A convenção nacional do Republicanos, realizada nesta terça-feira (4) em Brasília, teve mais de um nome incomodando a cúpula do partido. Além do vaivém do senador Cleitinho Azevedo sobre a disputa pelo governo de Minas, a candidatura de Eduardo Cunha a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo estado gerou desconforto entre parlamentares presentes ao evento.

Um mineiro de circunstância

Cunha, que é carioca e nunca teve mandato eletivo em Minas Gerais, decidiu concorrer pelo estado nas eleições de 2026. Em 2022, ele já havia tentado, sem sucesso, retornar à Câmara pelo estado de São Paulo. A candidatura de Eduardo Cunha por Minas foi confirmada em convenção estadual do partido, na Assembleia Legislativa, no fim de julho, e chega agora à convenção nacional em meio a outro capítulo da novela eleitoral do Republicanos mineiro.

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Segundo apuração do Metrópoles, a decisão do partido de manter a candidatura de Eduardo Cunha ocorre mesmo com a oposição pública do senador Cleitinho, que já chegou a chamar o ex-deputado de “vagabundo” e “canalha” em manifestações públicas, e chegou a apresentar queixa-crime contra ele por causa das declarações. O presidente do diretório estadual do Republicanos em Minas, Euclydes Pettersen, afirmou que a candidatura é uma prerrogativa das convenções partidárias e do próprio eleitorado, e que a legenda não pretende interferir na decisão.

O histórico que incomoda parte da legenda

Eduardo Cunha presidiu a Câmara dos Deputados entre 2015 e 2016, período em que teve papel central na tramitação do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Ainda em 2016, o próprio mandato de Cunha foi cassado pelo Conselho de Ética da Câmara, por quebra de decoro parlamentar, após ele negar sob juramento, à CPI da Petrobras, ser titular de contas bancárias não declaradas na Suíça.

Em 2017, a Justiça Federal o condenou a mais de 15 anos de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, no âmbito da Operação Lava Jato. A condenação foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal em 2023, decisão que abriu caminho para a tentativa de retorno de Cunha à vida político-partidária. Atualmente, segundo reportagens recentes, ele é alvo de apuração da Polícia Federal sobre a indicação de cerca de R$ 6,1 milhões em emendas parlamentares num período em que não ocupava mandato de deputado.

Reação nos bastidores da convenção

De acordo com relatos de parlamentares presentes à convenção nacional, nomes do Republicanos mais associados a pautas de combate à corrupção evitaram aparecer publicamente ao lado de Cunha durante o evento em Brasília. A avaliação de parte da bancada é que sua presença teria feito mais sentido restrita à convenção mineira, palco da disputa em que ele de fato concorre.

A defesa de Eduardo Cunha, por sua vez, protocolou nas últimas semanas ao menos quatro pedidos de urgência em tribunais de Justiça, solicitando certidões que atestem a ausência de decisões condenatórias em vigor contra ele. O objetivo declarado é evitar que uma eventual candidatura seja barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral após o registro oficial.

Eduardo Cunha durante sessão na Câmara, época da candidatura de Eduardo Cunha por Minas Gerais
Eduardo Cunha durante sessão na Câmara dos Deputados, em 2015. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Até a publicação desta matéria, a assessoria de Eduardo Cunha não havia se manifestado publicamente sobre o clima relatado por parlamentares durante a convenção em Brasília.

A convenção nacional marcou, no mesmo dia, dois pontos de tensão para a legenda em Minas Gerais: de um lado, a reviravolta do senador Cleitinho sobre a disputa ao governo do estado; de outro, o desconforto gerado pela candidatura de Eduardo Cunha à Câmara. Os dois episódios expõem divisões internas do partido mineiro às vésperas de um ano eleitoral decisivo, num momento em que o Republicanos tenta consolidar uma chapa competitiva para as eleições estaduais e federais de 2026.

Para acompanhar outros desdobramentos da política estadual e nacional, veja também as demais matérias da editoria de Política da Folha de Patrocínio, incluindo a cobertura sobre a candidatura de Cleitinho ao governo de Minas.


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