Lula no SBT diz que não precisa aprender responsabilidade com a Faria Lima e nega bomba fiscal
Na sabatina desta segunda (19), o presidente disse que o orçamento terá superávit de 0,1% e criticou a autonomia do Banco Central, a seis dias do 2º turno.

Lula no SBT negou que o pacote de medidas anunciado na reta final da campanha vá virar uma “bomba” nas contas públicas em 2027 e disse que não precisa “aprender responsabilidade com a Faria Lima”. A resposta veio na sabatina do SBT Brasil desta segunda-feira (19), a seis dias do segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). O trecho passou a circular nas redes ainda na noite de segunda, com apoiadores de Flávio acusando o presidente de responder com rispidez à jornalista.
A pergunta feita a Lula no SBT
Uma das jornalistas da bancada citou medidas como o reajuste do Bolsa Família, o perdão de dívidas de microempreendedores individuais e o passe livre nos fins de semana. Disse que elas agravam o déficit fiscal e que a dívida acumulada pelo governo “é uma bomba que vai estourar no ano que vem”. Em seguida, perguntou como Lula resolveria isso se for reeleito e pediu que ele apontasse a fonte de financiamento de cada medida, ponto que, segundo ela, vem sendo muito criticado.

O que Lula respondeu
“Tudo o que está sendo aprovado está nas possibilidades fiscais do orçamento. Não tem nada. Nós estamos entregando o orçamento com superávit primário”, afirmou. “Eu não sei de onde você tira essa ideia de que é uma bomba que vai estourar. Não é bomba que vai estourar.”
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.O presidente usou os dois primeiros mandatos como argumento. Disse que fez superávit primário em todos os anos daquele período e que foi o único presidente do G20 a conseguir isso. Sobre o mandato atual, afirmou que recebeu “um país quebrado”, com déficit de 2,8%, e que agora entrega um orçamento com superávit de 0,1%. Os números são do próprio Lula, ditos durante a entrevista.
A frase que mais circulou foi esta: “É uma demonstração de que eu não preciso aprender responsabilidade com a Faria Lima”. Lula completou dizendo que, como pai de família e ex-trabalhador de fábrica, sabe que “a gente não pode gastar o que a gente não tem”.
Críticas ao Banco Central independente
Na mesma resposta, o presidente atribuiu ao sistema financeiro a pressão que, segundo ele, aparece “todo começo de ano” sobre as contas públicas e disse que o grande problema do país é a dívida com os bancos. Também criticou a autonomia do Banco Central, aprovada em 2021. “Você não pode ser presidente da República e não poder discutir a política monetária porque o Banco Central é independente”, disse. Lembrou ainda que manteve Henrique Meirelles na presidência do banco durante os oito anos dos dois primeiros mandatos.
A regra fiscal em vigor
Desde 2023, as contas do governo federal seguem o regime fiscal sustentável, criado pela Lei Complementar 200, que substituiu o teto de gastos. A lei fixa metas de resultado primário e limita o crescimento das despesas a uma parte do aumento da receita. É por esse critério que o governo diz ter espaço para as medidas anunciadas. A pergunta feita a Lula no SBT questionava justamente se esse espaço existe para 2027.
Alpha for MenA disputa no segundo turno
O chamado “pacote de bondades” virou um dos temas da reta final. O senador mineiro Carlos Viana acusou o governo de estelionato eleitoral com as medidas, enquanto a campanha de Lula diz que os projetos já tramitavam no Congresso e dependiam de espaço no orçamento. Lula e Flávio se enfrentam nas urnas no domingo, 25 de outubro, e a Folha acompanha a contagem na apuração em tempo real. Em Patrocínio, Flávio teve 61,18% dos votos válidos no primeiro turno, e Lula, 30,44%, segundo o TSE.
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