Charge da Ação do Bem: Seu Tonico some nos bilhetes da rifa
Seu Tonico perdeu o Mobi e ficou feliz assim mesmo: a rifa vendeu mais de 20 mil bilhetes de R$ 10, e o dinheiro inteiro vai pagar equipe e quimioterápicos.

Seu Tonico foi ajudar o hospital e acabou soterrado em bilhete de rifa até a barriga, com a xícara de café erguida no alto para não molhar o papel. Dona Cida, ao lado, não conseguiu segurar a risada. Essa é a charge da Ação do Bem, a Charge da Folha desta quarta-feira, e o ponto de partida é uma notícia boa de verdade: a rifa de um Fiat Mobi zero quilômetro rendeu R$ 207.760 para o Hospital do Câncer de Patrocínio.

O que diz a charge desta quarta
Na cena, Seu Tonico aparece na porta do hospital no meio de uma montanha de canhotos, com bilhete voando para todo lado. Ao fundo, o carrinho vermelho com laço no teto. Dona Cida pergunta quantos bilhetes ele comprou, e ele responde do jeito que só um cafeicultor teimoso responderia: o carro ele não levou, mas o hospital ganhou. A piada é com o exagero do comprador, e o recado é o da própria campanha. Quem comprou bilhete sabia que o prêmio principal ia para os pacientes.
Os dois personagens da charge da Ação do Bem são inventados e fixos da série. Seu Tonico é cafeicultor, tem uns 60 anos e não larga a xícara esmaltada. Dona Cida é a mulher dele, de óculos redondos vermelhos e avental mostarda. Nenhum dos dois representa morador real da cidade, e o ganhador da rifa não foi desenhado.
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A campanha Ação do Bem foi organizada pela Top Automóveis e pela Turma do Frango, grupo de voluntários de Patrocínio. Foram vendidos mais de 20 mil bilhetes de R$ 10, e o sorteio do Mobi aconteceu na segunda-feira (5). O ganhador é um morador de Patrocínio que, segundo os organizadores, comprou um bloco inteiro de bilhetes pensando em ajudar a saúde da cidade. Ou seja, na vida real teve gente fazendo exatamente o que o Seu Tonico faz na charge.
O carro foi doado pela Top Automóveis e vale perto de R$ 80 mil, de acordo com a organização. Como ninguém precisou comprar o prêmio, tudo o que entrou com a venda dos bilhetes fica com o hospital. A conta é simples: R$ 207.760 divididos por R$ 10 dão pouco mais de 20,7 mil bilhetes, número que bate com o volume de vendas informado. Os detalhes da campanha estão na reportagem completa da Folha sobre a Ação do Bem.
Para onde vai o dinheiro
O dinheiro que aparece no rodapé da charge da Ação do Bem vai manter os serviços que já funcionam, segundo a direção do Hospital do Câncer de Patrocínio. Uma parte paga salários e honorários da equipe: médicos, enfermeiros, farmacêuticos, técnicos de enfermagem, técnicos de farmácia e recepção. A outra compra quimioterápicos, os medicamentos usados no tratamento dos pacientes.
É o tipo de despesa que o SUS não cobre por inteiro. Em agosto, o hospital conseguiu a habilitação oncológica pelo Sistema Único de Saúde, em parceria com a Santa Casa, e avisou na época que a tabela do SUS cobre cerca de 30% das despesas hospitalares. O restante sai de doações, leilões, cavalgadas e eventos beneficentes. As regras de habilitação em oncologia ficam com o Ministério da Saúde.
Alpha for MenOutras campanhas pelo hospital
O hospital vive de campanhas assim. Em 23 de setembro, a campanha Direito de Viver, de Rio Paranaíba, entregou R$ 745 mil ao hospital. No fim do mesmo mês, o Encontro de Motociclistas reverteu a renda do almoço e do bar para a instituição. Em outubro ainda tem a Corrida Outubro Rosa, organizada pelo próprio hospital.
Vinte mil bilhetes é muita coisa para uma cidade do tamanho de Patrocínio. Muita família comprou mais de um, e empresários, comerciantes e artistas locais passaram semanas vendendo de mão em mão. O carro circulou adesivado com a marca da campanha, o preço do bilhete e um QR Code para quem quisesse comprar pelo celular.
Por que a Ação do Bem virou charge
A Charge da Folha sai todos os dias e, de quarta a domingo, é sempre positiva. A regra é partir de uma notícia real e confirmada de Patrocínio, com o dado principal no rodapé da arte. Nesta semana, nenhuma notícia boa juntou tanta gente quanto a rifa do Mobi, e por isso a escolha foi a charge da Ação do Bem.
Como toda a série, a charge da Ação do Bem não desenha pessoa real. Organizadores, voluntários, o ganhador e a direção do hospital ficam de fora da arte. Quem aparece são Seu Tonico, Dona Cida e a cena que qualquer patrocinense reconhece: gente comum querendo ajudar e exagerando um pouco na dose.
Seu Tonico, aliás, já avisou que vai guardar os canhotos. Dona Cida acha que não cabem na despensa.
Charge de Eric Fernando. Ilustração feita com inteligência artificial.
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