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No CRAS José Ribeiro, mulheres com deficiência contam a rotina no Setembro Verde

Em Patrocínio, o Censo 2022 contou 5.141 moradores com deficiência. O SINE levou ao encontro orientação sobre trabalho e as vagas abertas para PCD.

Duas mulheres com deficiência e uma representante do SINE na roda de conversa do Setembro Verde no CRAS José Ribeiro, em Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação
Duas mulheres com deficiência e uma representante do SINE na roda de conversa do Setembro Verde no CRAS José Ribeiro, em Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

Duas mulheres com deficiência, uma visual e outra física, contaram como é o dia a dia delas ao grupo do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) do CRAS José Ribeiro, em Patrocínio. A roda de conversa sobre inclusão e acessibilidade faz parte do Setembro Verde e foi divulgada pela Prefeitura nesta quinta-feira (24).

O encontro teve a parceria do CRAS Wilson Moreira Nélis. Segundo a Prefeitura, Cíntia, que tem deficiência visual, e Rosângela Luiz, que tem deficiência física, falaram da rotina, do que passaram por causa da deficiência e das dificuldades que encontram no cotidiano. O município não informou o dia da atividade nem quantas pessoas participaram.

O que se discutiu no CRAS José Ribeiro

A Prefeitura descreveu a atividade como um momento de escuta e de troca de experiências. Segundo o texto oficial, o grupo conversou sobre respeito às diferenças, inclusão social e acessibilidade. As fotos divulgadas mostram a sala decorada com cartazes de “inclusão” e “acessibilidade” e com balões verdes, a cor da campanha.

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Não foi a primeira atividade do grupo neste mês. No começo de setembro, o SCFV do CRAS José Ribeiro visitou a Secretaria de Direitos Humanos e a APAD, a associação que atende pessoas com deficiência visual na cidade. Lá, os participantes conheceram uma Bíblia em braile e jogos adaptados, como a Folha mostrou nesta reportagem.

SINE levou orientação sobre emprego

O Sistema Nacional de Emprego (SINE) também foi ao encontro no CRAS José Ribeiro. A equipe explicou como a pessoa com deficiência pode entrar no mercado de trabalho e falou das vagas abertas. A diferença no emprego ainda é grande. O estudo “Pessoas com deficiência e as desigualdades sociais no Brasil”, lançado pelo IBGE em 18 de setembro, mostra que só 29% das pessoas com deficiência estavam ocupadas no país, contra 55,8% das que não têm deficiência. Em Minas Gerais, a proporção era de 27,1% contra 58,7%.

A Lei de Cotas tenta reduzir essa distância. O artigo 93 da Lei 8.213, de 1991, obriga empresas com 100 ou mais empregados a reservar vagas para pessoas com deficiência ou trabalhadores reabilitados: 2% até 200 funcionários, 3% de 201 a 500, 4% de 501 a 1.000 e 5% acima disso. A Lei Brasileira de Inclusão, de 2015, proíbe discriminação na seleção e na contratação e não permite exigir “aptidão plena” do candidato.

A lista de vagas do SINE de Patrocínio divulgada nesta quinta tinha um anúncio de auxiliar administrativo exclusivo para PCD, que pede ensino médio completo e Pacote Office. Também havia duas vagas de fiscal do meio ambiente abertas a candidatos com deficiência, com salário de R$ 1.735, como a Folha mostrou na matéria sobre as 448 vagas da semana. O atendimento é presencial, na Avenida Altino Guimarães, 455, sala 1002, no bairro Santo Antônio, das 7h às 17h. É preciso levar RG ou CNH, CPF e Carteira de Trabalho. O telefone é (34) 3831-6090.

Mão de participante escreve em prancheta na roda de conversa do Setembro Verde no CRAS José Ribeiro, em Patrocínio
Participante escreve em uma prancheta durante a roda de conversa no CRAS José Ribeiro. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

O que é o Setembro Verde

O Setembro Verde gira em torno do dia 21, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. O movimento das pessoas com deficiência reivindica a data desde 1982, e ela foi oficializada pela Lei 11.133, de 2005. O dia foi escolhido por ficar perto do começo da primavera e coincidir com o Dia da Árvore. O verde representa o “florescimento” dos direitos.

Nenhuma lei federal cria o mês. O nome Setembro Verde é usado por órgãos públicos e entidades para concentrar ações sobre o tema, e a mesma cor também marca, no fim do mês, a campanha de doação de órgãos.

Pelos números do Censo 2022 do IBGE, divulgados em maio de 2025, o Brasil tem 14,4 milhões de pessoas com deficiência, 7,3% da população com 2 anos ou mais. Em Minas Gerais, a proporção é a mesma. Em Patrocínio, são 5.141 pessoas, perto de 5,9% dos 87.683 moradores nessa faixa de idade.

Como funciona o serviço de convivência

O CRAS é a porta de entrada da assistência social. É a unidade pública que organiza os serviços de proteção social básica do SUAS, o Sistema Único de Assistência Social. O SCFV é um desses serviços: reúne grupos por faixa etária em encontros regulares, com o objetivo de prevenir situações de risco e fortalecer os laços das famílias com a comunidade. A roda de conversa sobre inclusão foi uma dessas atividades.

O CRAS José Ribeiro fica na Rua Elmiro Alves do Nascimento, 1040, no bairro Marciano Brandão, e atende pelo telefone (34) 3099-3049. Quem quiser participar dos grupos de convivência pode procurar o CRAS mais perto de casa.

Outras ações do Setembro Verde em Patrocínio

No ano passado, as ações do Setembro Verde da Prefeitura foram feitas no CASI e no CRAS Dona Emidinha, com palestras de uma psicóloga, de uma representante da APAE e da coordenadora do SINE. Neste mês, a cidade também teve o Festival Paralímpico, no dia 19, na UNICERP, para crianças e jovens de 7 a 23 anos. Nesta quinta-feira, o Museu Municipal recebeu uma palestra sobre braile, dentro da programação da Primavera de Museus.


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Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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