Trackings eleitorais não valem como pesquisa: as registradas dão 51,1% a Flávio
Números de levantamentos internos atribuídos a três partidos circularam sem registro no TSE. Nas 13 pesquisas registradas do 2º turno, Flávio lidera em 12, e Lula, em uma.

Números atribuídos a trackings eleitorais de três partidos circularam nas redes nesta segunda-feira (19), a seis dias do segundo turno, com Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Lula (PT) por uma distância maior que a das pesquisas oficiais. Esses levantamentos são internos e não têm registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Por isso a Folha não reproduz os percentuais. Nas pesquisas registradas, Flávio lidera em 12 de 13 institutos, e a mediana calculada pela Folha é de 51,1% a 48,9% nos votos válidos. O quadro completo, com o número de registro de cada uma, está na página de pesquisas do 2º turno.
O texto que acompanhava os números credita a vantagem do senador à atuação dos bolsonaristas nas redes e ao desgaste do governo. Ele mesmo admite que os dados não foram confirmados de forma independente. Nenhum dos três partidos foi identificado, e não se sabe quantas pessoas foram ouvidas, em que datas nem com qual método.
O que são os trackings eleitorais
Tracking é o levantamento que as campanhas fazem todos os dias, ou quase, para acompanhar o humor do eleitor. A amostra costuma ser menor que a de uma pesquisa completa, e o resultado de cada dia se soma aos anteriores numa média móvel. Partidos e marqueteiros usam esse acompanhamento para decidir onde o candidato vai fazer campanha, que tema entra na propaganda e como reagir depois de um debate.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Como o tracking é feito para uso interno, quem paga escolhe o que mostra e o que guarda. Quando um número vaza ou é divulgado pela própria campanha, o eleitor não tem como saber se ele é o retrato completo ou um recorte escolhido a dedo.
Por que tracking sem registro não vale como pesquisa
A Lei das Eleições (Lei 9.504/1997) obriga quem faz pesquisa eleitoral para conhecimento público a registrá-la na Justiça Eleitoral até cinco dias antes de divulgar. O registro informa quem contratou e pagou, o valor, a metodologia, o período das entrevistas, o plano de amostra, a margem de erro e o questionário completo.
Segundo o artigo 33 da lei, divulgar pesquisa sem esse registro sujeita os responsáveis a multa de 50 mil a 100 mil Ufir. Divulgar pesquisa fraudulenta é crime, com pena de detenção de seis meses a um ano. A multa alcança também quem publica o resultado, e por isso jornais e emissoras citam o número de registro junto de cada pesquisa.

Trackings eleitorais e as pesquisas registradas: o que mostram os números
Três institutos divulgaram rodada nova nesta segunda-feira. A PoderData/Aya, com entrevistas de 16 a 18 de outubro, deu 52% a 48% para Flávio (registro BR-02586/2026). A AtlasIntel, de 13 a 18 de outubro, deu 51,1% a 48,9% (BR-02418/2026), com margem de 1 ponto. A BTG/Nexus, de 16 a 18 de outubro, deu 50,3% a 49,7% (BR-04499/2026), empate técnico.
Alpha for MenNo domingo (18), a Vox Brasil foi a única a mostrar Lula na frente, com 51% a 49% (BR-04332/2026). Nos dias anteriores, o Ipespe tinha dado 51,2% a 48,8% para Flávio, o Datafolha 51% a 49% e a Gerp 52% a 48%.
A mediana usa a rodada mais recente de cada um dos onze institutos com amostra sorteada e coleta depois do primeiro turno. Com a nova BTG/Nexus no lugar da anterior, o valor do meio continua em 51,1% para Flávio e 48,9% para Lula. Em boa parte das pesquisas, a distância entre os dois fica dentro do que os institutos chamam de empate técnico, quando a diferença é menor que o dobro da margem de erro.
Nenhuma dessas rodadas mede por inteiro o efeito do debate da Band, que foi na noite de domingo, depois de encerradas as entrevistas da PoderData e da BTG/Nexus. O que se sabe sobre o desempenho de cada candidato está em quem ganhou o debate da Band.
Como conferir se uma pesquisa é registrada
Qualquer eleitor pode consultar o sistema de pesquisas eleitorais do TSE pelo número de registro, no formato BR-00000/2026 para as nacionais. Lá aparecem o contratante, o valor pago, o questionário e a amostra. Card de rede social sem número de registro, ou com a explicação de que os dados são de levantamento interno, não é pesquisa eleitoral no sentido da lei.
Pesquisa registrada também não é previsão. No primeiro turno, a maioria dos institutos subestimou Flávio, como a Folha mostrou em por que as pesquisas erraram. A urna deu 47,03% dos votos válidos ao senador e 45,16% a Lula.
E em Patrocínio
As pesquisas nacionais não medem o eleitor de Patrocínio (MG). O dado local é o da urna: no primeiro turno, segundo o TSE, Flávio teve 31.008 votos na cidade, 61,18% dos válidos, e Lula teve 15.427, ou 30,44%, como a Folha mostrou em vantagem de Flávio. O segundo turno é no domingo, 25 de outubro, e a contagem dos votos poderá ser acompanhada na apuração em tempo real.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






