O empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), passou a responder a mais um dos inquéritos de Lulinha abertos no Supremo Tribunal Federal. O ministro Flávio Dino autorizou nesta terça-feira (4) a instauração da terceira investigação sobre suspeita de tráfico de influência envolvendo o filho do presidente, atendendo a um pedido formal da Polícia Federal.

Além de formalizar essa apuração, Dino também abriu uma segunda frente: uma investigação para checar possíveis vazamentos ilegais de dados sigilosos de Lulinha, pedido que partiu da própria defesa do empresário. Com isso, o total de processos que miram o filho do presidente no STF chega a três, todos girando em torno de suspeitas de tráfico de influência.

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Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, alvo de um dos inquéritos de Lulinha no STF
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. Foto: Greg Salibian/Folhapress

Como ficam os inquéritos de Lulinha no STF

Os outros dois inquéritos contra Lulinha seguem sob relatoria do ministro André Mendonça e correm em sigilo na Corte. O primeiro deles apura uma possível articulação do empresário junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete da Presidência da República, na tentativa de viabilizar a comercialização de cannabis medicinal no país. Essa frente cita a atuação de Lulinha ao lado da empresária Roberta Luchsinger e do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, além de registros de contatos com servidores públicos, entre eles integrantes do gabinete de Lula.

O Ministério da Saúde já se manifestou sobre o caso e negou qualquer vínculo contratual com a World Cannabis, empresa ligada a Antunes, afirmando que nunca destinou recursos públicos à companhia.

O segundo inquérito tem como alvo uma possível atuação de Lulinha junto à Dataprev, estatal vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, para favorecer um empresário na obtenção de contratos públicos. Segundo relatório da Polícia Federal, o empresário Cleber Ribas de Oliveira, sócio da empresa 3STRUCTURE IT, teria custeado ao menos uma viagem de Lulinha em troca de supostos favores dentro do governo. A Dataprev nega qualquer contrato com a empresa de Cleber Ribas de Oliveira e diz atuar com transparência perante os órgãos de controle.

O que diz a defesa de Lulinha

Procurada, a defesa de Lulinha não se manifestou especificamente sobre esse novo capítulo dos inquéritos de Lulinha autorizado por Dino. Em posicionamentos anteriores, os advogados classificaram as apurações como uma “pesca probatória” e sustentaram que o empresário nunca atuou para beneficiar terceiros junto a órgãos públicos. A defesa também já disse haver motivação política por trás da sequência de investigações abertas contra Lulinha nos últimos dias.

De acordo com apuração da Folha de S.Paulo, replicada pelo ND+, essa terceira frente também envolve suspeitas sobre a atuação da mesma empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, favorecendo uma empresa em negociações com um órgão público. A Polícia Federal quer entender se houve, de fato, tráfico de influência nesses contatos.

A Folha de Patrocínio já havia acompanhado o pedido inicial da PF para a abertura dessa terceira apuração. Agora, com a autorização de Dino, o pedido vira, de fato, inquérito formal.

Lula diz que filho não terá tratamento diferenciado

Na semana passada, antes mesmo da decisão de Dino, o presidente Lula já havia comentado publicamente a sequência de inquéritos contra o filho. Ele afirmou que Lulinha não contará com qualquer tipo de privilégio ao longo dos processos e que caberá à Justiça apurar os fatos normalmente.

“Quando eu vejo essas barbaridades faladas contra o meu filho… se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa. Eu jamais pedirei para um delegado ou para um juiz não fazer as coisas corretas”, disse o presidente. Lula completou dizendo que o filho “vai ter que provar que é inocente” e que, se for considerado culpado, “vai ter que pagar o que todo mundo paga quando erra”.

Quem é Lulinha

O empresário no centro dos inquéritos de Lulinha é o filho mais velho do presidente Lula com a ex-primeira-dama Marisa Letícia, morta em 2017. Formado em biologia, ele mora atualmente na Espanha e tem se tornado alvo recorrente de investigações da Polícia Federal desde que teve os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados, autorizados por Mendonça ainda em janeiro deste ano, no âmbito da apuração sobre descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS.

A sequência de decisões chama atenção pelo intervalo curto: três autorizações para investigar o mesmo empresário em poucos dias, sendo duas assinadas por Mendonça e a mais recente por Dino, todas em torno da mesma suspeita central, o uso de influência junto à administração pública em troca de benefícios pessoais ou empresariais.

O que pode acontecer a partir de agora

Com os inquéritos de Lulinha formalmente abertos e somando três frentes, a Polícia Federal deve seguir colhendo depoimentos, documentos e registros de comunicação para tentar comprovar ou descartar as suspeitas de tráfico de influência. Enquanto os processos correm em sigilo, cabe à defesa de Lulinha apresentar suas manifestações a cada novo pedido da PF referendado pelos ministros do STF. Não há, até o momento, denúncia formal contra o empresário: os inquéritos são a fase de apuração que antecede uma eventual decisão do Ministério Público sobre oferecer ou não uma ação penal.


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Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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