ao caso, a médica se manifesta sobre a morte da gestante Naiara Oliveira Silva, ocorrida na Santa Casa de Patrocínio, e afirma que não foi a profissional responsável pelo atendimento da paciente.
No texto, publicado em formato de carrossel no Instagram e com marcação para a conta oficial da Santa Casa de Patrocínio, a médica se manifesta de forma direta: nega qualquer participação no atendimento de Naiara e detalha os passos que tomou desde que seu nome começou a ser mencionado em publicações e comentários sobre o caso.

Como a médica se manifesta sobre o caso
Segundo a nota, Borges Rocha esteve reunida na manhã desta sexta-feira com a direção da Santa Casa de Patrocínio e foi informada de que a instituição já adotou as medidas necessárias para a apuração técnica e administrativa dos fatos. A médica afirma que, por respeito ao sigilo médico, às investigações em andamento e à família da paciente, não vai divulgar informações do prontuário neste momento. A documentação, segundo ela, será apresentada às autoridades competentes pelos meios adequados.
A profissional também cita, na própria nota, informações de caráter “malicioso, temerário e desprovidas de fundamento” que estariam sendo divulgadas a seu respeito pelo canal Portilho (portilho.online). A caracterização do conteúdo é da própria médica; a reportagem da Folha de Patrocínio não teve acesso ao material publicado pelo canal para uma verificação independente. Diante disso, Borges Rocha reitera o compromisso com a ética médica e reserva o direito de adotar as medidas legais cabíveis para a proteção de sua honra e reputação profissional, encerrando o texto com uma manifestação de solidariedade à família de Naiara.

Relembre o caso Naiara Oliveira Silva
Naiara Oliveira Silva tinha 26 anos e estava grávida de quase oito meses quando passou mal e morreu na Santa Casa de Patrocínio, no início deste mês. A causa do óbito segue em apuração pelas autoridades competentes, e o obituário publicado pela Folha de Patrocínio já registrava o caso com enquadramento sóbrio, sem atribuir responsabilidade a qualquer profissional ou instituição sem confirmação oficial.
Nos dias seguintes, duas frentes institucionais se manifestaram publicamente sobre o caso. A Prefeitura de Patrocínio publicou nota esclarecendo que a Santa Casa tem gestão própria e independente da administração municipal. Já a Secretaria Municipal de Saúde, pela secretária Luciana Rocha, detalhou publicamente o pré-natal de Naiara e o protocolo de encaminhamento que levou a gestante até a Santa Casa. Foi justamente após esse contexto de repercussão nas redes sociais, com comentários que cobravam explicações e fiscalização, que o nome de Ana Carolina Borges Rocha passou a aparecer associado ao caso, o que a levou a publicar a nota desta sexta-feira.
Sigilo médico e apuração em andamento
A nota da médica se apoia em um princípio previsto no Código de Ética Médica: o sigilo profissional, que impede a divulgação pública de informações de prontuário mesmo diante de pressão da opinião pública, salvo nos canais formais de apuração. O Conselho Federal de Medicina mantém orientações públicas sobre os limites do sigilo médico e os procedimentos que médicos e instituições devem seguir quando um caso passa por investigação técnica ou administrativa. Foi a esse tipo de rito, segundo a nota, que a Santa Casa de Patrocínio recorreu a partir da reunião desta manhã.
Repercussão nas redes sociais
Nos comentários da publicação, colegas de profissão e ex-pacientes manifestaram apoio à médica, destacando anos de atuação na obstetrícia da região e relatos pessoais de partos acompanhados por ela. O post soma centenas de curtidas e dezenas de comentários poucas horas após a publicação, a maioria em tom de solidariedade.
Até o fechamento desta matéria, essa foi a única vez em que a médica se manifesta publicamente sobre o caso desde o início da repercussão nas redes. A Folha de Patrocínio buscou contato com a assessoria da Santa Casa de Patrocínio e vai atualizar este texto caso a instituição, a Secretaria de Saúde ou as autoridades responsáveis pela apuração divulguem novas informações oficiais.
