MP manda à Procuradoria Eleitoral apuração sobre ato no hospital de Espinosa
Despacho de 1º de outubro diz que o vídeo apresentado não tem falas degraváveis e que perfis oficiais não ligam a inauguração à campanha. Não houve decisão de mérito.

Uma inauguração no hospital de Espinosa, no Norte de Minas, virou caso para a Procuradoria Regional Eleitoral. A suspeita, levada ao Ministério Público por um morador do distrito de Itamirim, é de que o deputado estadual Tadeu Leite tenha pedido votos para a deputada Maria Clara Marra, de Patrocínio, durante a cerimônia.
Quem mandou o caso adiante foi o promotor João Lucas Teixeira Bebé, da Promotoria de Justiça de Espinosa, em despacho de 1º de outubro na Notícia de Fato nº 02.16.0243.0449443.2026-45. Ele não decidiu sobre o mérito: concluiu que a análise cabe a outro órgão e remeteu o procedimento.
O que diz a representação sobre o ato no hospital de Espinosa
A Notícia de Fato começou com uma representação de João Ricardo Mendes, que assina como jornalista independente. Segundo ele, Tadeu Leite teria pedido votos para Maria Clara Marra, candidata com o número 45300, na cerimônia de 28 de setembro em que o Hospital Municipal inaugurou novas repartições. O prefeito Nilson Fáber Sepúlveda estava presente.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.O autor pede que o Ministério Público apure possível uso de bem público e discurso eleitoral dentro de uma unidade de saúde, com base no artigo 73 da Lei 9.504/97, a Lei das Eleições. O artigo lista condutas proibidas a agentes públicos durante a campanha, entre elas usar ou ceder bens públicos em benefício de candidato. Quando a infração é comprovada, a lei prevê punições que vão de multa à cassação do registro ou do diploma.
No mesmo documento, ele pede informações sobre um aparelho de raio-X que estaria parado há cerca de oito meses e orientação sobre uma publicação institucional com imagens de alunos. No fim, afirma que o relato se baseia no que observou e no que foi publicado, e que pede apuração em tese, sem afirmar que houve crime.
A versão da representação enviada à Folha fala na inauguração de “02 leitos” e cita “out/2024”. O despacho do Ministério Público trata do evento de 28 de setembro de 2026 e de “novas repartições” do hospital.

O que o oficial do MP encontrou
Antes de decidir, o promotor mandou um oficial do Ministério Público examinar o vídeo indicado e procurar publicações sobre o evento no hospital de Espinosa nas redes sociais. O oficial usou o aplicativo MEDI, que gera relatórios de evidência digital.
Segundo o despacho, o vídeo apresentado não tem falas que possam ser degravadas, ou seja, transcritas. Os perfis do prefeito, da Prefeitura, de Tadeu Leite e de Maria Clara Marra também não têm publicações ligando o evento à campanha.
Os discursos da solenidade apareceram em vídeos de dois perfis jornalísticos, @tvfronteiranoticia e @jotvnet. Nesses perfis, o oficial também achou uma publicação sobre verba estadual que o deputado destinou à reforma do Mercado Central de Espinosa. As falas de Tadeu Leite e do prefeito foram degravadas na íntegra, e o material ficou preservado no procedimento.
Por que o caso saiu de Espinosa
O promotor explica que, em eleição geral, como a de deputado estadual, quem julga esse tipo de caso é o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais. Os promotores eleitorais das cidades ajudam a reunir provas, mas a decisão de propor alguma ação é da Procuradoria Regional Eleitoral, braço do Ministério Público Federal que atua junto ao TRE. Por isso, a análise do ato no hospital de Espinosa foge à atribuição da promotoria local.
Ele classificou a remessa como urgente, por causa da proximidade da eleição e dos prazos curtos das representações eleitorais. O primeiro turno é neste domingo, 4 de outubro.
O despacho determina quatro providências: enviar a íntegra da Notícia de Fato à Procuradoria, avisar o autor da representação, manter o sigilo decretado no procedimento e arquivar a Notícia de Fato na promotoria, com uma cópia guardada para eventuais pedidos da Procuradoria. Esse arquivamento vale só para a promotoria de Espinosa. O caso continua, agora sob análise da Procuradoria Regional Eleitoral.

Maria Clara Marra é deputada estadual de Patrocínio e tenta a reeleição neste domingo. Espinosa fica no extremo norte de Minas, na divisa com a Bahia, a mais de 600 km de Patrocínio em linha reta.
A Folha abre espaço para que o deputado Tadeu Leite, o prefeito Nilson Fáber Sepúlveda e a deputada Maria Clara Marra se manifestem sobre o caso do hospital de Espinosa. Outras notícias da campanha estão na cobertura das eleições 2026 da Folha.
Nota de transparência
O redator-chefe da Folha de Patrocínio responde a duas ações de direito de resposta movidas por Maria Clara Matos Marra no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (processos nº 0602659-53.2026 e nº 0602687-21.2026, este já encerrado). Essa relação não interferiu na apuração desta reportagem, que se baseia no despacho de 1º de outubro de 2026 do promotor João Lucas Teixeira Bebé e na representação enviada à Folha por João Ricardo Mendes.
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