Operação Scutum: Justiça condena 10 por tráfico de armas ligado a Patrocínio
Penas somam mais de 200 anos e vão de pouco mais de 10 a mais de 40 anos; PF aponta núcleos em Patrocínio, Uberlândia, Ituiutaba e Catalão (GO), com armas vindas do Paraguai.

A Justiça Federal condenou dez pessoas por tráfico internacional e comércio ilegal de armas de uso restrito em processos ligados à Operação Scutum, da Polícia Federal, que identificou núcleos do grupo em Patrocínio. Somadas, as penas passam de 200 anos de prisão, e as sentenças saíram nesta semana em ações que correram nas varas federais de Uberaba e Uberlândia, no Triângulo Mineiro.
Patrocínio aparece entre os pontos de apoio do esquema, segundo a Polícia Federal. A informação foi divulgada na quinta-feira (1º) pela rádio Módulo FM, com base em dados da PF em Minas Gerais.
Núcleos em quatro cidades e armas vindas do Paraguai
De acordo com a PF, o grupo mantinha núcleos de atuação em Patrocínio, Uberlândia e Ituiutaba, em Minas Gerais, e em Catalão, em Goiás. As cidades teriam servido de apoio para a circulação e a distribuição do armamento. A corporação não detalhou, nas informações divulgadas, qual era o papel específico do núcleo de Patrocínio.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.A investigação apurou que armas e munições de uso restrito eram trazidas do Paraguai e depois destinadas a grupos criminosos que atuavam em Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro e Bahia. Armas de uso restrito são as que a lei reserva às forças de segurança e às Forças Armadas, e vendê-las a particulares é crime.

O que a Justiça decidiu na Operação Scutum
As condenações abrangem tráfico internacional e tráfico nacional de armas de uso restrito e associação criminosa armada. As penas individuais variam de pouco mais de dez anos a mais de 40 anos de prisão. A divulgação feita pela PF não traz, até agora, os nomes de todos os condenados, e esta reportagem não identifica ninguém que não tenha sido apontado por fonte oficial.
Reportagens de veículos de Uberlândia e Uberaba, publicadas em 1º de outubro, detalham a situação do apontado como chefe da organização. Segundo essas matérias, ele recebeu pena total de 25 anos, 11 meses e 10 dias, resultado da soma das sentenças das duas cidades. Em Uberaba, a condenação foi de 20 anos e seis meses, em regime inicial fechado, por tráfico internacional de armas e contrabando de cigarros eletrônicos. Em Uberlândia, a pena foi de cinco anos, cinco meses e dez dias, por chefiar organização criminosa transnacional.
Ainda conforme essas reportagens, ele negociava diretamente com fornecedores paraguaios, definia preços e rotas e acompanhava informações sobre a fiscalização na fronteira. Em primeira instância, as decisões ainda admitem recurso, e a defesa dos réus não se manifestou nos materiais consultados pela Folha.
Dinheiro, empresas e bloqueio de R$ 66 milhões
Durante as investigações da Operação Scutum, a PF também apurou o uso de estruturas comerciais para movimentar dinheiro e suspeitas de lavagem de recursos. A Justiça chegou a autorizar o bloqueio de até R$ 66 milhões em bens e valores ligados aos investigados. O número é o teto autorizado, e não necessariamente o total efetivamente bloqueado.
As reportagens sobre o caso do chefe citam a apreensão de armas, cigarros eletrônicos, munições, celulares, cheques e um veículo de luxo. Ou seja, o grupo contrabandeava mais de um tipo de produto.
Como a Operação Scutum chegou até aqui
A primeira fase da Operação Scutum foi deflagrada em outubro de 2024. As etapas seguintes ampliaram a apuração sobre a estrutura do grupo e identificaram outros participantes. Em maio de 2026, uma nova fase da Operação Scutum cumpriu mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em Uberlândia, segundo a imprensa local daquele município. As condenações agora anunciadas são o desdobramento judicial dessas etapas.
O caso mostra por onde passa o armamento ilegal que sai da fronteira com o Paraguai e abastece o crime em vários estados. A Polícia Federal combate o tráfico internacional de armas. Em Patrocínio, apreensões em rodovias, como as feitas pela PRF na BR-365 e na BR-262, aparecem com frequência na editoria de Policial.
O que ainda não se sabe
As informações públicas não dizem quantos dos dez condenados moram ou moravam em Patrocínio, nem se houve prisões na cidade. Também não está claro se algum dos réus já cumpre pena, se houve absolvições em outros processos da mesma operação ou se as defesas vão recorrer. A Folha consultou apenas fontes abertas e acompanha o caso. Se a Polícia Federal ou a Justiça Federal divulgarem novos dados, esta reportagem será atualizada.
A informação inicial foi publicada pela Módulo FM, e os detalhes das sentenças do apontado chefe do grupo foram levantados em reportagens do Diário de Uberlândia e do JM Online.
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