Inflação de setembro: tomate sobe 37,76% e energia pesa mais
IPCA de setembro, divulgado pelo IBGE em 9 de outubro, teve alta em todos os nove grupos e levou a inflação em 12 meses a 4,58%, acima do teto da meta de 4,5%.

A inflação de setembro foi de 0,82%, e o que mais puxou o índice foi a comida do dia a dia: o tomate subiu 37,76% em um mês e a batata-inglesa, 24,07%. É o que mostra o IPCA divulgado pelo IBGE na sexta-feira (9), a medida oficial de inflação do país. Em 12 meses, o índice chegou a 4,58%, acima dos 4,22% registrados até agosto.
O resultado vem depois de um mês de queda. Em agosto, o IPCA havia recuado 0,32%, e em setembro do ano passado a alta tinha sido de 0,48%. No acumulado de 2026, o índice soma 3,95%. Os números constam do relatório do IBGE sobre o IPCA e o INPC de setembro, que reúne a variação de cada grupo e de cada região pesquisada.
Os itens que mais subiram na inflação de setembro
Todos os nove grupos de produtos e serviços ficaram mais caros no mês. Habitação teve a maior alta (2,31%), seguida de Transportes (0,89%) e Alimentação e bebidas (0,83%). Juntos, esses três grupos responderam por cerca de 86% do resultado do mês, segundo o instituto.
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| Item | Grupo | Variação em setembro |
|---|---|---|
| Tomate | Alimentação | 37,76% |
| Batata-inglesa | Alimentação | 24,07% |
| Cebola | Alimentação | 10,14% |
| Passagem aérea | Transportes | 9,66% |
| Energia elétrica residencial | Habitação | 7,98% |
| Arroz | Alimentação | 4,56% |
A tabela mostra os itens que o instituto destacou no texto do relatório, e não a lista completa de todos os produtos e serviços acompanhados. Por isso, “maior alta” vale aqui apenas entre os itens citados.

Tomate, batata e cebola: o que pesou na mesa
A alimentação no domicílio subiu 0,96% em setembro, depois de três meses seguidos de queda no grupo. Além do tomate, da batata e da cebola, o arroz ficou 4,56% mais caro e as carnes, 0,63%. Do lado das quedas, o frango inteiro baixou 1,96%, o frango em pedaços, 1,41%, e as frutas, 1,12%.
Já a alimentação fora de casa acelerou de 0,36% em agosto para 0,48% em setembro. A refeição passou de 0,18% para 0,49%, e o lanche foi de 0,62% para 0,47%.
Conta de luz e passagem aérea
O maior impacto individual no índice veio da energia elétrica residencial, que respondeu sozinha por 0,32 ponto percentual dos 0,82% do mês. Segundo o IBGE, o fim do Bônus de Itaipu, que havia sido creditado nas faturas emitidas em agosto, explica a alta de 7,98%. A bandeira tarifária amarela segue em vigor e acrescenta R$ 1,885 à conta a cada 100 kWh consumidos.
Alpha for MenEm Transportes, as passagens aéreas subiram 9,66% e os combustíveis, 1,41%. O etanol avançou 3,16%, o diesel, 1,69%, a gasolina, 1,21% e o gás veicular, 0,10%.
O que a inflação de setembro mostra por região
A maior variação regional foi a de Vitória (1,08%), onde a energia subiu 10,85% e o tomate, 43,19%. A menor ficou com Rio Branco (0,53%), por causa da queda de 14,13% nas passagens aéreas e de 7,40% no ovo de galinha. Belo Horizonte registrou 1,07% no mês, a segunda maior taxa entre as regiões, e 4,16% em 12 meses.
O INPC, índice que mede a inflação para famílias com renda menor, ficou em 0,82% no mês e em 4,29% em 12 meses. Nesse índice, os alimentos saíram de -0,34% em agosto para 0,80% em setembro.
O que o índice não diz
O IPCA mede a variação média de preços de um conjunto de itens em 16 regiões, e cada família sente a inflação de um jeito, conforme o que consome. Quem compra mais tomate e batata do que passagem aérea, por exemplo, sentiu um mês diferente de quem viaja com frequência. O índice também compara os preços de setembro com os de agosto, e parte da alta é a devolução de uma queda anterior, como no caso da energia, que havia recebido um crédito em agosto.
Também não é possível, a partir de um mês, dizer para onde a inflação vai: a inflação de setembro é um retrato de 30 dias. A variação de 12 meses (4,58%) está acima do teto de 4,5% da meta de inflação, e os próximos resultados dirão se setembro foi um desvio ou o começo de uma tendência.
Como fica Patrocínio
Patrocínio não está entre as cidades pesquisadas pelo IPCA. Belo Horizonte é a única região da lista do IBGE em Minas Gerais, e lá a inflação de setembro foi de 1,07%, acima dos 0,82% do país. O consumidor que perceber aumento de preço sem justificativa, cobrança indevida ou propaganda enganosa pode procurar o Procon Municipal de Patrocínio.
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