Marçal ataca Lula por faltar ao debate da Globo e fala em saúde, sem provas
Em corte de podcast, aliado de Flávio Bolsonaro diz que o presidente falta ao debate por problema de saúde. Não há laudo nem fonte, e a campanha de Lula não explicou a ausência.

Pablo Marçal usou uma entrevista em podcast para atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) horas antes do debate da TV Globo. Em um corte que circula nas redes, o empresário, que passou a integrar a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, afirma que Lula falta ao encontro porque “não está batendo bem da cabeça” e o chama de “Biden da Silva”. Marçal ataca Lula também ao dizer que o petista está “inapto” para se comunicar, para falar e para pensar. Nenhuma dessas afirmações foi acompanhada de documento, laudo ou dado que as sustente.
O vídeo foi publicado pelo perfil RedCast, que recortou um trecho da conversa. Na fala, Marçal prevê que Flávio vença no primeiro turno e diz que o PT nunca perdeu uma eleição nessa fase. Ele ainda sugere que Lula “pode considerar até o final de semana que é ex-presidente”. É uma opinião de um aliado de um adversário, dita em plena reta final da campanha, e a Folha a registra como tal, sem endossar o que foi dito.
Como Marçal ataca Lula no corte
O trecho tem cerca de um minuto. Marçal diz que Lula “não vai no debate hoje” e que, num debate, “ele não consegue”. Em seguida, associa a ausência a uma suposta incapacidade do presidente e usa o apelido para compará-lo ao ex-presidente americano Joe Biden. Ele diz ainda que Lula já perdeu eleições antes e que esta seria a última da carreira. Em nenhum momento do corte aparece prova de problema de saúde, e Marçal não cita fonte, médico ou documento.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Para o leitor, a distinção é simples. O que há de comprovado é que Lula não vai ao debate. A razão para isso não foi divulgada. A tese de Marçal, de que a causa seria uma limitação de saúde ou cognitiva do presidente, é uma acusação dele e não um fato apurado.
O que se sabe sobre a ausência de Lula
A assessoria de Lula informou à TV Globo na quarta-feira (30) que o presidente não participaria do debate marcado para esta quinta-feira (1º), às 21h30, nos estúdios da emissora, no Rio de Janeiro. Como a Folha mostrou na reportagem sobre o presidente fora do debate da Globo, a campanha não explicou o motivo. O jornal O Povo também registrou a confirmação da assessoria e não trouxe nenhuma justificativa. Estão confirmados Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo), com mediação do jornalista César Tralli.
A decisão veio uma semana depois de a Folha informar que Lula chegou a avaliar a ida ao debate, depois do avanço de Flávio nas pesquisas. Aliados defendiam a participação, e outra parte da equipe era contra. Sem Lula no estúdio, os dois primeiros colocados nas pesquisas não se encontram ao vivo antes da votação de domingo (4). Não é a primeira vez nesta campanha: em agosto, no dia do debate da Band, o presidente deu entrevista à TV Record.

Marçal e a campanha de Flávio
Marçal anunciou na terça-feira (29), em uma academia de jiu-jitsu na zona sul de São Paulo, que passou a integrar a equipe de Flávio Bolsonaro, conforme o Poder360. O anúncio aconteceu cinco dias antes do primeiro turno, e Flávio disse que o empresário vai ajudar na formulação de propostas de empreendedorismo e mobilidade social. A Folha detalhou o episódio na matéria sobre a parceria entre Marçal e Flávio. Naquele dia, Marçal já havia pedido que os eleitores votassem em Flávio e dito que “chegou a hora de aposentar o Lula”.
Isso ajuda a entender por que Marçal ataca Lula nesse tom. Marçal fala na condição de integrante da campanha de um adversário direto de Lula, a poucos dias de uma eleição apertada. A fala pesa como peça de campanha, não como informação independente.
Por que a Folha trata a afirmação com cautela
Quando Marçal ataca Lula com um argumento de saúde, ele recorre a um tipo de alegação comum em campanhas e que circula rápido nas redes. Sem laudo, declaração oficial ou fonte identificada, a Folha não as dá como fato. A Justiça Eleitoral, aliás, pode ser acionada quando uma afirmação sobre um candidato é apontada como falsa durante o período eleitoral.
Se a campanha de Lula ou o próprio presidente se manifestarem sobre a ausência no debate ou sobre as declarações de Marçal, a Folha atualizará esta matéria. O espaço está aberto também para Marçal e para a campanha de Flávio Bolsonaro, caso queiram apresentar o embasamento do que foi dito.
O primeiro turno é no domingo (4). Participar de debate é uma escolha de cada candidato, e não há obrigação legal de comparecer.
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