Uma produtora de documentários do Rio de Janeiro está percorrendo cidades do Triângulo Mineiro e do sudeste de Goiás para gravar uma série sobre o Monstro de Capinópolis, apelido dado a Orlando Sabino depois de uma onda de assassinatos que aterrorizou a região nos anos 1970. Segundo a tradição local, o primeiro crime da sequência aconteceu na zona rural de Patrocínio, antes de o autor seguir em direção a Capinópolis e a cidades vizinhas.

Quem foi Orlando Sabino, o Monstro de Capinópolis

Orlando Sabino ficou conhecido depois de uma série de assassinatos cometidos entre o fim de 1971 e o início de 1972, num raio que passou por Patrocínio, Capinópolis, Ituiutaba, Centralina, Canápolis, Tupaciguara e cidades do sudeste goiano, como Catalão e Ouvidor. O relato mais difundido sobre o caso é o livro-reportagem “O Monstro de Capinópolis”, do jornalista Pedro Popó, publicado em 2011 depois de anos de apuração sobre o crime que marcou a região.

O número exato de vítimas do Monstro de Capinópolis nunca foi definitivamente estabelecido. A lenda local, reforçada em vídeos e relatos populares, fala em até 25 mortes. Levantamentos jornalísticos mais recentes, porém, tratam esse número com cautela: uma reportagem sobre a produção do documentário registra apenas duas mortes efetivamente comprovadas na fase goiana do caso, com outros crimes atribuídos a Sabino já no território mineiro. Pesquisadores que revisitaram o processo levantam inclusive a hipótese de que parte da violência atribuída a ele tenha sido obra de outra pessoa, e que Sabino tenha funcionado como bode expiatório para uma região tomada pelo pânico.

A caçada que mobilizou 200 homens

A captura de Orlando Sabino só aconteceu depois de uma operação que reuniu mais de 200 homens, entre policiais e civis, ao longo de cerca de dois meses de buscas pelo interior de Minas Gerais e Goiás. Ele foi preso ao tentar atravessar o rio Tejuco, no distrito de Ipiaçu. Levado a julgamento, foi considerado inimputável pela Justiça e internado no hospital judiciário de Barbacena, onde permaneceu por mais de 38 anos.

Pôr do sol em Catalão, Goiás, cidade citada no caso do Monstro de Capinópolis
Catalão (GO), uma das cidades da rota atribuída ao Monstro de Capinópolis e base de parte das filmagens do documentário. Foto: Marcos Bruno

Entre a lenda e o que ficou registrado

Essa distância entre o que a tradição oral conta e o que os registros documentam é, hoje, o principal fio condutor de quem revisita o caso. O relato de que a primeira vítima do Monstro de Capinópolis morreu em Patrocínio circula há décadas na região, repetido em vídeos, rodas de conversa e, mais recentemente, em grupos de redes sociais dedicados à memória da cidade. Documentaristas e pesquisadores, no entanto, tratam a atribuição de cada morte a Sabino com reserva, já que parte dos crimes da época nunca teve autoria plenamente esclarecida.

O documentário que revisita o caso

A nova investida sobre a história é da produtora carioca Coevos Filmes, sob direção de José Jofilly e Pedro Rossi, que prepara uma série documental para o Canal Brasil a partir do trabalho de Pedro Popó. A equipe já visitou Catalão, Ouvidor, Tupaciguara, Uberlândia, Ituiutaba, Centralina e Canápolis para entrevistar moradores que viveram a época ou tiveram contato direto com o caso, além de pesquisadores que se debruçam sobre os arquivos policiais e judiciais remanescentes. A data de estreia da série ainda não foi divulgada.

Para Patrocínio, a passagem da equipe de produção reacende um capítulo da história da cidade que raramente aparece fora da tradição oral. Mais de cinco décadas depois dos crimes, o caso do Monstro de Capinópolis segue sendo um dos episódios mais citados quando o assunto é a criminalidade rural do Alto Paranaíba e do Triângulo Mineiro no século passado, ao lado de outros casos que a cobertura policial da Folha de Patrocínio já registrou na região.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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