Café de Patrocínio sobe 3,55% e saca vai a R$ 1.750 com NY em alta
Alta de 3,55% em um dia recoloca a praça de Patrocínio no topo da tabela do físico, enquanto Nova York reage à falta de chuva na florada.

O café de Patrocínio fechou a sexta-feira (2) a R$ 1.750 por saca de 60 quilos, segundo a tabela do físico do Notícias Agrícolas. A alta foi de 3,55% sobre a quinta, quando a cotação tinha recuado 2,03%, para R$ 1.690. O arábica tipo 6 da cidade voltou ao topo da lista e ficou acima de todas as outras praças acompanhadas.
O movimento veio junto com a reação da bolsa de Nova York, que passou a manhã em disparada e terminou o dia em alta mais moderada. O dólar voltou a negociar acima de R$ 5,20, mas desta vez o preço lá fora não cedeu: os investidores olharam para o clima em Minas Gerais e para os estoques curtos.
Café de Patrocínio volta ao topo da tabela
Com R$ 1.750, o café de Patrocínio ficou R$ 20 acima de Machado, no Sul de Minas, que subiu 0,58% e foi a R$ 1.730. Campos Gerais avançou 0,29%, para R$ 1.705. Araguari, vizinha de Patrocínio no Cerrado Mineiro, ficou parada em R$ 1.670, e Varginha também não saiu do lugar, em R$ 1.650. Franca, em São Paulo, repetiu R$ 1.680, e Poços de Caldas, R$ 1.570. A praça mais barata foi o Oeste da Bahia, que caiu 1,63%, para R$ 1.505. A cooperativa de Guaxupé não divulgou cotação.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.A diferença entre a primeira e a última colocada chegou a R$ 245 por saca. Na semana, o café de Patrocínio já havia subido R$ 90 de uma só vez na segunda-feira (28) e chegou a R$ 1.730 na terça, como a Folha mostrou na matéria sobre a disparada do preço. A cotação oscilou desde então e fecha a semana no maior valor do período.

Nova York sobe com a falta de chuva na florada
Na bolsa de Nova York, o contrato de dezembro do arábica chegou a subir 2,55% pela manhã e foi a 295,60 centavos de dólar por libra-peso, perto da marca simbólica de 300 centavos. No fim da tarde, a alta estava em 0,87%, a 290,75 centavos. Março de 2027 subiu 1,06%, para 282,55 centavos, maio avançou 1,25%, a 279,85, e julho ganhou 1,28%, a 277,85.
O motivo principal citado pelo mercado é o tempo seco. A florada que define a safra de 2027 depende de chuva em setembro e outubro, e a previsão para as principais áreas de arábica, sobretudo em Minas Gerais, tem pouca água. Quando chove pouco nessa fase, as flores abrem de forma irregular e o número de grãos por planta pode cair, o que preocupa quem compra café.
O segundo fator é o estoque. Os estoques certificados de arábica na bolsa americana tocaram em setembro o menor nível em 27 anos. Com pouco café guardado, qualquer notícia de clima ruim no Brasil pesa mais no preço.
Safra grande, mas mercado apertado
O diretor do Escritório Carvalhaes, Eduardo Carvalhaes, avalia que o mercado mundial de café opera há alguns anos com um equilíbrio muito estreito entre produção e consumo, sem conseguir reconstruir estoques com folga. Para ele, quem pensa que existe sobra de café vai descobrir mais adiante que não é bem assim. O analista espera volatilidade pelo menos até março, enquanto o mercado não tiver uma ideia mais clara do tamanho da próxima safra.
Esse quadro convive com números grandes. A Organização Internacional do Café projeta uma produção mundial recorde de 183,6 milhões de sacas na temporada 2025/26, e a safra brasileira deste ano é apontada como volumosa. Os produtores, porém, vendem de forma cautelosa, na casa de 4 milhões de sacas por mês, o que mantém a oferta controlada e evita pressão sobre o preço.
O que muda para o produtor do Cerrado
Para quem produz no Cerrado Mineiro, a combinação de bolsa firme e dólar acima de R$ 5,20 é favorável: o preço em reais fica mais alto e a venda rende mais por saca. Patrocínio é a maior cidade produtora de café do Brasil, com 64.225 toneladas colhidas em 2024, segundo o IBGE, e abriga a sede da Expocacer, a Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado, fundada em 1993, cuja cotação serve de referência para a tabela do físico.
Em um único dia a saca pode subir mais de 3% e, na semana, já caiu mais de 2%. Quem pretende vender precisa acompanhar o fechamento diário do dólar, da bolsa e do clima, e não só o preço de um dia. A Folha já mostrou que o café de Patrocínio vem liderando a tabela do físico nos últimos dias,.
Os números do físico são do Notícias Agrícolas, e a leitura da bolsa de Nova York segue o fechamento publicado pelo próprio Notícias Agrícolas nesta sexta-feira.
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