Jovem cobra R$ 1.200 para devolver iPhone perdido e é preso em Patrocínio
O aparelho ficou sobre um carro perto de uma padaria do Santa Terezinha. O dono rastreou o celular, recebeu áudios com a cobrança e chamou a PM.

Um iPhone perdido perto de uma padaria do bairro Santa Terezinha, em Patrocínio, terminou com um jovem de 20 anos preso na noite de domingo (27). Segundo a Polícia Militar, ele encontrou o aparelho, ficou com ele e mandou áudios ao dono cobrando R$ 1.200 para devolver o telefone. O rastreamento do celular levou os militares até o endereço onde estava o suspeito, cujo nome não foi divulgado.
Do rastreamento à prisão
O chamado foi atendido na Rua Miguel Marques. De acordo com a PM, o dono do iPhone 14 branco percebeu a perda nas imediações de uma padaria e abriu o recurso de localização do aparelho. Pouco depois, começaram a chegar os áudios. Neles, segundo o relato policial, o rapaz condicionava a devolução ao pagamento de R$ 1.200.
Com a localização em mãos, as equipes foram até um endereço e acharam o telefone com o jovem. Aos militares, ainda conforme a PM, ele disse ter encontrado o celular em cima de um carro estacionado e admitiu ter ficado com o aparelho.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.O iPhone foi recuperado ali mesmo e entregue ao proprietário. O suspeito recebeu voz de prisão, foi levado ao 46º Batalhão de Polícia Militar e, em seguida, à Delegacia de Polícia Civil de Patrocínio. A ocorrência foi registrada como apropriação indébita. A partir daqui, o caso fica com a Polícia Civil, e o enquadramento definitivo só será fechado na investigação e, se houver denúncia, pela Justiça.
Não é a primeira vez neste mês que um celular vira caso de polícia na cidade. No começo de setembro, a Folha contou a história de um celular emprestado num bar do São Benedito que também acabou na delegacia.

O que diz a lei sobre iPhone perdido e achado
Achar um celular não é crime. O problema começa quando quem acha fica com ele. O Código Penal trata do assunto no artigo 169, que fala da apropriação de coisa achada. O inciso II do parágrafo único diz que responde pelo crime quem encontra coisa alheia perdida e não a devolve ao dono, nem a entrega à autoridade competente, em até 15 dias. A pena prevista é de detenção de um mês a um ano, ou multa.
O artigo anterior, o 168, cuida da apropriação indébita propriamente dita, quando alguém já tinha a posse de um bem e passa a agir como se fosse o dono. Nesse caso a pena é maior: reclusão de um a quatro anos, além de multa. O texto integral dos dois artigos está no Código Penal, no site do Planalto.
O Código Civil cuida do outro lado da história. O artigo 1.233 manda quem acha uma coisa perdida devolvê-la ao dono e, se não souber quem é, entregá-la à autoridade. O artigo seguinte garante a quem devolve uma recompensa de pelo menos 5% do valor do objeto, mais o que tiver gasto para conservá-lo e transportá-lo. Essa recompensa, porém, é um direito de quem devolve. A lei não autoriza segurar o aparelho até o dono pagar.
Achou um celular? Veja como agir
A orientação mais simples é devolver. Se a tela do aparelho, seja um iPhone perdido ou um Android, mostrar um contato de emergência ou uma mensagem de recuperação, dá para ligar direto para o dono. Se não mostrar, o caminho é levar o aparelho a uma delegacia, a uma base da PM ou ao balcão do estabelecimento onde ele foi achado, e pedir que o repasse seja registrado. Deixar o telefone ligado ajuda, porque o dono pode estar tentando rastreá-lo naquele momento.
Quem achou e quer a recompensa pode conversar com o dono, mas não deve impor condição para devolver. No caso de domingo, segundo a PM, houve cobrança para devolver o aparelho, e foi a partir dela que o dono acionou a polícia.
Perdeu o celular? O que fazer primeiro
Quem perde o aparelho precisa agir rápido. Com um iPhone perdido, o primeiro passo é abrir o app Buscar; no Android, o Encontre Meu Dispositivo. Os dois funcionam em outro aparelho ou no computador e permitem marcar o celular como perdido. Isso bloqueia a tela, mostra uma mensagem com um número para contato e mantém a localização atualizada.
Em seguida, vale bloquear a linha com a operadora e avisar o banco, porque o celular costuma dar acesso a aplicativos financeiros. O governo federal mantém o programa Celular Seguro, que permite avisar bancos e operadoras de uma vez só.
O registro da ocorrência pode ser feito na Delegacia Virtual de Minas Gerais, pela internet, ou numa delegacia. Se a localização mostrar onde o aparelho está, ou se alguém entrar em contato pedindo dinheiro, a recomendação é não ir sozinho ao encontro. O caminho é chamar a PM pelo 190 e repassar as informações, como fez o dono do iPhone perdido no Santa Terezinha.
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