FaceCard em Patrocínio: Prefeitura dá retorno a supermercados em 2ª reunião
A Prefeitura rescindiu o contrato com a administradora após apurar irregularidades, e os supermercados ainda cobram as vendas feitas pelo cartão antigo.

Os supermercados que ficaram sem receber pelas vendas feitas com o cartão FaceCard em Patrocínio voltaram a se sentar com a Prefeitura. Na segunda reunião sobre o caso, divulgada pelas ACIP/CDL nesta quinta-feira (24), a Administração Municipal levou uma resposta às questões do primeiro encontro e disse que vai continuar negociando uma saída para os valores pendentes.
A nota das entidades não conta qual foi essa resposta. Também não traz prazo, valor nem a lista de estabelecimentos atingidos. Informa apenas que as ACIP/CDL vão seguir acompanhando o tema com o Poder Público e repassar cada novo passo aos empresários envolvidos.
O que a Prefeitura levou à segunda reunião
Participaram do encontro representantes das ACIP/CDL, da Administração Pública Municipal e de supermercados associados. Segundo as entidades, a Prefeitura apresentou uma devolutiva sobre os pontos discutidos na primeira conversa, realizada no começo de setembro, e avisou que seguirá conduzindo as tratativas, “buscando alternativas para o encaminhamento e a resolução da situação”.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.No primeiro encontro, noticiado pela Folha em 7 de setembro, o grupo tratou das cobranças dos supermercados e dos processos judiciais que discutem se o Município deve responder de forma subsidiária pela dívida. Na prática, isso quer dizer pagar a conta se a cobrança contra a empresa não der resultado. Até agora, nenhuma das partes disse quanto está em jogo.
Por que a FaceCard em Patrocínio deixou de operar o benefício
Um convênio publicado pela própria Prefeitura explica por que a empresa saiu de cena. O Instrumento de Convênio nº 02/2026/PGM, assinado em 18 de fevereiro de 2026 pelo Município, pelo Ipsem e pelo Daepa, abriu caminho para contratar em caráter emergencial uma nova administradora de cartões de auxílio-alimentação para servidores ativos, inativos e pensionistas.
A justificativa está escrita no próprio convênio. A contratação emergencial “decorre da rescisão contratual” com a Face Card Administradora de Cartões Ltda., depois de um processo administrativo aberto para apurar irregularidades e descumprimentos de contrato na execução do serviço. O documento não detalha quais foram essas falhas.
O mesmo texto lembra que a lei municipal proíbe pagar o auxílio-alimentação em dinheiro. O benefício precisa sair por cartão eletrônico ou magnético, para garantir que o valor seja gasto com comida. Sem uma administradora contratada, a Prefeitura não pode depositar o valor direto na conta dos servidores.
Em julho, a Prefeitura anunciou que o vale-alimentação do funcionalismo passaria a ser pago pelo cartão Alelo Tudo, com o primeiro crédito no dia 31. A mudança de administradora resolve o uso do benefício daqui para frente. O que ficou para trás continua em aberto: o comerciante que vendeu pelo cartão antigo e não recebeu o repasse segue cobrando.

Como funciona o repasse do cartão
O modelo tem três pontas. A Prefeitura paga a administradora, que carrega o crédito no cartão do servidor. O servidor faz compras nos estabelecimentos credenciados. Depois, a administradora repassa ao comerciante o valor dessas compras, descontada a taxa combinada entre eles.
O problema aparece nessa última etapa. Quando o repasse atrasa, o supermercado já entregou a mercadoria e fica esperando um dinheiro que não chega. Foi essa a queixa que os supermercados associados às ACIP/CDL levaram à Prefeitura nas duas reuniões sobre a FaceCard em Patrocínio.
Outras cidades passaram pelo mesmo impasse
O atraso no repasse da FaceCard em Patrocínio repete o que já aconteceu em outras cidades. Em setembro de 2025, comerciantes de Arcos, no Centro-Oeste de Minas, deixaram de aceitar o cartão por falta de repasse, segundo o Arcos Notícias. Na época, só 16 estabelecimentos estavam habilitados na cidade, abaixo do mínimo de 25 previsto em contrato, e a prefeitura de lá notificou a empresa.
No mesmo mês, a Prefeitura de Capivari do Sul, no Rio Grande do Sul, avisou os servidores de que parte do comércio conveniado tinha suspendido as vendas pelo cartão por causa de atrasos nos repasses. No estado gaúcho, a associação dos supermercados também tratou do prejuízo causado ao comércio local.
O que ainda não se sabe
Duas reuniões depois, as perguntas centrais sobre a FaceCard em Patrocínio seguem sem resposta pública. Não se sabe quantos supermercados da cidade têm valores a receber, quanto somam essas cobranças, em que pé estão os processos judiciais nem qual alternativa a Prefeitura estuda para encerrar o impasse. A FaceCard não se manifestou publicamente sobre o caso na cidade.
Servidores e consumidores com algum problema ligado ao cartão, como saldo não reconhecido ou cobrança indevida, podem procurar o Procon Municipal de Patrocínio, que recebe reclamações de consumo e pode notificar a empresa responsável. Guardar extratos, comprovantes de compra e mensagens trocadas com a administradora ajuda a instruir o pedido.
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