Um pedido banal dentro de um bar terminou em prisão em Patrocínio. Um homem de 48 anos foi detido pela Polícia Militar na tarde de segunda-feira (31) depois de sair do estabelecimento com um celular emprestado momentos antes por outro cliente.
O caso aconteceu num bar do bairro São Benedito. Segundo o relato policial, a vítima entregou o aparelho ao homem ali mesmo, dentro do bar. Assim que ficou com o telefone na mão, ele deixou o local levando o celular emprestado.
Como a PM chegou ao suspeito
Com as informações repassadas pela vítima, as equipes começaram as buscas pela região e localizaram o homem pouco depois. A corporação não detalhou em que ponto do bairro ele foi encontrado nem se o celular emprestado foi recuperado e devolvido ao dono.
Durante a abordagem, de acordo com a PM, o homem resistiu, e os militares precisaram usar técnicas de contenção física para concluir a detenção. Por causa disso ele foi levado primeiro ao Pronto-Socorro Municipal para avaliação médica.
Depois do atendimento, foi conduzido ao 46º Batalhão da Polícia Militar e, na sequência, apresentado à Delegacia de Polícia Civil, que segue com o caso. A Folha não identifica o detido porque não houve divulgação oficial do nome e ele não é pessoa pública. Não há decisão judicial sobre o episódio.

Pegar um celular emprestado e não devolver é crime
A situação não se enquadra como furto. Quando alguém recebe um objeto voluntariamente, com a posse consentida pelo dono, e depois decide não devolver, o Código Penal trata isso como apropriação indébita, no artigo 168. A pena prevista é de reclusão de um a quatro anos, mais multa.
A diferença importa na prática. No furto, o autor subtrai o objeto sem que o dono saiba ou consinta. Na apropriação indébita, a entrega foi legítima e o crime nasce depois, no momento em que quem recebeu decide ficar com a coisa. A tipificação final, no entanto, é da Polícia Civil e depois do Ministério Público, a partir do que o inquérito apurar.
O que fazer quando o aparelho some
Quem perde um celular nessas circunstâncias tem alguns passos práticos, e a ordem importa. O primeiro é bloquear a linha junto à operadora, o que impede uso de chamadas e dados. O segundo é pedir o bloqueio do IMEI, o número de série do aparelho, que inutiliza o telefone em qualquer operadora do país. O código costuma estar na caixa e na nota fiscal.
Vale também acionar remotamente as ferramentas do sistema, como o “Encontre Meu Dispositivo” do Android e o “Buscar” do iPhone, que permitem localizar, bloquear e apagar os dados à distância. Bancos precisam ser avisados para derrubar sessões abertas nos aplicativos.
O registro do boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia Civil fecha o ciclo e é o documento que sustenta qualquer contestação posterior de compra feita pelo aparelho.
Contexto
Aparelhos de telefone estão entre os alvos mais frequentes de ocorrência patrimonial no município, seja por furto, seja por golpes aplicados à distância. O Procon de Patrocínio já emitiu alerta sobre fraudes que usam o telefone como porta de entrada, tema que a Folha tratou em reportagem sobre golpes por celular.
A segunda-feira (31) foi movimentada para a PM na cidade. No mesmo dia, um funcionário foi detido depois de esconder 71,5 quilos de café num terreno baldio da Avenida Faria Pereira, caso detalhado em outra reportagem da Folha, e um homem de 25 anos foi preso após levar um ônibus da Avenida Alberto Sanarelli.
Onde registrar
Situação parecida com a do celular emprestado deste caso, ou qualquer ocorrência em andamento, se comunica à Polícia Militar pelo 190. O registro formal do boletim se faz na Delegacia de Polícia Civil de Patrocínio. Denúncia anônima vai para o Disque Denúncia Unificado, no 181.
O caso foi divulgado pela Rádio Difusora 95.3 FM, com base nos dados da Polícia Militar.
Enquete: avalie a gestão do prefeito de Patrocínio

A Folha de Patrocínio quer ouvir você: como está sendo, na sua avaliação, este 1 ano e 6 meses de gestão do prefeito Gustavo Brasileiro à frente da Prefeitura de Patrocínio? Vote na enquete abaixo.

