O quociente eleitoral é a conta que decide, na prática, quantos votos um partido precisa somar para garantir uma cadeira na Assembleia Legislativa. Usando os resultados de 2022 como referência, dá para estimar o patamar que dois nomes de Patrocínio, a deputada Maria Clara Marra e o candidato Pedro Bom Negócio, vão precisar alcançar em outubro.

Como funciona o quociente eleitoral

O sistema proporcional brasileiro não elege só quem tira mais votos individualmente. As cadeiras da Assembleia Legislativa de Minas Gerais são distribuídas por coligação e por partido, conforme o total de votos que cada legenda soma no estado inteiro. Depois da distribuição, dentro de cada partido, quem elegeu entra pela ordem de votação pessoal, do mais votado ao menos votado.

Isso cria uma referência prática: o último candidato de cada partido a entrar mostra o piso real de votos que costuma fechar conta naquela legenda. Não é uma regra fixa, é o retrato de uma eleição específica. A Folha de Patrocínio apurou os números de 2022 diretamente na apuração da Justiça Eleitoral publicada pela Folha de S.Paulo para montar esse retrato.

Fachada da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde é decidido o quociente eleitoral de cada partido
Palácio da Inconfidência, sede da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Foto: Andrevruas/Wikimedia Commons, CC BY 3.0

O que isso significa para Pedro Bom Negócio, no PL

Pedro Bom Negócio, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de Patrocínio, concorre a deputado estadual pelo PL, com o número 22550. Em 2022, o PL elegeu nove deputados estaduais em Minas Gerais, do primeiro colocado, Bruno Engler, com mais de 637 mil votos, até o último da lista, Coronel Henrique, que entrou com 34.336 votos, 0,31% dos votos válidos.

Se a distribuição de cadeiras do PL em 2026 seguir perto do que aconteceu em 2022, esse é o patamar que baliza a disputa: quem ficar perto dos 34 mil votos, no universo de candidatos do partido, tem chance real de entrar na última vaga da legenda.

O que isso significa para Maria Clara Marra, no PSDB

Maria Clara Marra foi eleita deputada estadual em 2022 pelo DC (Democracia Cristã), com 42.415 votos. Desde então, migrou para o PSDB, partido pelo qual disputa a reeleição em 2026, o que muda o partido de referência para calcular o quociente eleitoral dela.

Em 2022, o PSDB elegeu só um deputado estadual em Minas: Leonídio Bouças, com 69.355 votos, 0,63% dos válidos. O segundo colocado mais votado do partido naquele ano, Dalmo Ribeiro, ficou de fora mesmo com 62.236 votos, porque o PSDB não teve votação suficiente para abrir uma segunda cadeira.

Leonídio Bouças, deputado estadual do PSDB, único do partido eleito em Minas Gerais em 2022 pelo quociente eleitoral
Leonídio Bouças (PSDB), único deputado do partido eleito em Minas Gerais em 2022. Foto: Assembleia Legislativa de Minas Gerais/Divulgação

Os dois cenários possíveis para o PSDB em 2026

A conta do quociente eleitoral para Maria Clara Marra depende de quantas cadeiras o PSDB conseguir abrir em 2026. No primeiro cenário, o partido elege de novo só um deputado: nesse caso, a régua é a votação de Leonídio Bouças em 2022, os 69.355 votos que o mesmo PSDB usaria de referência.

No segundo cenário, considerado mais favorável ao grupo de Maria Clara Marra, o PSDB consegue eleger dois nomes, ela e Leonídio Bouças. Para isso, os votos dos dois juntos precisam somar o suficiente para o partido conquistar duas cadeiras, o que normalmente exige uma votação total maior que a de 2022, quando só uma vaga saiu.

Por que a conta pode mudar em 2026

O quociente eleitoral de um partido não é fixo: ele varia a cada eleição, conforme quantos votos todos os partidos somam no estado e quantas coligações se formam. A dinâmica de 2026 pode ser bem diferente da de 2022, inclusive porque houve mudanças de legenda, como a de Maria Clara Marra, e porque novas alianças partidárias mudam o cálculo da distribuição de cadeiras.

Por isso, os números levantados aqui funcionam como estimativa histórica, não como previsão. Servem para o eleitor entender a lógica por trás da eleição proporcional, não para cravar quantos votos cada candidato vai precisar em outubro.

Nota de transparência

O redator-chefe da Folha de Patrocínio responde a duas ações de Direito de Resposta movidas por Maria Clara Marra na Justiça Eleitoral (TRE-MG 0602659-53.2026.6.13.0000 e 0602687-21.2026.6.13.0000). Essa relação não interferiu na apuração desta reportagem, que se baseia na apuração oficial da Justiça Eleitoral para as eleições de 2022, publicada pela Folha de S.Paulo, e nos dados oficiais da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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