Relembrar a votação sobre o reajuste dos servidores em 2024 ajuda a entender uma disputa que voltou a aparecer nas redes sociais recentemente, mas que na verdade aconteceu há mais de um ano. Em 4 de junho de 2024, o plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) decidiu, por apenas quatro votos de diferença, rejeitar uma emenda que elevaria o índice de reajuste salarial dos servidores públicos civis e militares do Estado.

O placar final foi 34 votos contra a emenda e 30 a favor. A proposta buscava subir o índice de reajuste, definido pelo governo em 3,62%, para 10,67% — valor que representava a soma da inflação acumulada entre 2022 e 2024.

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O que estava em jogo na votação de 2024

O projeto de origem era o PL 2309/2024, de autoria do Poder Executivo estadual, que tratava da revisão geral do subsídio e do vencimento básico de servidores civis e militares. Antes de chegar ao plenário, o texto passou pela Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária, que já havia opinado pela rejeição de um lote grande de emendas parlamentares — a maioria delas propondo valores de reajuste maiores do que o índice original do governo.

Na votação em plenário, a emenda dos 10,67% concentrou a maior atenção porque, diferente de outras propostas, não pedia um aumento real acima da inflação: buscava apenas recompor perdas salariais já ocorridas em anos anteriores. Ainda assim, foi rejeitada.

Deputada estadual durante votação sobre reajuste dos servidores em 2024
Sessão na Assembleia Legislativa de Minas Gerais tratou do reajuste dos servidores em 2024. Foto: ALMG/Divulgação

Como foi o placar da votação de 2024

Segundo o jornal O Tempo, que acompanhou a sessão, o resultado apertado surpreendeu porque dois deputados de oposição — Macaé Evaristo (PT) e Celinho do Sintrocel (PCdoB) — faltaram à votação por problemas de saúde, o que reduziu o número de votos favoráveis à emenda.

Chamou atenção também o fato de quatro deputados então pré-candidatos a prefeito de Belo Horizonte terem votado a favor do índice maior, entre eles dois nomes ligados à base governista — Mauro Tramonte (Republicanos) e Bruno Engler (PL) —, que nesse ponto específico romperam com a orientação do governo. Do lado da base que rejeitou o índice maior de 10,67% estava a deputada estadual e patrocinense Maria Clara Marra (PSDB), entre outros 33 parlamentares de partidos como PP, PSD, União Brasil, PDT e Novo.

A justificativa oficial

O argumento usado pelos relatores contrários às emendas, tanto na comissão quanto no plenário, foi o de risco fiscal: segundo eles, elevar o índice geral de reajuste sem um estudo de impacto financeiro comprometeria as contas do Estado. Essa foi a linha seguida pela maioria que rejeitou a emenda dos 10,67% em 2024 — o mesmo tipo de argumento fiscal que reapareceria, dois anos depois, em novas rodadas de negociação salarial dos servidores mineiros.

Passados mais de dois anos, a votação sobre o reajuste dos servidores em 2024 voltou a circular nas redes sociais, às vezes misturada a informações de outras datas — inclusive vídeos e listas que tratam de projetos diferentes como se fossem a mesma coisa. Por isso, ao consultar qualquer material sobre o tema que esteja circulando agora, vale checar a data original antes de tirar conclusões sobre votações mais recentes.

Para quem quer entender o registro mais atual de votos sobre o tema, a Folha já apurou também como cada deputado votou na revisão salarial aprovada em 2026, incluindo o resultado final daquela votação, bem diferente da de 2024.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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