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Alto Paranaíba decreta emergência econômica no campo

Rio Paranaíba, São Gotardo, Serra do Salitre e Ibiá reconhecem oficialmente a crise no setor rural e abrem caminho para renegociação de dívidas com bancos e cooperativas.

Colheita de soja em lavoura, ilustrando a emergência econômica no campo declarada por municípios do Alto Paranaíba
Colheita de soja em lavoura, ilustrando a emergência econômica no campo declarada por municípios do Alto Paranaíba

Quatro municípios do Alto Paranaíba declararam emergência econômica no campo nesta semana. Depois de Rio Paranaíba abrir o movimento, São Gotardo e Serra do Salitre publicaram decretos semelhantes nesta terça-feira (18/08), reconhecendo oficialmente as dificuldades que produtores rurais da região enfrentam com a queda nos preços e o aumento dos custos de produção.

O que diz o decreto de Serra do Salitre

Em Serra do Salitre, o Decreto nº 063/2026 declarou situação de emergência econômica no setor agropecuário do município. O texto cita expressamente São Gotardo, Ibiá e Rio Paranaíba como cidades vizinhas que também formalizaram medidas parecidas, reconhecendo que o problema não é local, mas regional.

A medida abrange soja, milho, feijão, trigo, sorgo, café, alho, cebola, batata, cenoura, outras hortaliças, fruticultura e pecuária. Segundo o decreto, a crise tem afetado o capital de giro dos produtores e gerado impacto também no comércio e na economia do município. Na prática, o texto dá respaldo institucional a quem precisar negociar prazos e condições de pagamento de dívidas rurais: a Prefeitura poderá emitir documentos e laudos que comprovem a situação enfrentada pelos produtores locais.

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A emergência econômica no campo declarada em Serra do Salitre tem validade de 180 dias, podendo ser prorrogada se as dificuldades continuarem. O decreto deixa claro que a medida tem natureza econômica, social e setorial, e não representa perdão de dívidas ou impostos, nem se confunde com situação de emergência para fins de Defesa Civil.

São Gotardo também declara emergência, com números da crise

Em São Gotardo, o Decreto nº 263, de 17 de agosto de 2026, apresentou dados que ajudam a entender a dimensão do problema. Segundo o documento, a saca de soja tem preço médio de R$ 114, enquanto o custo de nivelamento da produção fica entre R$ 141 e R$ 146. No milho safrinha, o preço médio informado é de R$ 57 por saca, diante de custos entre R$ 82 e R$ 86. A conta, em ambos os casos, fecha no vermelho para quem planta.

O decreto de São Gotardo também aponta dificuldades na cadeia do alho e prejuízos em culturas como cenoura, batata e cebola, além de destacar que a movimentação econômica do campo influencia diretamente o comércio e o setor de serviços da cidade.

Colheita de soja em lavoura, ilustrando a emergência econômica no campo declarada por municípios do Alto Paranaíba
Colheita de soja: foto ilustrativa (domínio público/USDA), não do local exato dos decretos.

O que muda na prática com a emergência econômica no campo

Declarar emergência econômica no campo não libera recursos automáticos nem cancela dívidas, mas funciona como uma peça formal que o produtor pode usar em negociações com bancos, cooperativas de crédito e fornecedores. Com o decreto publicado, a Prefeitura passa a ter respaldo para emitir laudos e declarações que comprovem, de forma oficial, que a região atravessa dificuldades reais no setor rural, o que costuma facilitar pedidos de prorrogação de prazos ou renegociação de parcelas.

Um problema que já é regional

Rio Paranaíba foi o primeiro a decretar emergência econômica no setor agropecuário, na segunda-feira (17/08). Ibiá já havia adotado medida semelhante antes, pelo Decreto Municipal nº 6.984, de 28 de julho de 2026. Com São Gotardo e Serra do Salitre formalizando a mesma medida na terça, quatro cidades do Alto Paranaíba reconhecem oficialmente que a crise no campo não afeta só um município isolado.

Entre os objetivos declarados nos decretos está ampliar a articulação dos municípios com os governos estadual e federal, instituições financeiras, cooperativas de crédito e entidades representativas do setor, além de dar suporte aos produtores em processos de renegociação e reestruturação de dívidas rurais. Patrocínio, cidade vizinha e também polo agrícola do Cerrado Mineiro, não integra a lista de municípios que já decretaram emergência, mas convive com o mesmo cenário de preços baixos e custos altos enfrentado pelos vizinhos. Outras notícias da região podem ser acompanhadas na cobertura de região da Folha de Patrocínio.

Nota de transparência

Esta matéria usa como base a apuração do portal Paranaíba Agora, que teve acesso direto aos textos dos decretos municipais. A Folha de Patrocínio vai acompanhar se outros municípios da região, incluindo Patrocínio, adotam medida semelhante.


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Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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