Eduardo Cunha em Minas tem 32 mil votos e não se elege
Os votos do ex-presidente da Câmara aparecem como anulados sub judice no TSE, porque o TRE-MG barrou o registro e o recurso segue pendente. Ele teve 0,28% dos válidos.

Eduardo Cunha em Minas não conseguiu a vaga na Câmara dos Deputados. No boletim do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) das 22h57 deste domingo (4), o ex-presidente da Câmara, candidato a deputado federal pelo Republicanos, tinha 32.070 votos, registrados como “anulado sub judice”: o TRE-MG barrou a candidatura dele e o recurso ainda depende de decisão da Justiça Eleitoral.
Para dimensionar o número: Minas elege 53 deputados federais, e o quociente eleitoral do estado foi de 214.704 votos. Cunha somou 32.070 votos, o equivalente a cerca de 15% desse quociente e a 0,28% dos votos válidos. Sem a proclamação oficial, a Folha não afirma quem ocupa as 53 vagas, mas a votação nominal de Cunha ficou bem abaixo da do 53º mais votado do estado, que tinha 56.958 votos.
O que significa “anulado sub judice”
A expressão vale para o candidato que disputa a eleição com o registro ainda em discussão na Justiça. Os votos dele ficam separados dos votos válidos e só passam a contar se o tribunal, no fim, aceitar a candidatura. Onze candidatos a deputado federal em Minas estavam nessa condição no boletim das 22h57, e Cunha tinha a segunda maior votação entre eles, atrás de Ruy Muniz (42.991 votos).
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.É o caso da candidatura de Eduardo Cunha em Minas. Em 3 de setembro, o TRE-MG rejeitou o registro por unanimidade, num julgamento relatado pelo desembargador Sálvio Chaves, segundo o Portal G37. O tribunal entendeu que a inelegibilidade decorrente da cassação do mandato, em setembro de 2016, só termina em 1º de fevereiro de 2027.

A discussão sobre quando acaba a inelegibilidade
O ponto central do processo é a contagem do prazo de oito anos de inelegibilidade previsto na Lei da Ficha Limpa. A defesa de Cunha sustenta que o prazo corre a partir da cassação, o que o deixaria elegível desde setembro de 2024, com base numa mudança na lei aprovada pelo Congresso em 2025. O TRE-MG aplicou a regra anterior, pela qual os oito anos começam a contar só depois do fim da legislatura em que o mandato foi cassado, e declarou inconstitucionais os trechos da lei complementar que alteravam essa contagem.
A defesa informou que levaria o caso ao TSE. Até a publicação desta matéria, a Folha não encontrou notícia de julgamento do recurso. A ação que questionava a elegibilidade havia sido movida pela vereadora de Juiz de Fora Roberta Lopes Alves (PL), como a Folha mostrou quando o TRE-MG intimou Cunha a se defender.
O que Cunha disse sobre a derrota
Em declaração publicada pela rádio Itatiaia, Cunha atribuiu o resultado de Eduardo Cunha em Minas a dois fatores. O primeiro seria a informação, espalhada pelo estado, de que votar nele seria perder o voto por causa da impugnação. O segundo, a votação de Nikolas Ferreira (PL), que, segundo ele, tirou votos da base que tinha. Ele se disse “vítima da situação”.
Nikolas, de fato, concentrou a eleição de deputado federal em Minas: passou de 3,1 milhões de votos, como a Folha mostrou no recorde de Nikolas, e ficou com 27,20% dos votos válidos do estado. Se o peso dessa votação explica ou não o resultado de Cunha, é uma tese dele, que os números do TSE por si sós não comprovam.
A campanha de Eduardo Cunha em Minas depois de São Paulo
Cunha, que é carioca e nunca teve mandato eletivo em Minas, transferiu o domicílio eleitoral para Belo Horizonte para disputar a vaga. Em 2022, tinha tentado voltar à Câmara por São Paulo, pelo PTB, e teve 5.044 votos, 383º colocado, segundo o jornal O Fator. A candidatura mineira dele já causava desconforto no próprio partido, como a Folha contou na convenção nacional do Republicanos, em agosto.
A trajetória de Cunha na Câmara terminou em 2016. Eleito deputado pelo Rio de Janeiro, ele presidiu a Casa em 2015, quando aceitou o pedido de impeachment de Dilma Rousseff, e foi cassado por quebra de decoro parlamentar em setembro de 2016, em episódio ligado a contas bancárias mantidas no exterior. A votação no plenário foi de 450 votos a favor da cassação e 10 contra, segundo o SBT News.
Os números de 2026 de Eduardo Cunha em Minas vêm do painel de resultados do TSE, em boletim parcial, e podem mudar até a totalização final. Os dados de 2022 e a votação da cassação foram retirados do O Fator e do SBT News.
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