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Eduardo Azevedo e Ana Elisa trocam acusações

Deputado do PL acusa a petista de usar a morte do irmão para fazer política; ela havia dito que a direita foi desumana com Cleitinho em julho.

Eduardo Azevedo, de camiseta preta, e Ana Elisa, de regata branca, em imagens de vídeo lado a lado
Eduardo Azevedo, de camiseta preta, e Ana Elisa, de regata branca, em imagens de vídeo lado a lado

Eduardo Azevedo e Ana Elisa trocaram acusações públicas nesta segunda-feira (12) por causa da morte de Matheus Azevedo, irmão caçula do governador eleito Cleitinho (Republicanos). O deputado estadual do PL disse que a deputada federal eleita do PT usou o luto da família para fazer política. Ela havia afirmado, em entrevista, que a direita foi “desumana” com Cleitinho em julho.

O embate chega a 13 dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), e reabre a discussão sobre o que aconteceu com a candidatura de Cleitinho no mês em que ele perdeu o irmão.

Eduardo Azevedo e Ana Elisa: o que cada um disse

Ana Elisa Santos Silva tem 21 anos, nasceu em Divinópolis, é influenciadora digital e estudante de Direito. Eleita pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), foi a segunda deputada federal mais votada de Minas, atrás de Nikolas Ferreira (PL). Em entrevista, ela afirmou que a direita foi “desumana” com Cleitinho. Segundo a petista, o irmão do senador morreu de câncer e, passada uma semana, Flávio Bolsonaro escolheu outro candidato ao governo de Minas.

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O deputado estadual Eduardo Azevedo, de terno escuro, discursando na tribuna da Assembleia de Minas
O deputado estadual Eduardo Azevedo (PL) na tribuna. Foto: DJ Aurelio Nunes/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Eduardo Azevedo, deputado estadual reeleito pelo PL, respondeu. Para ele, desumano é usar a morte do irmão para promover o que chamou de “política suja”, característica, na avaliação dele, do PT. O deputado também disse: “Pode falar mal de mim, do Gleidson, do Cleitinho, de quem mais você quiser. Mas não fala mal do meu irmão.” Gleidson é irmão gêmeo de Cleitinho.

Eduardo Azevedo acusou ainda a deputada eleita de tentar dividir a direita mineira em pleno segundo turno e prometeu “desmascarar” o que chamou de mentiras dela. Disse ter resgatado postagens antigas que atribui a Ana Elisa para sustentar que ela defende a “política do ódio”. A Folha não verificou a autoria nem o conteúdo dessas postagens. O deputado encerrou a resposta mandando que ela lave a boca antes de falar da família dele. Até a publicação desta matéria, a Folha não localizou resposta de Ana Elisa a Eduardo.

Da morte de Matheus à escolha do PL

Matheus Azevedo morreu em 18 de julho, em Divinópolis (MG), em tratamento contra leucemia. A morte foi confirmada nas redes sociais por Eduardo, e lideranças de lados opostos, como Lula e Flávio Bolsonaro, lamentaram o caso.

No sábado seguinte, 25 de julho, o Republicanos realizou a convenção estadual sem Cleitinho, que disse ao partido não ter condições emocionais de comparecer. No mesmo dia houve a missa de sétimo dia do irmão. Em 29 de julho, o Republicanos informou que o senador não seria candidato ao governo. Cleitinho respondeu que continuaria tentando convencer o presidente nacional da sigla, Marcos Pereira, a deixá-lo disputar, e afirmou que ainda estava de luto.

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Em 5 de agosto, Flávio Bolsonaro anunciou o ex-presidente da Fiemg Flávio Roscoe como candidato do PL ao governo, dizendo que o partido havia esperado até onde foi possível. Dois dias depois, em 7 de agosto, o Republicanos mudou de posição e confirmou a candidatura de Cleitinho, com Luís Eduardo Falcão de vice. Pelas datas divulgadas, o anúncio de Roscoe veio 18 dias depois da morte de Matheus e sete dias depois da nota do Republicanos.

Na eleição de 4 de outubro, Cleitinho venceu no primeiro turno, com 55,41% dos votos válidos na apuração, como a Folha mostrou na cobertura da vitória para o governo de Minas. Roscoe ficou em terceiro lugar.

Direita dividida e segundo turno

A Folha já havia registrado como a campanha de Cleitinho expôs uma divisão dentro do PL em Minas, na reportagem sobre a passagem do então candidato pelo Triângulo. Eduardo é do PL, partido que acabou lançando Roscoe, e o irmão é do Republicanos, que só confirmou Cleitinho depois.

Ana Elisa, por sua vez, é do partido de Lula, que disputa a Presidência com Flávio Bolsonaro. Eduardo Azevedo associou a fala dela à tentativa de enfraquecer a direita no estado quando o país volta às urnas. A Folha trata a acusação como opinião do deputado: nas falas divulgadas não há dado que comprove essa intenção.

O que o eleitor de Patrocínio precisa saber

O segundo turno é em 25 de outubro. Em Patrocínio (MG), os locais de votação, os horários e o transporte estão reunidos em um guia da Folha, e o resultado do município para governador e senador no primeiro turno também está no site. Os dados oficiais da eleição ficam no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e a atuação dos deputados estaduais pode ser acompanhada no site da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

De onde vêm as informações

As falas de Ana Elisa e de Eduardo Azevedo são as que os dois divulgaram publicamente. A Folha não teve acesso à íntegra da entrevista nem da resposta, e o espaço segue aberto para os dois. A cronologia da morte de Matheus, da convenção e da escolha do PL vem do que Republicanos, PL e a família divulgaram na época, e o resultado da eleição, da apuração do TSE.

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